Uma saborosa viagem pela vida e pelas crônicas de Rubem Braga

Literatura

Exposição no Museu a Língua Portuguesa é uma ode à riqueza das palavras

por Xandra Stefanel, especial para RBA


publicado
28/06/2013 09:57

Caue Diniz
Exposição Rubem Braga

Quando se leem as crônicas de Rubem Braga, tem-se a impressão de que
ele não tinha a pretensão de escrever. Ele é tão próximo do leitor, que
parece que seus textos são um diálogo à toa (e prazeroso) com um amigo
ou um vizinho. São cheios de sentimento, apesar de passar longe do
sentimentalismo. São histórias que não querem conquistar nem convencer
de nada. Leves como a vida sempre deveria ser.

Essa impressão (também) se pode ter ao visitar Rubem Braga O Fazendeiro do Ar,
no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Em cartaz desde a última
terça-feira (25), a mostra interativa celebra o centenário de um dos maiores cronistas que o país já teve e propõe uma imersão em sua vida e obra.

O curador Joaquim Ferreira dos Santos teve acesso integral aos
arquivos cedidos pela família do cronista e nos apresenta textos,
documentos, correspondências, fotografias, desenhos, pinturas,
publicações e vídeos com depoimentos de alguns dos amigos mais próximos
Rubem Braga, como Zuenir Ventura, Fernanda Montenegro, Ziraldo e Ana
Maria Machado.

Dividida em módulos temáticos – Retratos, Redação, Guerra,
Passarinho, Cobertura e Cachoeiro –, a exposição mostra desde a infância
do autor, em Cachoeiro do Itapemerim (ES), passando por sua vida nas
redações de jornais, como repórter político e correspondente de guerra,
sua conhecida paixão por pássaros e a cobertura de seu apartamento em
Ipanema, onde “recriou” seu mundo rural.

Ao abrir as caixas suspensas da área Capital Secreta do Mundo, o
espectador revira textos, fotos e documentos. Na sala Redação, páginas
de jornal cobrem as paredes e, nas mesas típicas das redações da época,
tablets acoplados às máquinas de escrever lembram folhas de papel. Ao
tirar do gancho um dos dez telefones antigos, o visitante escuta
músicas, jingles e notícias da Segunda Guerra Mundial, da qual Rubem
Braga foi correspondente.

Para os que conhecem a obra do “inventor da moderna crônica
brasileira”, como é conhecido, a exposição é uma revisita ao seu estilo
simples e envolvente de escrever. Aos que ainda não conhecem a beleza de
seus textos, a mostra é mais que um convite: é uma ode ao prazer de ler
algo que é universal porque toca a todos com igual singeleza, lirismo e
humor.

“Ele vai atravessar todas as gerações. Suas crônicas falam dos
detalhes, das cenas cotidianas, dos consensos da humanidade, e são
embrulhadas uma a uma com um texto que veste a roupa da língua comum”,
afirma o curador, que também é jornalista, escritor e cronista.

Serviço
O que: Exposição Rubem Braga – O Fazendeiro do Ar
Quando: de 25 de junho a 1º de setembro. Terças, das 10h às 22h; quarta a domingo, das 10h às 17h
Onde: Museu da Língua Portuguesa – Praça da Luz, s/n – São Paulo
Quanto: R$ 3 (meia-entrada) e R$ 6
Informações no site ou pelo tel. (11) 3322-0080

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