Caravana Wipala em 2012

Saiba e sinta mais sobre a Caravana Arco Íris e sua missão mistica na
terra! nesse vídeo compartilhamos um pouquinho de nossa história e os
caminhos da Caravana Wipala em 2012 conectando corações, colorindo e
encantando as terras por onde passa! sejam bem vind@s a vivenciar a
ecoAldeia nomade que leva cultura, consciência ambiental e arte para
toda parte!!! 😉

conecte-se com a caravana pelo email:
caravanaarcoirisbrasil@gmail.com

http://caravanaarcoiris.org

 A Caravana Arcoiris Espalhando Alegria e Paz.  

Arquivo Caravana

Cerimônia Ecumênica de Tradição Indigena no dia 02 de Março

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE

24/3/2007
·
106 
A Caravana Arcoiris Por La Paz, formada
por 25 artistas e ativistas altermundistas de diversas nacionalidades,
tendo se originado no México no ano de 1996 e percorrido milhares de
quilômetros de nuestra América, busca através da arte, da
educação ambiental e da espitirualidade de tradição indígena, chamar a
atenção das pessoas para a necessidade de (re) construirmos o paraíso
que herdamos a partir da compreensão de que a vida é um todo indivisível
e que a fragmentação, o isolamento e a mercantilização são as fontes da
destruição e do sofrimento que nos impedem de viver e desfrutar a terra
como um jardim de mil delícias.

Depois de ter tido a felicidade de ler, em 2006, um dos cartazes da Caravana afixado na sede da Rede Sergipe de Cultura,
fui contagiado pela alegre expectativa de poder conhecer todo o grupo.
No cartaz, se resumiam os objetivos do projeto: Fortalecer redes, grupos
e movimentos biorregionais. Oferecer oficinas e cursos nas áreas, de
alimentação saudável, permacultura, ecovilas, eco-educação para crianças
e jovens, eco-feminismo, intercâmbio de conhecimentos das culturas
indígenas e suas cerimônias, saúde e terapias holísticas, teatro,
música, artes circenses, danças circulares, tomada de decisões por
consenso e resoluções de conflitos para grupos.

As atividades da Caravana foram iniciadas com uma reunião com
representantes de pontos de cultura e outras entidades e grupos
culturais que escolheram alguns temas prioritários para palestras,
vivências e oficinas.

O inicio dos trabalhos aconteceu com uma cerimônia ecumênica que
rememora alguns cantos e rituais de diversos povos nativos desde o
Canadá até a Patagônia, permeando, inclusive, a tradição dos nossos
pataxós do sul da Bahia, incorporando também cantos e danças dos
terreiros. Neste caso, a concha do Centro de Criatividade, lugar em que
estava sendo realizada a atividade, tem tudo a ver, porque é um local de
remanescentes de quilombos, alguns dos quais estiveram presentes
(integrantes da ong Criliber , e alguns moradores da comunidade) com canto, dança e percussão.

Essa forma de interagir com os conhecimentos da população local esteve
presente em todo o momento da realização das oficinas e vivências. No
caso das danças circulares, por exemplo, os focalizadores da Caravana, em muitos momentos, convidaram aqueles que conheciam os passos das danças e folguedos sergipanos para compartilhar conhecimentos.

Como na música de Milton Nascimento “O artista dever ir onde o povo está”
a Caravana foi ao encontro dos moradores do entorno do Centro de
Criatividade e apresentou uma sessão de vídeos sobre quilombos dentro da
comunidade da maloca e participou de alguns encontros com dirigentes
dos setores de cultura, comunicação e gênero do MST
para organizar algumas atividades em aliança e se integrar à Marcha do
Dia Mundial das Mulheres que o movimento liderou em Aracaju em conjunto
com outras organizações sociais.

Segundo Verônica “guacamaya”, articuladora/relações públicas da
Caravana, a marcha foi muito linda. E evidentemente como nos outros
anos, não poderia deixar de ser um protesto contra o modelo econômico
vigente que privilegia a especulação financeira em detrimento das
políticas sociais.
Foi também uma afirmação da necessidade de se buscar a igualdade de
direitos entre homens e mulheres, o que me fez lembrar um apelo que
publiquei no jornal Cinform, em setembro de 1999, cujo titulo era “Fome de Pão e Fome de Beleza”.

O texto propunha unir essas duas dimensões essenciais da vida humana – a
dimensão artistico/cultural, feminina, e a dimensão da luta social,
masculina – as quais dificilmente caminham juntas: “Motivos para
protestar não faltam: terra para plantar, emprego e salários decentes,
educação pública de qualidade, casa para quem precisa de moradia, melhor
atendimento a saúde etc… Ainda bem que nos restam alguns hectares de
florestas não destruídos, alguns rios não poluídos, alguns belos
espécimes da fauna e da flora (não sei até quando), algumas belas
expressões da cultura popular (…). Por isso, os ativistas sociais
precisam urgentemente re(conhecer), valorizar, promover, apoiar (…)
aquilo que nós produzimos de melhor em termos de expressões
artísticas/culturais, e defender o que ainda resta de nossa rica
biodiversidade. Foi isso que faltou para o Grito dos Excluídos
ser ainda melhor – um pouco da arte do circo, do teatro de rua, os
índios xocós e dança religiosa “toré”, os blocos afros, os atabaques, o
rap e a dança de rua, o repente e as músicas de Luís Gonzaga
(…)Concluindo, concordamos com o Fora FHC (principalmente por causa da
política econômica e por causa da falta de sensibilidade com o drama da
violência e da fome) e o Fora FMI (mentor da política econômica em
vigor), acrescento também: Fora a Mesmice, a Chatice e a Falta de
Criatividade. E como os estudantes franceses em maio de 1968: “A Imaginação no Poder”.

O final da programação oficial se deu no dia 10 de Março, com uma
mostra artística e festa multicultural com os artistas e educadores da
Caravana e com os de Sergipe. Estes, por sua vez, interagiram
participando de oficinas, vivências e palestras durante a semana em que a
Caravana se instalou no Centro de Criatividade.

Na semana em que a Caravana esteve entre nós, experimentamos a
felicidade do mundo que queremos para nós e para nossos descendentes. E
para a realização disso é preciso respeito e diálogo com as diferenças,
mas sem esquecer da necessidade da luta contra a desigualdade e contra
todo tipo de opressão.

Por ultimo, não poderia deixar de registrar o meu contentamento com a
participação de pessoas que convivem em mundos separados e distantes,
embora busquem a “felicidade geral da nação”, como os artistas,
ativistas dos movimentos sociais e Ongs e participantes de grupos
holísticos. Lembro-me da urgência do casamento do céu com a terra, do
sol com a lua. Ah! Como precisamos tanto integrar a arte, as lutas
sociais e as diversas formas de expressão da espiritualidade.

Enfim, vale deixar um agradecimento para o Ministro Gilberto Gil, que
tem a compreensão do que escrevi acima e por isso apóia o trabalho da
Caravana através do Programa Cultura Viva, para o diretor e colegas do
Centro de Criatividade, que fizeram o melhor para que aquela unidade da
Secretaria de Estado da Cultura pudesse cumprir o papel para a qual a
maioria dos sergipanos sinalizaram quando escolheram o nome de Marcelo
Déda para governador deste estado, e a colaboração voluntária de
Marcos, da Ong Ação Cultural, que ajudou a Caravana de diversas
formas.

E em especial, “Gracias a La Vida”
e a alguns companheiros (as) com os quais outrora compartilhei momentos
semelhantes aos que vivi nesses dias, como: Simão, Álvaro, Ivete,
Síria, Luiza de Marilac e Marcelo Veloso, do Centro Nordestino de Animação Popular do Recife; Garotos/Garotas e Educadores Sociais do Projeto Reculturarte, nos idos de 1989 a 1996 no Bairro América, em Aracaju; Kaká Werá,
educador, escritor e pajé, natural de São Paulo; Alcino Ferreira e o
chileno Clemente Lizana (in memoriam) da equipe Habeas Corpus do Recife;
Zé Vicente, artista, ecologista, mistico – gerado no ventre das comunidades eclesiais de base do Ceará; William Valle, mestre focalizador de danças circulares de Belo Horizonte; Irene, natural do Pará,
minha amada, cúmplice dos sonhos e projetos da construção de um novo
homem e de uma nova mulher – sementes para outro mundo, – e Marcelo Barros, monge beneditino e escritor do mosteiro da Anunciação do Senhor em Goiás,
que participa de cerimônias inter-religiosas como a realizada no
primeiro dia e em outros momentos da Caravana em Sergipe e que tem feito
um importante trabalho de critica aos fundamentalismos e fanatismo
religioso que tantas desgraças vêm causando à vida de milhões de
pessoas.

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