Em vídeo exclusivo, deputado ensina a comprar votos e difamar adversários

Proposta de Iniciativa Popular para Reforma do Sistema Político. AQUI

Edição do dia 21/07/2013

21/07/2013 20h48
– Atualizado em
21/07/2013 20h48 – Fonte- Portal G1

Aelton Freitas é deputado federal pelo PR de MG e
reuniu um grupo de políticos para dar ensinamentos sobre como uma fazer
campanha eleitoral.

 Assista o video e leia a matéria no local original. AQUI
Aelton Freitas é deputado federal pelo PR de Minas Gerais.
Em um vídeo exclusivo obtido pelo Fantástico, ele ensina como se
disputa uma eleição comprando votos e espalhando boatos sobre os
concorrentes.
“Eu tenho uma teoria que eu digo que problema de companheiro meu é
problema meu. Acho que política é isso”, diz em um trecho do vídeo.
Antes de ser eleito deputado, ele foi senador, no lugar de José Alencar, que deixou o Senado para assumir a vice-presidência da República, em 2003.
O vídeo obtido pelo Fantástico foi gravado em setembro de 2012, na
retal final das eleições para vereador e prefeito. O deputado está em um
restaurante em Capetinga, interior do estado.
Na mesa, estão o então prefeito da cidade, Carlos Roberto Custódio,
conhecido como Carlito, o candidato a prefeito, Donizete do Escritório, e
o candidato a vice, Adriano do Gás. Também estão na mesa as mulheres
deles e um assessor  do deputado.
“O verdadeiro líder, muitas vezes, é aquele que não faz questão de aparecer”, diz Aelton no vídeo.
O grupo está reunido para receber ensinamentos políticos de Aelton Freitas sobre como uma fazer campanha eleitoral.
Lição número 1: como comprar votos. A técnica do ‘cartãozinho’: “Nós
vamos fazer 200 cartõezinhos para prefeito. Não quer dizer nada, 200
cartõezinhos. E nós vamos pegar 20 amigos nossos confiáveis. Quem é da
confiança? Vinte. Então você vai ter dez, você vai ter dez, você vai ter
dez. Você vai buscar dez companheiros seus lá e que não estão votando
no Donizete”.
E quanto vale o voto de um eleitor? Segundo Aelton: “Esse cartãozinho
vale R$ 100. O cara não vai votar em você. Vai votar nos R$ 100 que o
cartãozinho que está no bolso dele vale. E outra: só vão pagar se tiver
sido eleito”.
Lição número 2: como espalhar boatos contra o adversário. É preciso
convocar o esquadrão da fofoca: “Vamos buscar três, quatro pessoas
dentro do nosso grupo que saiba incomodar o Daniel”, ensina no vídeo.
Daniel Bertholdi era um dos candidatos a prefeito de Capetinga, adversário de Donizete do Escritório.
“Três ou quatro pessoas que possam estar em boteco ou em ponta de rua
soltando boato e fofoca. Porque o Daniel tem que desmentir e perder
tempo naquilo. Não você. A cúpula da campanha, que está por cima, nem
conhece. Baixa o retrovisor e esquece que tem concorrente. Vocês estão
indo em uma viagem ao futuro de Capetinga, pronto”, diz.
Depois dessas lições, Aelton explica como retribui a votação recebida:
ele usa a verba das chamadas emendas parlamentares para favorecer os
municípios onde obteve mais votos: “Um parlamentar tem 12 milhões de
emenda por ano. Eu procuro distribuir essas emendas proporcionais aos
votos que eu tenho. Eu preciso de 100 mil votos e tenho 12 milhões, eu
divido 12 milhões por 100 mil votos. Significa dizer que, a cada mil
votos que eu tenho em uma cidade, aquela cidade tem 120 mil meu por ano.
Está certo?”.
Capetinga tem pouco mais de 7 mil habitantes e mais de 6.100 eleitores.
As eleições de 2012 tiveram quase 5 mil votos válidos. Lá, o eleitor se
queixa de abandono das autoridades. “Não tem transporte aqui, uma
pobreza lascada”, reclama o pedreiro Antönio Flavio Terra.
“Não tem médico, o posto ficou fechado 15 dias. O posto aqui não
funciona sábado e domingo”, conta a aposentada Regina Rodrigues da
Silva.
Um homem que trabalhou para o então candidato Donizete do Escritório,
apoiado pelo deputado federal, confirma que a campanha comprou votos,
sim. usando a técnica do cartãozinho.
Repórter: Você chegou a distribuir cartões?
Testemunha: Cheguei. Cheguei a distribuir.
Repórter: Quem te deu o cartão para distribuir?
Testemunha: O próprio Donizete.
No vídeo, o deputado federal afirma que o dinheiro só pode ser pago
depois da vitória do candidato. Mas uma eleitora afirma que Donizete,
que acabou perdendo a eleição, estava tão convencido da vitória que
pagou adiantado: “O candidato Donizete pensou que já tinha ganhado a
eleição. Aí ele resolveu pagar o pessoal uma semana antes porque ele
‘contou’ vitória”.
Ela diz também que recebeu R$ 100 a mais que o valor sugerido pelo deputado no vídeo. “Eu ganhei 200 reais no cartãozinho”.
Repórter: O voto era comprado de outras formas?
Testemunha: De várias formas. Uma conta de água paga, uma conta de luz
paga, um táxi, uma consulta com um médico, uma cesta básica.
Eleitores dizem que a compra de votos é comum na região. “Dá cesta
básica, dá material de construção, dá bujão de gás, dá o que pede”, diz
uma aposentada.
“Já aconteceu isso em várias eleições”, afirma um trabalhador.
“A única coisa que os candidato sabem fazer aqui é pagar bebida para
Deus e todo mundo. Paga à vontade. Menino, mulher, velho, velha, menina,
todo mundo”, garante a aposentada Regina.
O candidato a prefeito de Capetinga, Donizete do Escritório, nega
tudo:  “Nós não usamos isso aí. Estava confiante que ia ganhar, estava
bem na frente das cotações. Então não tinha nem motivo para isso”,
afirma.
O candidato a vice, Adriano do Gás, que também estava na reunião, alega
que a aula de falcatrua gravada em vídeo era sobre outras cidades:
“Teve caso de contar história, sim, em outros municípios, mas isso
totalmente rejeitado por nós porque é uma prática ilusória. Você está
comprando aquilo que você não sabe”, diz.
O Fantástico tentou falar com o então prefeito, Carlos Roberto
Custódio, o Carlito, que também estava na reunião. “Ele está viajando.
Nem telefone eles levaram”, respondeu uma mulher.
Uberaba é a principal base eleitoral do deputado Aelton de Freitas. O
Fantástico também foi até o local e mostrou o vídeo para ele.
“Em reuniões fechadas, quando a gente faz com um grupo de companheiros,
de repente a gente fala muita coisa que não deve, que não pode. O que
eu falei ali foi em uma reunião fechada, entre companheiros, que nem
gravando eu sabia que estava”, explicou.
O vídeo contradiz o deputado: por  duas vezes, Aelton Freitas se mostra
preocupado com a gravação. “Se a eleição estiver fácil, é uma coisa. Se
não estiver, são estratégias que nós temos. Você é bem companheiro?
Porque ele está gravando”, avisa em um trecho.
A segunda é logo na sequência da explicação da técnica do cartãozinho.
“Vai votar nos R$ 100 que o cartãozinho que está no bolso dele vale. E
outra: só vai pagar se tiver sido eleito. Por isso que eu perguntei se
está gravando, se é bem companheiro, porque é uma tacada”.
“Tinha uma pessoa com a câmera, outra com máquina fotográfica, outro
com celular. Falei: ‘aqui é tudo companheiro? Posso falar o que eu
penso?’ ‘Pode, não estão gravando’”, ele justifica.
O deputado nega que tenha ensinado a comprar votos na eleição municipal
de Capetinga e afirma que jamais comprou votos: “Eu nunca participei,
eu nunca comprei. Estou há 20 anos na política, nunca comprei”. 
Segundo ele, tudo não passou de brincadeira. “Fiz alguma brincadeira,
que eu sou muito de contar piada em reuniões, depois pedi desculpas no
final da reunião pelo que eu tinha falado e pelas brincadeiras de mau
gosto, me despedi e fui embora. Porque, quando é brincadeira, pode fazer
de mau gosto, igual quando você brinca, às vezes, com a raça, com a cor
de uma pessoa, você conta uma piada pesada, aquilo pode se tornar um
processo”.
No vídeo, o deputado também ensina como se deve atacar, com boatos e
fofocas, a reputação dos adversários. Primeiro, o deputado diz que isso é
normal.
Aelton: Isso é natural, é igual jogo. É um jogo, campanha é um jogo.
Repórter: Isso é natural na política?
Aelton: Na campanha.
Repórter: Difamar o adversário? É natural na campanha?
Aelton: Não, não é. Prefiro falar o que você quer ouvir: não é.
A pena pra quem compra votos pode chegar a quatro anos de prisão, mais
multa. Já os crimes de calúnia, difamação ou injúria podem dar de 3
meses a 2 anos de prisão e também multa.
Segundo Arnaldo Versiani, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, o
vídeo por si só não prova que qualquer crime tenha sido cometido.
“Isso a meu ver não está caracterizado. O que há, de certa maneira, é
uma incitação a práticas criminosas, como por exemplo, fazer com que
eventuais adversários passem a se preocupar com desmentir boatos e, com
isso, tentar conturbar o processo eleitoral”, explica o ex-ministro.
“Ele está induzindo os candidatos a vereador ou a prefeito a cometerem
uma ilegalidade. Então, na minha forma de ver, eu entendo que ele já se
enquadraria para ir para a Comissão de Ética da Câmara”, avalia Ricardo
Caldas, professor do Instituto de Ciência Política da UNB.
“Ele usa o critério de onde ele  tem votos e onde ele quer ter mais
votos. Quer dizer: o interesse público muitas vezes pode passar ao
largo”, diz  Gil Castelo Branco, secretário geral da ONG Contas Abertas.
A Câmara e o Senado estão em recesso. Uma cópia do vídeo foi entregue
anonimamente ao Ministério Público em Minas, que enviou o material para a
Procuradoria Geral da República.
“O eleitor está desiludido com político. A nossa moral está lá embaixo”, destaca Aelton em um trecho do vídeo.

 Via facebook, abaixo:

viram
o Fantástico? Um deputado federal que, em vídeo, ensina a comprar votos
(ele diz que era brincadeira) e recomenda a políticos que espalhem
boatos contra adversários. Bem, Aelton Freitas (PR-MG) é um deputado
ruralista. Cuja história está bastante relacionada à origem do livro
Partido da Terra.



Em 2006, o autor do livro, Alceu Castilho,
fazia uma reportagem sobre os bens dos deputados federais. Chamou-se
Câmara Bilionária. Foi publicada em jornais paulistas (e finalista do
Prêmio Esso em 2007). Ali se mostrava que Freitas declarou 100 mil
alqueires em Altamira (PA). Cem mil alqueires?



Não, esclareceu o
deputado. Seriam apenas 100 alqueires. Ele disse que errou na
declaração à Justiça Eleitoral. Engenheiro agrônomo, ele possui outras
fazendas em Minas Gerais. E cotas de uma empresa agropecuária.


Sua trajetória na política não tem nada muito marcante. É um personagem
do baixo clero. Esse período coincide com um amplo sucesso financeiro
na vida pessoal. Vejamos.

Em 1998, candidato à suplência do
Senado, Freitas declarou R$ 432 mil ao TSE. Em 2006, eleito deputado
federal, tinha R$ 1,4 milhão. Reeleito em 2010, seu patrimônio saltou
para R$ 5,5 milhões. (Quatro vezes mais que em 2006, 13 vezes mais que
em 1998.)

Não são boatos. São dados.

Foto: viram o Fantástico? Um deputado federal que, em vídeo, ensina a comprar votos (ele diz que era brincadeira) e recomenda a políticos que espalhem boatos contra adversários. Bem, Aelton Freitas (PR-MG) é um deputado ruralista. Cuja história está bastante relacionada à origem do livro Partido da Terra.

Em 2006, o autor do livro, Alceu Castilho, fazia uma reportagem sobre os bens dos deputados federais. Chamou-se Câmara Bilionária. Foi publicada em jornais paulistas (e finalista do Prêmio Esso em 2007). Ali se mostrava que Freitas declarou 100 mil alqueires em Altamira (PA). Cem mil alqueires?

Não, esclareceu o deputado. Seriam apenas 100 alqueires. Ele disse que errou na declaração à Justiça Eleitoral. Engenheiro agrônomo, ele possui outras fazendas em Minas Gerais. E cotas de uma empresa agropecuária.

Sua trajetória na política não tem nada muito marcante. É um personagem do baixo clero. Esse período coincide com um amplo sucesso financeiro na vida pessoal. Vejamos.

Em 1998, candidato à suplência do Senado, Freitas declarou R$ 432 mil ao TSE. Em 2006, eleito deputado federal, tinha R$ 1,4 milhão. Reeleito em 2010, seu patrimônio saltou para R$ 5,5 milhões. (Quatro vezes mais que em 2006, 13 vezes mais que em 1998.) 

Não são boatos. São dados.

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