publicado inicialmente em: quarta-feira, 24 de agosto de 2011
para almoçar, jantar ou bebericar, permitem que um deles sempre pague a
conta ?
Certamente as preferências desse amigo terminam prevalecendo: o local,
dia e horário do encontro, escolha dos pratos, os tipos de bebida, os
temas das conversas, dentre outras.
Situação diferente ocorre quando todos pagam a conta. Neste caso, a
decisão das questões acima é tomada com base em outros elementos, a
exemplo da capacidade de argumentação, da confiança na experiência de
quem faz uma proposta, da empatia do membro do grupo com os demais,
dentre outros critérios.
Esse exemplo me veio à mente quando refletia sobre uma questão pouco
discutida nos meios de comunicação, inclusive na WEB. È um tema dos mais
urgentes e necessários e que, se não for enfrentado, pode nos levar à
situação que provocou as recentes manifestações de milhares de jovens
europeus.
Como deve ser do conhecimento de muitos brasileiros, considerável número
de jovens do velho continente, notadamente os espanhóis que formaram o
acampamento porta do sol, apontaram o fim do financiamento privado das
campanhas políticas como uma das questões fundamentais para o efetivo
controle democrático dos governos pela maioria que os elegeu.
pela iniciativa privada, a população é apenas um detalhe, lembrando o
velho bordão de um certo humorista brasileiro. Em outras palavras, a
população vota, mas quem realmente dá as cartas, após os eleitos
assumirem, são aqueles que financiaram suas campanhas políticas.
grandes partidos, tanto de esquerda quanto de direita, em torno de
alguns temas que passam a ser de interesse comum, algo impensável nos
primórdios da democracia moderna.
doutrinárias estão no famoso Consenso de Washington, gerando, entre
outras ações no plano político e econômico, uma excessiva
desregulamentação do sistema econômico, fonte de um sem número de
maracutaias e esquemas fraudulentos arquitetados por empresários e
financistas.
europeus e mesmo, com menor intensidade, o governo brasileiro, após a
crise de 2008 e 2009 ? Injetaram dinheiro público para cobrir os
prejuízos causados à economia por aqueles que sempre foram contra uma
maior utilização de recursos estatais no combate à fome e à miséria.
da magistral composição de Chico Buarque, o salvador da pátria para bancos e empresas, após assumir suas dividas, fica impossibilitado de investir nas áreas sociais por influência daqueles que utilizaram os cofres públicos para cobrir o rombo em suas contas privadas e, então, voltemos a jogar pedra na Geni-Estado, conforme os padrões ideológicos do consenso de Washington.
modelo de financiamento privado das campanhas políticas, que tende a
aumentar a abstenção eleitoral e a agravar a crise social, decorrentes
das restrições impostas cada vez mais ao investimento estatal em
políticas públicas.
modelo de financiamento privado afirmam que o financiamento público das
campanhas políticas diminuirá os recursos destinados aos orçamentos da
saúde, da educação, da segurança e de outros serviços prestados pelo
Estado.
entendimento para expressiva parcela da população que não dispõe de
acesso à informação qualificada, sugerimos aos que concordam com esse
ponto de vista, e que disponham de recursos adequados, que produzam
textos simples, cartilhas, vídeos, cartazes e outros meios de
informação, explicando como atuam os lobbies de financiamento de
campanha e de que maneira eles dificultam ou impedem a ampliação dos
investimentos públicos na área social, bem como a aprovação de leis de
proteção ou de ampliação de direitos.
financiamento privado das campanhas políticas e que a cadeia da
corrupção tem início no período eleitoral, quando o eleitor solicita uma
“ajudazinha” daquele cidadão que pretende se candidatar ou que já
investido em cargo público.
igreja, a concessão de emissores de rádios e televisão, o pagamento do
ônibus para o passeio da associação de moradores ou do grupo de jovens,
do fardamento novo para o time de futebol, dentre outras de maior ou
menor custo.
pretende se candidatar ou que já é detentor de mandato eletivo. O que
acontecerá com o preço da passagem e com a quantidade e qualidade da
frota em circulação após a vitória desses candidatos “generosos” ? Que
força o candidato eleito ou reeleito com o apoio das empresas de ônibus
terá para pleitear melhorias no sistema de transporte público?
cultura, porém não podemos desconsiderar determinadas questões politicas
que influenciam os assuntos de minha preferência.
Mesmo porque, quando utilizamos uma acepção mais ampla do termo cultura,
como construção de valores, comportamentos, saberes, símbolos e etc.., a
“Politica” é também uma construção cultural.
Por outro lado, os lobbies privados também atuam politicamente, não
apenas contra os interesses da maioria no campo da educação, saúde, meio
ambiente, relações de trabalho, entre outros; mas também atuam para
dificultar a democratização cultural. Será que o ativista ou militante
cultural tem dúvida sobre a razão da demora e da dificuldade para
avançarmos na legislação que tramita no congresso nacional e que tem
como objetivo avançar na construção de um marco legal de cultura mais
moderno e inclusivo ?
Zezito de Oliveira – Educador e Produtor Cultural
Excelente documentário do canal Arte de Junho de 2013 sobre os
beneficiários dos resgates bancários na Europa – não, não foram os
países nem sequer os cidadãos que com os seus impostos pagam estes
regates. Trata-se de um documentário extremamente sóbrio e objectivo.
Inclui entrevistas a vários ministros das finanças europeus, a
ex-administradores de bancos (os actuais não dão entrevistas), a
activistas, etc. Mostra quem realmente beneficiou dos resgates e mostra
também as profundas consequências destes resgates.
Nos quatro anos
pós-crise, 1,3 trilhão doado à oligarquia financeira. Recursos são vinte
vezes maiores que “ajuda” destinada a Portugal. No Esquerda.net
http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/europa-o-escandaloso-apoio-aos-bancos/
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Sistema Político, como forma de fomentar o debate sobre as mudanças
necessárias na política brasileira. Neste, o tema é financiamento
público de campanha.
Eleições e Corrupção – Como combater os ladrões de corações e mentes..
Liberato, Faustão, Sílvio Santos, Malhação, Super Pop, Pânico, Brig
Brother e etc?(1). A esse propósito, quando ouço algumas pessoas
defender o investimento em esporte e cultura como estratégia para
“afastar crianças e adolescentes das drogas”, penso com meus botões se
já não é hora de ampliarmos o conceito sobre “droga”. Ou temos alguma
dúvida sobre o efeito de anestesiamento, alienação, e dano ao
desenvolvimento mental, emocional ,ético e estético que uma série de
programas da televisão aberta causa àqueles que têm nestes veículos a
sua fonte mais importante de informação e de entretenimento?
tempo integral, criativa, com qualidade (incluindo salários de
“qualidade” para os trabalhadores da educação), mais Pontos de Cultura e
democratização do acesso ao rádio e a TV para organizações da sociedade
civil de caráter educativo e cultural. Se há espaço nesses veículos
para os partidos políticos, por que não haver também para outras formas
de organização da sociedade civil ?
Ou por que não liberar outras concessões para canais de rádios e de
televisão identificados com as causas dos direitos humanos, do
desenvolvimento sustentável, da diversidade cultural, da economia
solidária, da educação criativa, a exemplo do que foi feito com o TVT?
(1) A despeito do que falei sobre alguns programas de grande
audiência na televisão aberta, não trata-se de censura, antes também
assistia e gostava do Chacrinha e hoje em alguns momentos dou uma
zapeada e paro por alguns minutos principalmente em Pânico, Super Pop e
CQC. Como também afirmou o ministro Juca Ferreira em entrevista a Caros Amigos, edição 157, de abril de 2010.
“A humanidade tem vinculos com esse tipo de produção(referindo-se ao
programa brig brother) É um voyeurismo. A banalidade exerce um fascinio
enorme sobre as pessoas”; “Mas eu sou a favor da liberdade de escolha
por parte da população. Quem quiser ver Brig Brother que veja. (…) Ás
vezes eu assisto coisas absolutamente banais, mas assisto me distanciando como a maioria das pessoas faz.” (grifo nosso).
E como afirmei, para contribuir com esse distanciamento, escola
de tempo integral e criativa, acesso a criação e a diversidade
cultural e democratização da comunicação é uma combinação formidável.
E para relaxar….

do Setor Vocações e Ministérios/CNBB. Ex-Presidente do Inst. de Past.
Vocacional. É gestor e professor do Centro de Reflexão sobre Ética e
Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília

Sou um dos signatários da petição que circulou na
internet pedindo aos senadores que não elegessem Renan Calheiros como
presidente do Senado brasileiro. Apesar das mais de 250 mil assinaturas, a
maioria absoluta dos senadores fez vista grossa e não atendeu ao pedido de um
bom grupo de brasileiros honestos.
Mas quem tem boa memória não se surpreendeu. Afinal
de contas não é a primeira vez que isso acontece. É tradição do Senado
brasileiro, eleger gente suspeita para a sua presidência. Se alguém ainda tem
dúvida basta fazer uma pesquisa e verificar quem ocupou a cadeira de presidente
daquela casa, começando pelo antecessor de Calheiros. E se isso acontece é
porque a maioria absoluta dos senadores faz parte da mesma trupe e não tem
interesse de eleger para cargo tão importante pessoas que se pautariam pela
ética e pela transparência. A maioria é, no dizer do adágio popular, “farinha
do mesmo saco”.
Porém, nesta hora, ao invés de ficarmos revoltados
ou desperdiçando palavras inúteis, fazendo discursos demagógicos, precisamos
fazer um sério exame de consciência.
Certa vez li um texto do Dalai Lama no qual ele dizia que os grandes males da
humanidade existem porque falamos demais e refletimos muito pouco. Ele chegava
a afirmar que em situações como essas é preciso silenciar para percebermos a nossa responsabilidade e, a partir
disso, começarmos a agir de maneira diferente.
Quem é Calheiros?
O retrato fiel da maioria absoluta dos eleitores
brasileiros. Afinal de contas os que o elegeram não chegaram ao Senado através
de um golpe ou por eleição indireta. Não estamos mais na época dos “senadores
biônicos”. Foram eleitos por milhões de brasileiros. Logo, por dedução lógica,
foram eleitos por brasileiros e por brasileiras que, pelo voto direto, os
levaram ao Senado. E, também por dedução lógica, precisamos ter a sinceridade e
a humildade de reconhecer que ainda votamos de forma irresponsável, sem fazer
um discernimento sério e criterioso. Votamos porque o sujeito fala bem. Votamos
porque o cara tem dinheiro. Votamos porque ele é “bonitão” e ela é “lindona”.
Mas votamos também porque ele é o candidato daquele político mais próximo de nós,
que um dia nos fez um favor: pagou uma cachaça, financiou uma dentadura ou uma
receita de remédio.
Portanto, nada de lamentos e de atitudes bobas de
escândalo. Nós, brasileiros e nós brasileiras, de um modo geral, ainda somos
corruptos. Ainda temos a mentalidade do “jeitinho”. Aquele jeitinho que começa
“furando a fila” dos que aguardam o ônibus, ou a abertura do banco, e vai se
propagando até a venda do próprio voto. Dias atrás eu estava com minha esposa
na fila de um restaurante. Aguardávamos a abertura do mesmo para o almoço. Ao
se abrirem as portas do restaurante quase fomos atropelados, pois aqueles que
estavam atrás se precipitaram sobre nós para almoçarem por primeiro. E é bom
lembrar que não era um restaurante popular e que não havia nenhum risco da
comida se acabar. Gestos antiéticos como estes são muito comuns no nosso dia a
dia. Toda vez que podemos enganamos e nos desviamos da boa conduta, sempre com
a intenção de levar vantagem em tudo.
Somos um povo de memória curta, um povo que se
deixa levar facilmente pela propaganda, pela mentira e pela conversa fiada dos
farsantes. Em 1989 Collor de Mello, apoiado pela grande mídia, especialmente
pela Rede Globo, foi eleito com a falsa imagem de “caçador de Marajás”. Na
ocasião a maioria dos brasileiros recusou-se a ver quem ele era e por quem era
apoiado. O resultado desastroso nunca foi esquecido por quem tem boa memória,
especialmente pelos que faliram e sofreram danos horríveis a partir do confisco
do nosso dinheiro, por ele realizado no dia seguinte após a posse presidencial.
Confisco esse tão rentável que permitiu que a sua ex-ministra da Fazenda se
mudasse na época para os Estados Unidos, onde vive confortavelmente até hoje.
No momento a cena se repete. Brasileiros continuam
se empolgando e deixando-se enganar. Não aprendemos a lição. No segundo
semestre do ano passado muita gente ficou entusiasmada com a condenação dos
protagonistas do “mensalão” do PT, por parte da Justiça brasileira. Não foram
capazes de perceber que se trata de um ato politiqueiro, com a finalidade
explícita de desviar a atenção do povo brasileiro dos verdadeiros bandidos. E
para comprovar isso bastaria dar uma olhada nos outros julgamentos da Justiça
ou, melhor ainda, nos processos que se arrastam há anos. Bastaria conhecer os crimes
nunca julgados e nunca punidos. Seria interessante nos perguntarmos por que o
Procurador Geral da República não fez nada até agora para denunciar a famosa
“privataria tucana”, cujos documentos são públicos e notórios e envolve
criminosamente políticos brasileiros numa operação de desvio de quantias
vultosas dos cofres públicos brasileiros. Bastaria lembrar o mensalão do PSDB e
os escravocratas fazendeiros assassinos de Unaí (MG), bem pertinho de Brasília,
mandantes do assassinato dos fiscais do Ministério do Trabalho, até hoje
impunes. E poderíamos aqui multiplicar os exemplos.
Não estou aqui defendendo o PT e nem afirmando que
não houve mensalão, embora pairem dúvidas sérias sobre o assunto. O que estou
afirmando é que existem sérias evidências – pelo menos para as pessoas
inteligentes – de que este julgamento é politiqueiro e parcial. Os políticos do
PT não estariam sendo usados como bodes expiatórios, com a finalidade explícita
de nos desviar de crimes muito mais sérios? Por que mensalões cometidos antes
por outros políticos e partidos, com os quais o PT aprendeu a lição, permanecem
impunes até hoje? A Justiça deve explicação à população brasileira, se não
quiser continuar com a sua imagem arranhada. Ela deve saber que uma boa parte
dos brasileiros já não engole mais a propaganda da grande mídia. Como acreditar
numa Justiça, exaltada no momento do julgamento do mensalão do PT, se esta
exaltação vem de uma mídia que sempre esteve do lado da elite e da oligarquia
brasileiras, únicas responsáveis pela miséria do povo e pela corrupção em nosso
país?
É hora, pois, de acordar e de cada um de nós
assumir sua parte de responsabilidade nesta história. É hora de, com muita
coragem e determinação, reconhecer aquela tendência à corrupção e à
desonestidade que se aninha dentro de cada um e de cada uma de nós. É hora de
conversão, de reviravolta, de “mudança de hábitos”. É hora de parar de reclamar
e de agir com mais transparência, mais seriedade e mais ética.
Por fim, cabe lembrar, não para nos desculpar, que
este não é um problema só nosso e nem
só de hoje. Há exatos 80 anos Hitler, um dos maiores facínoras da humanidade,
chegou ao poder pelo voto direto. Na Itália, Berlusconi, talvez o maior
político corrupto daquele país em todos os tempos, chegou ao poder pelo voto
popular. E o que pensar de Putin na Rússia e de tantos outros políticos em
tantos outros países? Isso só vem confirmar a urgência de uma ética mundial, como incansavelmente vem
defendendo Hans Küng e outros cientistas e estudiosos.
Leia também:
OUTRO BRASIL? SOMENTE COM PARTICIPAÇÃO E ARTE.
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Certa feita, conversando com um amigo educador/artista, que
reside na cidade de Olinda, em Pernambuco, sobre o modo de a esquerda
governar, ele externou para mim algumas preocupações referentes ao
modelo de gestão de muitas administrações progressistas que ele conheceu
e que se moldam facilmente à cultura política das oligarquias locais e
realizam, mesmo que de forma mais eficiente, uma gestão cuja prioridade
são apenas as grandes obras, os programas assistenciais e os shows com
grandes artistas ligados à cultura de massa, o que acaba lembrando uma
canção do Cazuza: “Um museu de grandes novidades” ou parafraseando Belchior: “Minha
dor é perceber que apesar de tudo que fizemos, ainda somos os mesmos,
“pensamos” e administramos a coisa pública como os velhos coronéis.”
E o meu amigo fez o questionamento porque, ocorrendo o término do
mandato (sem reeleição), uma outra administração ligada a partidos
conservadores, com inteligência e perspicácia pode fazer a mesma coisa:
realizar grandes obras, investir em programas sociais e prosseguir na
organização dos mega shows e, conseqüentemente, passar para a população
a idéia de que não haverá necessidade de se votar na esquerda
novamente.
Se na época não consegui imaginar isso como uma possibilidade real,
decorridos alguns anos dessa conversa, reconheço que essa opinião é
pertinente e esse texto foi escrito para ajudar na reflexão sobre o
assunto, na linha de que tudo que é sólido se desmancha no ar e de que o
que é novidade facilmente torna-se comum, e por isso todo indivíduo ou
organização que deseja ser sempre considerada e reconhecida deve
continuadamente buscar se aprimorar naquilo para que foi criada e
facilitar as coisas para que novas descobertas e novas invenções possam
ter lugar.
E isso só acontece num ambiente de autonomia e que favoreça
condições e oportunidades para a construção e reconstrução
subjetiva dos indivíduos .
Nesse sentido, considero duas questões primordiais. Em primeiro lugar,
atenção especial para a mudança de valores e práticas de relacionamento
político pautado nos antigos procedimentos da elite dominante, como o
clientelismo, o paternalismo, o autoritarismo etc…
Em segundo lugar, atenção especial àquilo que aponta para a criação de
sujeitos mais solidários, mais livres, mais ousados, àquilo que cria e
dá sentido à realização plena das pessoas (refiro- me aqui à produção
artístico/ cultural).
No primeiro caso se faz necessário (re)construir, fortalecer ou criar
estruturas formais e informais de participação “real” da população nas
decisões sobre os rumos do governo, como os conselhos, as conferências,
as câmaras setoriais, os fóruns e as redes, além do incentivo e apoio à
organização da sociedade civil através das ongs, e cooperativas.
Assim, se viabilizaria um ambiente favorável à gestação de novas
idéias e recursos para resolver ou atenuar velhos problemas, o que
também pode garantir a criação de um antídoto para evitar o retrocesso
de condução antidemocrática das decisões, a partir da eleição de
partidos ligados às velhas elites dirigentes, após suceder-se um
governo de esquerda.
No segundo caso, democratizar o acesso aos meios de produção artística e
dos meios de produção e difusão da informação, com orçamento decente e
gestores comprometidos, preparados e que saibam ouvir os
interessados no assunto, o que resultará em diretrizes e ações que
garantirão à maioria da população a possibilidade de se expressar de
maneira que não fiquem apenas se comportando como meros consumidores de
um bocado de lixo que é comercializado como produto cultural e cujos
conteúdos — carregados de intolerância (inclusive religiosa),
vulgarização do sexo, preconceitos vários, individualismo exacerbado,
banalização da violência, etc., — vão na direção contrária de tudo
aquilo que defendemos, formando o “caldo” da cultura que conduz ao
retorno e sustentação da nova/ velha direita.
E isso é tudo que muita gente que ousa lutar e acreditar em outro país
menos deseja, mas que será inevitável, caso opiniões como a nossa não
sejam levadas em consideração a tempo.
P.S.: Segundo o pensador italiano Norberto Bobbio a esquerda orienta-se
por um sentimento igualitário e a direita aceita a desigualdade como
natural. Embora no Brasil seja praticamente impossível perceber a
diferença através dos discursos e propaganda em época de campanha
eleitoral.
Quanto as questões que apresento no texto acima percebo que o modelo de
gestão do Ministério da Cultura aponta para o que escrevi acima. Apesar
da necessidade de aumento do orçamento e da capacitação técnica e
redução da burocracia para o acesso dos pequenos empreendedores
culturais do interior e das periferias aos editais. Em Recife, em
visitas a comunidades periféricas e em conversas com artistas e
arte-educadores populares e também com o Secretário de Cultura, João
Roberto Peixe, que nos concedeu audiência de quase duas horas no ano de
2004, pude perceber que muito daquilo que queremos/sonhamos já é
realidade. Na oportunidade, o secretário me entregou cópias do relatório
de gestão 2000/2004 e da I Conferência Municipal de Cultura do Recife,
da qual tive a honra de participar.
José de Oliveira Santos – “Zezito” Professor de história e ativista cultural
Outro Brasil é possivel. Outro olhar é necessário.

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O ditado popular diz que o que os olhos não vêem o coração
não sente, embora no mundo real seja diferente, pois quem é negro,
mora na periferia,
com pouca estudo ou que estuda em escola pública, que ganha salário
mínimo ou que está desempregado o que vê? Falta de respeito pelos
direitos humanos mais elementares, o principal deles o direito a vida,
quase sempre negado através da sujeira, buracos, ônibus velhos e
atrasados, assaltos, mortes, escolas tristes, falta de praças e de outros espaços para a prática da cultura, do esporte e do lazer, desemprego etc…
E o sentimento dominante é de impotência, de acomodação, de passividade, não adianta fazer nada, é muito difícil mudar, a única solução e entregar tudo na mão de Deus e esperar a solução que virá do alto E assim as pessoas vão vivendo e de tão comum os olhos e ouvidos já se acostumaram.
E para fugir da realidade ou para fazer com que as pessoas vejam,
mas não enxerguem, há gente de todo tipo. Desde os vendedores de
milagres até os traficantes, passando pela maioria dos donos das
associações de moradores, das quadrilhas juninas, dos times de futebol,
dos bares e muitos, mas muitos cabos eleitorais empregados nas escolas
e postos de saúde. Todos eles agindo com a cobertura de uma fabrica de
idiotas, a televisão, que como diz o grupo musical Titãs “ Está sempre deixando as pessoas muito burras, burras demais”.
Mas há pessoas que escapam, há aqueles que querem ver com os olhos do coração, aqueles que querem ver o essencial que na opinião do pequeno príncipe é invisível aos olhos do rosto , há aqueles que começam a querer ver com os olhos e os ouvidos do espirito o qual segundo Jesus Cristo muda a forma de ver, de ouvir e as atitudes. “Quem tiver olhos para ver, veja”. “Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça”.
São nessas pessoas que querem ver e ouvir com o coração, com o espirito,
que reside a esperança de um mundo melhor. E estas pessoas estão
presentes nos milhares de iniciativas socioculturais espalhados pelo
Brasil afora. Estas ações desenvolvidos na sua maioria por ONGs, Movimentos Sociais e setores conscientes das religiões,
buscam um olhar que valorize o que se é, mas que procure ir sempre
além. Um ouvido que descubra outros sons e outros tons, que não somente
o superficial, o efêmero que se ouve em quase todas as rádios. Um olhar
critico que considere que assim como a dança, o teatro e a música são
criações humanas, a miséria, o desrespeito aos direitos do cidadão, a
falta de dignidade também são ,e, portanto podem ser transformados,
porque quem transforma o corpo em instrumento para transmissão de
beleza e alegria pode também transmitir mensagens de socorro e de
solidariedade e intervir nos acontecimentos políticos como bons
artistas que aprenderam a lutar pela justiça, para alcançar a paz.
Conta Eduardo Galeano, no Livro dos Abraços que um garoto chamada Diego
não conhecia o mar, seu pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que
descobrisse o mar. Viajaram para o sul: Ele, o mar, estava do outro lado
das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia,
depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi
tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de
beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando,
pediu ao pai. – Me ajuda a olhar!
É isto que me estimula a participar de iniciativas que buscam
descortinar através das infinitas possibilidades de beleza e
criatividade que a arte oferece um mundo de justiça e felicidade.
Penso que seja um bom papel que a arte pode desempenhar em um pais que
consegue, sabe Deus como, conviver lado a lado com tanta beleza e com
tanta feiura. Ajudar a olhar o que das tradições que herdamos merece
ser preservado, o que deve ser jogado fora. Ajudar a olhar o que
alimenta as nossas esperanças e os nossos sonhos, e o que nos faz deixar
de acreditar e de lutar por eles. Ajudar a olhar o que nos torna
diferentes e originais, ao contrário daquilo que nos confunde e que
nos deixa bastante parecidos com os demais.
Publicado no Jornal da Cidade em 19 de maio de 2004 com o titulo “Outro mundo é possivel, outro olhar é necessário.”
e no Webjornal Balaio de Noticias
P.S.: No periodo de 23 a 25 de Novembro estaremos participando do 3º Fórum Popular de Cultura esperando que este e outros eventos possam
contribuir para diminuir o isolamento e a falta de reflexão que
enfraquece o potencial transformador das milhares de experiências que
envolvem crianças, adolescentes e jovens e algumas centenas de adultos
que não deixaram de acreditar que vale a pena continuar fazendo arte e
educação popular para virar esse mundo em “Festa, Trabalho e Pão” como disse um dia, o poeta José Carlos Capinam.














