“Sob o ponto de vista da diversidade, há momentos em que uma música dita descartável, como o brega ou arrocha também cabe. A questão é a monocultura imposta com métodos comerciais agressivos, na maioria das vezes com base em chantagens, subornos e propinas tanto para donos de emissoras de rádio, como para prefeitos e parlamentares. O efeito disso é uma tragédia de grandes dimensões em termos subjetivos, éticos e estéticos que não surpreende, aqueles (as) que estão atentos ao modo de agir, assim como aos efeitos e consequências da ação nefasta de oligopólios e cartéis privados no campo da comunicação e da cultura, associados a grupos politicos majoritariamente ligado as elites conservadores ou alinhados ao pensamento da chamada direita. Culpar os pais, as crianças, os adolescentes, os jovens e a escola, é covardia…”
em dia na formação da cultura do país ao se constatar que é esmagado
pela indústria do entretenimento? Não é uma resposta difícil porque tudo
é feito às claras. Só não vê quem não quer. Às camadas menos
favorecidas da população sempre coube uma parcela importante da criação
da arte popular. E arte é transformação. E com transformação se muda o
curso da História. Foi a lição que aprendemos.
FORMAÇÃO DA CULTURA?
isso: qual o papel que cabe ao povo hoje em dia na formação da cultura do país ao se constatar que é
esmagado pela indústria do entretenimento? Não é uma resposta difícil porque
tudo é feito às claras. Só não vê quem não quer. Às camadas menos favorecidas
da população sempre coube uma parcela importante da criação da arte popular. E
arte é transformação. E com transformação se muda o curso da História. Foi a
lição que aprendemos.
triste: o povo é refém de um inteligentíssimo esquema de mercado que envolve
proprietários e diretores de programação de estações de rádio e TV, donos de
casas noturnas, de blocos de axé, de clubes de carnaval como “Galo da
Madrugada” e “Virgens de Olinda”, de grandes cervejarias, de gravadoras, até
chegar aos “intelectuais do convencimento”, esses a quem cabe o papel de tapar
o sol com a peneira, ao defenderem com unhas e dentes que essa subordinação não
existe, ou que não passa de papo de esquerdista frustrado.
meio do povo um novo Zé do Norte e não se acha. Quem não se lembra de: “os óios
da cobra é verde/ hoje foi que arreparei/ se arrepasse há mais tempo/ não amava
quem amei”?
domínio público recolhidos no recôncavo baiano: “ô marinheiro, marinheiro/
marinheiro samba/ quem te ensinou a nadar/marinheiro samba/ foi o tombo do
navio/marinheiro samba/ foi o balanço do mar”?
lindas que foram incorporadas ao repertório do grande Caetano Veloso. Hoje me
parece que esse processo criativo do povo foi interrompido porque foi
atropelado pelo desprezo ao que não tem apelo comercial. Quem é o responsável
por isso? Ora, só pode ser aquele a quem cabe zelar pela cultura. Nada contra o
tecnobrega, sertanejo ou funk carioca, mas vejam quem está por trás deles e
faturando alto: são os empresários.
DJ de aparelhagem. Um traço em comum entre eles é a riqueza, igualmente aos
artistas que mais se destacam nesses gêneros. Tecnobrega, sertanejo-pop e funk
são manifestações culturais do povo? Para mim, não, com todas as vênias e
respeitos a quem diverge.
Acho que é coisa imposta de cima pra baixo. Na
origem, há uma nítida inversão de camadas sociais. Se eu estiver errado, me
apontem os do povo que são autores dos sucessos dessas citadas “manifestações
culturais”. Indo mais além, vejo o povo como um mero figurante nesse grande
jogo de interesse que se me afigura como puramente mercadológico.
manifestação cultural onde não existe cultura. Cultura de verdade, entendo eu,
não é aquela que se vale do rápido e fácil domínio das plateias, ao contrário,
ela tem um longo processo de formação e somente se reconhece pela sua
finalidade maior que é a transmissão para a posteridade de obras ricas em
valores artísticos, sejam eles folclóricos, populares (da classe média) ou
eruditos. Não é à toa que Alceu Valença, em suas entrevistas, meta a lenha na
indústria do entretenimento. Ele sabe o que fala!
compositor Allan Sales, um dos artistas populares mais famosos do Recife, vê
assim a questão:
na fonte, não pondo em cena o que naturalmente brota desse povo, mas
valorizando mercadologicamente toda espécie de lixo cultural que vem a
responder a essa demanda midiática e criação de produtos culturais
descartáveis. O problema é que hoje somos
consumidores e não de criadores, e uma sociedade de consumidores, por
definição, pressupõe uma massa amorfa, passiva e isenta de senso crítico que
engole goela abaixo, sem grandes questionamentos, os ‘lepo lepo’ da vida.”
uma manifestação insuspeita de cultura popular:
Zé do Norte.
Leia também:
Entre o espanto e a gracinha – A cultura de massa atravessando a Escola.
Os baianos invadiram quase tudo e agora reclamam da invasão do sertanejo”made in brazil”
AGONIA DO CARNAVAL BAIANO
Mãe de Igor Kannário diz sofrer ameaças de morte dos empresários do filho
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Comentários no facebook
enquanto educadores, formadores de opinião, lideres de pastorais é fundamental
na formação das crianças e jovens. Hoje na escola só deu Lepo Lepo. Eu disse:
Essa música não foi feita para ser cantada por crianças inteligentes! Ninguém
cantou mais. Podem me chamar de radical, mas interfiro mesmo!
necessário buscar apresentar alternativas. Para isso, ás vezes é necessário
recursos financeiros, além de muita criatividade. http://acaoculturalse.blogspot.com.br/…/se-ja-tem-112…
Thiago Paulino … caberia um bom debate
provocado pelo seu texto. É preciso desde já questionar os impactos da
indústria do entretenimento (impactos inclusive não apenas estéticos e
simbólicos, mas também econômicos que atrapalham a sustentabilidade de outros
artistas).
Acesse o canal do artista plástico Antonio Veronese no YouTube https://www.youtube.com/channel/UCbkr…
Página oficial do artista plástico
http://antonioveronese.over-blog.com/
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OUTRO BRASIL? SOMENTE COM PARTICIPAÇÃO E ARTE.
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Certa feita, conversando com um amigo educador/artista, que
reside na cidade de Olinda, em Pernambuco, sobre o modo de a esquerda
governar, ele externou para mim algumas preocupações referentes ao
modelo de gestão de muitas administrações progressistas que ele conheceu
e que se moldam facilmente à cultura política das oligarquias locais e
realizam, mesmo que de forma mais eficiente, uma gestão cuja prioridade
são apenas as grandes obras, os programas assistenciais e os shows com
grandes artistas ligados à cultura de massa, o que acaba lembrando uma
canção do Cazuza: “Um museu de grandes novidades” ou parafraseando Belchior: “Minha
dor é perceber que apesar de tudo que fizemos, ainda somos os mesmos,
“pensamos” e administramos a coisa pública como os velhos coronéis.”
E o meu amigo fez o questionamento porque, ocorrendo o término do
mandato (sem reeleição), uma outra administração ligada a partidos
conservadores, com inteligência e perspicácia pode fazer a mesma coisa:
realizar grandes obras, investir em programas sociais e prosseguir na
organização dos mega shows e, conseqüentemente, passar para a população
a idéia de que não haverá necessidade de se votar na esquerda
novamente.
Se na época não consegui imaginar isso como uma possibilidade real,
decorridos alguns anos dessa conversa, reconheço que essa opinião é
pertinente e esse texto foi escrito para ajudar na reflexão sobre o
assunto, na linha de que tudo que é sólido se desmancha no ar e de que o
que é novidade facilmente torna-se comum, e por isso todo indivíduo ou
organização que deseja ser sempre considerada e reconhecida deve
continuadamente buscar se aprimorar naquilo para que foi criada e
facilitar as coisas para que novas descobertas e novas invenções possam
ter lugar.
E isso só acontece num ambiente de autonomia e que favoreça
condições e oportunidades para a construção e reconstrução
subjetiva dos indivíduos .
Nesse sentido, considero duas questões primordiais. Em primeiro lugar,
atenção especial para a mudança de valores e práticas de relacionamento
político pautado nos antigos procedimentos da elite dominante, como o
clientelismo, o paternalismo, o autoritarismo etc…
Em segundo lugar, atenção especial àquilo que aponta para a criação de
sujeitos mais solidários, mais livres, mais ousados, àquilo que cria e
dá sentido à realização plena das pessoas (refiro- me aqui à produção
artístico/ cultural).
No primeiro caso se faz necessário (re)construir, fortalecer ou criar
estruturas formais e informais de participação “real” da população nas
decisões sobre os rumos do governo, como os conselhos, as conferências,
as câmaras setoriais, os fóruns e as redes, além do incentivo e apoio à
organização da sociedade civil através das ongs, e cooperativas.
Assim, se viabilizaria um ambiente favorável à gestação de novas
idéias e recursos para resolver ou atenuar velhos problemas, o que
também pode garantir a criação de um antídoto para evitar o retrocesso
de condução antidemocrática das decisões, a partir da eleição de
partidos ligados às velhas elites dirigentes, após suceder-se um
governo de esquerda.
No segundo caso, democratizar o acesso aos meios de produção artística e
dos meios de produção e difusão da informação, com orçamento decente e
gestores comprometidos, preparados e que saibam ouvir os
interessados no assunto, o que resultará em diretrizes e ações que
garantirão à maioria da população a possibilidade de se expressar de
maneira que não fiquem apenas se comportando como meros consumidores de
um bocado de lixo que é comercializado como produto cultural e cujos
conteúdos — carregados de intolerância (inclusive religiosa),
vulgarização do sexo, preconceitos vários, individualismo exacerbado,
banalização da violência, etc., — vão na direção contrária de tudo
aquilo que defendemos, formando o “caldo” da cultura que conduz ao
retorno e sustentação da nova/ velha direita.
E isso é tudo que muita gente que ousa lutar e acreditar em outro país
menos deseja, mas que será inevitável, caso opiniões como a nossa não
sejam levadas em consideração a tempo.
P.S.: Segundo o pensador italiano Norberto Bobbio a esquerda orienta-se
por um sentimento igualitário e a direita aceita a desigualdade como
natural. Embora no Brasil seja praticamente impossível perceber a
diferença através dos discursos e propaganda em época de campanha
eleitoral.
Quanto as questões que apresento no texto acima percebo que o modelo de
gestão do Ministério da Cultura aponta para o que escrevi acima. Apesar
da necessidade de aumento do orçamento e da capacitação técnica e
redução da burocracia para o acesso dos pequenos empreendedores
culturais do interior e das periferias aos editais. Em Recife, em
visitas a comunidades periféricas e em conversas com artistas e
arte-educadores populares e também com o Secretário de Cultura, João
Roberto Peixe, que nos concedeu audiência de quase duas horas no ano de
2004, pude perceber que muito daquilo que queremos/sonhamos já é
realidade. Na oportunidade, o secretário me entregou cópias do relatório
de gestão 2000/2004 e da I Conferência Municipal de Cultura do Recife,
da qual tive a honra de participar.
José de Oliveira Santos – “Zezito” Professor de história e ativista cultural

