Marco Feliciano e os amigos poderosos do pastor Marcos Pereira

Crime

Polícia Civil afirma que
deputado do PSC passou a segunda-feira reunido com o líder evangélico
preso por estupro no Rio. Lista de amizades inclui ainda Anthony
Garotinho, Alvaro Dias, Marlene Mattos e o ex-pagodeiro Waguinho

Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro
Fonte: Veja AQUI
Pastor Marcos Pereira com uniforme da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap)
Pastor Marcos Pereira com uniforme da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) – Divulgação
A lista de amigos influentes do pastor Marcos Pereira, preso por
estupro na noite de terça-feira, é extensa e vai bem além dos templos da
Baixada Fluminense. Desde a última quinta-feira, quando foram expedidos
os mandados de prisão pela Justiça do Rio, policiais da Delegacia
Especial de Combate às Drogas (DCOD) monitoraram os passos do pastor. De
acordo com o delegado Márcio Mendonça, ao longo de toda a última
segunda-feira Marcos Pereira ficou dentro de um templo em São João de
Meriti na companhia de outro pastor ilustre: o deputado Marco Feliciano
(PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e alçado à
fama tanto por suas declarações como pelas reações destemperadas que as
frases causaram.



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Assista: Publicado em 27/04/2012

Este vídeo contém uma entrevista concedida pelo Líder AfroReggae,
JOSÉ
PEREIRA DE OLIVEIRA JÚNIOR, mais conhecido por JOSÉ JÚNIOR, concedida a
um Programa de Entrevistas de nível nacional, no dia 04/04/2012, no
qual o Líder do Movimento AfroReggae ratifica as graves denúncias feitas
contra o Pastor Evangélico MARCOS PEREIRA DA SILVA, da ASSEMBLEIA DE
DEUS DOS ÚLTIMOS DIAS. Dentre as acusações feitas está, inclusive, a de
ameaça de morte que sofreu. AQUI

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Na noite em que foi preso, Pereira imediatamente telefonou para amigos
influentes – entre eles alguns deputados da bancada do Rio. Chamou
também fiéis da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (ADUD), para
protestar contra sua prisão. Pelo menos um deputado atendeu prontamente
ao chamado: o deputado Geraldo Pudim, do PR fluminense, aliado e braço
direito do deputado e ex-governador Anthony Garotinho, foi à delegacia
ainda de madrugada.
A influência de Pereira sobre traficantes e o domínio que exerce em
áreas controladas pelo tráfico na Baixada Fluminense sempre intrigaram
quem acompanha de perto os dois assuntos – política e criminalidade.
Nunca havia se provado, no entanto, que ele tenha ido além do papel de
líder religioso. Em março do ano passado, no entanto, VEJA tornou
públicas as acusações formais contra ele, em uma remportagem que detalha
inquéritos por estupro e a relação próxima com traficantes. Há mais de
um ano, portanto, quem se aproxima de Pereira tem noção exata das
acusações que pesam contra ele.
Um vídeo publicado no Youtube mostra Marco Feliciano, em 19 de
fevereiro deste ano, fazendo uma defesa de Marcos Pereira na tribuna da
Câmara dos Deputados. Para Feliciano, Pereira e Silas Malafaia sofrem
perseguição de órgãos da imprensa. Em outro vídeo, Feliciano é
ovacionado em uma pregação para fiéis da Assembleia de Deus dos Últimos
Dias, corrente comandada por Marcos Pereira. Feliciano relata, em um dos
vídeos, ter ficado impressionado com o poder de Pereira de salvar
jovens do tráfico e das cracolândias. Ele relata ter estado com o pastor
no carnaval, em uma fazenda onde estavam reunidos 500 jovens.
A diferença entre os dois personagens defendidos por Feliciano é
bastante clara: um enfrenta reações por suas opiniões, e, como o próprio
presidente da Comissão de Direitos Humanos, torna-se alvo sempre que –
usando sua liberdade de expressão – manifesta-se contra o casamento gay e
outros temas. Já Pereira entrou na mira da polícia por algo que nada
tem a ver com liberdade ou religião: é acusado de crimes gravíssimos,
como abuso sexual – que motivou a prisão – e homicídio, ainda em
investigação.
Os pedidos de prisão preventiva foram expedidos este mês em função de
dois depoimentos prestados por vítimas em abril, o que embasou a
necessidade de manter o acusado em detenção.
LEIA TAMBÉM:
Como mostrou VEJA em março do ano passado, a lista de amigos ilustres
inclui o também pastor e ex-pagodeiro Waguinho, o senador Alvaro Dias
(PSDB-PR) e a produtora de TV Marlene Mattos. Para os políticos, Marcos
Pereira foi até agora um amigo e tanto, por sua influência na Baixada
Fluminense e seu poder de penetração em áreas carentes – e perigosas,
pela presença de traficantes. Desde a revelação das acusações de
estupro, não são aceitáveis, portanto, justificativas na linha do “eu
não sabia” para quem vinha tentando faturar politicamente com a amizade.
Marcos Pereira aproximou-se do ex-governador e deputado Anthony
Garotinho (PR) quando, em 2004, intermediou as negociações que
encerraram uma rebelião de detentos no estado do Rio. Garotinho era, à
época, secretário de Segurança da governadora Rosinha Garotinho, sua
mulher. Começou, naquele episódio, a imagem de homem capaz de domar
criminosos fortemente armados e com poder de interlocução nos presídios.
Pastores – Entre líderes das igrejas evangélicas, a
prisão de Pereira foi recebida com cautela. “Tem que esperar a Justiça.
Toda pessoa é inocente até que se prove o contrário”, afirmou o deputado
Marco Feliciano (PSC-SP), pastor e presidente da Igreja Assembleia de
Deus Catedral do Avivamento, que se disse “chocado e muito triste” com a
notícia. Em fevereiro passado, Feliciano rasgou-se em elogios ao amigo
pastor na tribuna da Câmara, onde é presidente da Comissão de Direitos
Humanos. Na ocasião, disse que Pereira é “um homem reconhecido da nação”
e “uma pessoa de bem”.



Já Silas Malafaia é menos condescendente com o homem que ajudou a
“converter”. “Se for verdade, vou lamentar profundamente, mas ele terá
de pagar, como qualquer pessoa que comete um ato monstruoso desse.”
Presidente da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ele conta que
ouviu de Pereira que foi graças a uma pregação sua, há cerca de 15
anos, que o pastor decidiu “entregar sua vida” a Cristo. Depois, não
tiveram mais muito contato. Malafaia sabe e elogia os projetos de
Pereira com presos e drogados, mas ressalta que isso não alivia as
acusações que recaem sobre ele. “Nada justifica”, enfatiza.


Os crimes de estupro que chocaram o Brasil

1 de 5


Maníaco do Parque

Francisco de Assis Pereira, conhecido como o Maníaco do Parque, matou
sete mulheres por estrangulamento depois de estuprá-las, em 1998, em São
Paulo. Em nove meses cometendo crimes, o Maníaco do Parque se
transformou no serial killer de maior fama do Brasil. Muitas vezes ele
usou como chamariz a proposta de fotografar ensaios de mulheres para
levá-las à mata do Parque do Estado de São Paulo. Quando conseguia,
espancava e estuprava a vítima e, em seguida, estrangulava até a morte.
Após um interrogatório de três dias, o Maníaco do Parque confessou ter
matado dez mulheres.

Agora que a lista de crimes vem à tona, a Polícia Civil do Rio
questiona até a postura de neutralidade vendida pelo pastor. Para o
delegado Márcio Mendonça, da Delegacia Especial de Combate às Drogas
(DCOD), Pereira nada mais faz do que encenar negociações. Na verdade,
afirmou ele, ao site de VEJA, há por trás disso um envolvimento com
traficantes com suspeita de ocultação de armas em templos e episódios de
violência: ele é suspeito também de ter ordenado ataques do tráfico em
2006 no Rio, na época em que duas dezenas de pessoas morreram e a cidade
ficou de joelhos diante do poder dos criminosos.
Pereira é investigado por um homicídio: o da jovem Adelaide Nogueira
dos Santos, morta em 29 de dezembro de 2006. Um dos condenados em
primeira instância pela morte da jovem é Geferson Rodrigues dos Santos,
sobrinho de Pereira.

 Dep. Chico Alencar

O
deputado Marco Feliciano, pela sua condição pública, que tanto preza,
tem que explicar em plenário suas relações com o pastor Marcos Pereira,
preso sob acusação de 20 estupros de fiéis, lavagem de dinheiro,
associação para o tráfico e encomenda de assassinatos. Em fevereiro
deste ano, Feliciano, já presidindo a CDH, subiu à tribuna para defender
Pereira, “homem de família, que só ajuda a sociedade” – com quem
esteve neste último domingo, inclusive. Feliciano, vá lá, tem o
benefício da dúvida: generoso e ingênuo, nunca acreditou nessas
acusações, que vêm de longa data… Qualquer um, na função que ocupa, já
teria se manifestado. Pq. a demora e o silêncio?

O que se esconde atrás do caso Marco Feliciano da Comissão de Direitos Humanos

Fonte: Blog do Leonardo Boff AQUI

09/05/2013



Magali
do Nascimento Cunha é jornalista, doutora em Ciências da Comunicação,
professora da Universidade Metodista de São Paulo e autora do livro A
Explosão Gospel. Um Olhar das Ciências Humanas sobre o cenário
evangélico contemporâneo (Ed. Mauad) publicou um estudo esclarecedor sob
o titulo “O Caso Marco Feliciano:um paradigma na relação
mídia-religião-políitca”. Ela desvenda, numa análise minuciosa, o jogo
político que se esconde atrás da discussão da permanência ou não do
Pastor Marco Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos da Câmara
Federal. Este texto ajudará a muitos a entender as causas ocultas da
resistência dele e os objetivos políticos presumivelmente almejados pela
bancada evangélica na Câmar dos Deputados. O texto pode ser encontrado
em : midiareligiaopolitica.blogspot.com.br   Lboff



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Nestes meses de março e abril de 2013 temos lido, ouvido e assistido a
um episódio sem precedentes no Congresso Nacional, que coloca em
evidência a relação religião-política-mídia. Em 5 de março foi anunciada
pelo Partido Socialista Cristão (PSC), a indicação do membro de sua
bancada o pastor evangélico deputado federal Marco Feliciano (SP) como
presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal (CDH).
Foram imediatas as reações de grupos pela causa dos Direitos Humanos ao
nome de Marco Feliciano, com a alegação de que o deputado era conhecido
em espaços midiáticos por declarações discriminatórias em relação a
pessoas negras e a homossexuais. O PSC se defendeu dizendo que seguiu um
protocolo que lhe deu o direito de indicar a presidência dessa
comissão, um processo que estava dentro dos trâmites da democracia tal
como estabelecida no Parlamento brasileiro. Isto, certamente, é fonte de
reflexões, em especial quanto ao porquê da defesa dos Direitos Humanos
ser colocada pelos grandes partidos como “moeda de troca barata”, como
bem expôs Renato Janine Ribeiro em artigo publicado no Observatório da
Imprensa (n. 740, 2/4/2013). Soma-se a isto o fato de o deputado
indicado e o seu partido não apresentarem qualquer histórico de
envolvimento com a causa dos Direitos Humanos que os qualificassem para o
posto.
O que tem chamado a atenção neste caso, e que é objeto desta
reflexão, é a “bola de neve” que ele provocou a partir das reações ao
nome do deputado, formada por protestos públicos da parte de diversos
segmentos da sociedade civil, mais a criação de uma frente parlamentar
de oposição à eleição de Feliciano, e pelo estabelecimento de uma guerra
religiosa entre evangélicos e ativistas do movimento de lésbicas, gays,
bissexuais e transgêneros (LGBT), e entre evangélicos e não-cristãos. E
esta bola de neve é produto de fatores que se apresentam para além da
CDH, e a expõem como um elemento a mais no complexo quadro da relação
entre religião e sociedade no Brasil. Pensemos um pouco sobre estes
fatores; vamos elencar quatro. 

1. A reconfiguração do lugar dos evangélicos na política 
Desde o Congresso Constituinte de 1986 e a formação da primeira
Bancada Evangélica e seus desdobramentos, a máxima “crente não se mete
em política” construída com base na separação igreja-mundo foi
sepultada. A máxima passou a ser “irmão vota em irmão”. 

Depois de altos e baixos em termos numéricos, decorrentes de casos de
corrupção e fisiologismo, a bancada evangélica se consolidou como força
no Congresso Nacional, o que resultou na criação da Frente Parlamentar
Evangélica (FPE) em 2004, ampliada nas eleições de 2010 para 73
congressistas, de 17 igrejas diferentes, 13 delas pentecostais. Os
parlamentares evangélicos não são identificados como conservadores, do
ponto de vista sociopolítico e econômico, como o é a Maioria Moral nos
Estados Unidos, por exemplo. Seus projetos raramente interferem na ordem
social e se revertem em “praças da Bíblia”, criação de feriados para
concorrer com os católicos, benefícios para templos. Basta conferir o
perfil dos partidos aos quais a maioria dos políticos evangélicos está
afiliada e os recorrentes casos de fisiologismo. 

Mais recentemente é o forte tradicionalismo moral que tem marcado a
atuação da FPE, que trouxe para si o mandato da defesa da família e da
moral cristã contra a plataforma dos movimentos feministas e de
homossexuais, valendo-se de alianças até mesmo com parlamentares
católicos tradicionalistas, diálogo impensável no campo eclesiástico. 

Os números do Censo 2010 são fonte para a demanda de legitimidade
social entre os evangélicos, e certamente de conquista de mais espaço de
influência. Estudos mostram que desde 2002, período da legislatura em
que a FPE foi criada, a cada eleição, o número de evangélicos no
Parlamento (Câmara e Senado) aumenta em torno de 30% do total anterior. A
estimativa, mantido este índice, é de chegarem a 100 cadeiras em 2014, o
que representaria em torno de 20% das 513 do Congresso, refletindo a
representatividade dos evangélicos no Brasil revelada pelo Censo 2010.
Este é um projeto cada vez mais nítido deste segmento social que
certamente visa, como os demais grupos políticos, muito mais do que
cadeiras no Congresso, mas também presidências de comissões e de
ministérios relevantes (para além do único atual tímido Ministério da
Pesca, sob a liderança do bispo da Igreja Universal do Reino de Deus
Marcelo Crivela). 

A polêmica com Marco Feliciano deixa este projeto em evidência, já
que não só uma presidência inédita de comissão foi alcançada, mas também
maior visibilidade aos evangélicos na política e ao próprio PSC, que
tem o nome “Cristão”, mas sempre se caracterizou como um partido de
aluguel para quem desejasse candidatura independentemente de confissão
de fé. Pelo fato de estar nas manchetes durante semanas, o PSC já prevê
que Feliciano, eleito com 212 mil votos por São Paulo em 2010, se
tornará um “campeão de votos” nas próximas eleições, podendo atingir um
milhão de votos, e ainda alavancará a candidatura do pastor Everaldo
Pereira (PSC/SP) a presidente da República. Aliado de Marco Feliciano, o
pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia, figura
sempre presente nas mídias, declarou: “Se o Feliciano tiver menos de 400
mil votos na próxima eleição, eu estou mudando de nome”.

Mais uma vez, é possível afirmar que a cada novo episódio, a relação
evangélicos- política é dinâmica complexa que inclui disputas por poder e
hegemonia no campo religioso, ambição dos políticos que veem no
pragmatismo dos evangélicos fonte para suas barganhas de campanha,
concorrência de grupos que competem por poder sociopolítico e econômico
como as empresas de mídia, como veremos adiante. 

2. O conservadorismo de Marco Feliciano e de seus “soldados” 
A imagem dos “evangélicos” foi construída fundamentalmente com base
na identidade de dois grupos de cristãos não-católicos: os protestantes
de diferentes confissões que chegaram ao Brasil por meio de missões dos
Estados Unidos, a partir da segunda metade do século XIX, e os
pentecostais, que aportaram em terras brasileiras na primeira década do
século XX, vindos daquele mesmo país. Esta imagem sempre mostrou ao
Brasil um segmento cristão predominantemente conservador teologicamente,
marcado por um fundamentalismo bíblico, um dualismo que separava a
igreja do “mundo”/a sociedade e um anticatolicismo. 

Desta forma, não é surpresa que um pastor evangélico, no caso Marco
Feliciano, reproduza em seus sermões modernos e de forte apelo
emocional, uma abordagem teológica tão antiga como a que embasa a
ideologia racista, por meio da leitura fundamentalista de textos do
Gênesis que contêm a narrativa da descendência de Noé. Também não é
surpresa que Marco Feliciano conduza sua reflexão teológica por meio de
bases que justifiquem a existência de um Deus Guerreiro e Belicoso, que
tem ao seu redor anjos vingadores, que destrói do Titanic a John Lenon
ou aos Mamonas Assassinas, continuando o que já fazia com os povos
africanos herdeiros do filho de Noé, e que, nesta linha, certamente fará
aos que assumem e apregoam o homossexualismo. Menos surpreendente é
ainda que o líder religioso reaja a quem lhe faz oposição ou tenha
posição diferente da sua classificando-o como agente do diabo e assim
foram sinalizadas a própria formação anterior da Comissão de Direitos
Humanos e celebridades como o cantor Caetano Veloso. 

Quem se surpreende com o que Feliciano diz e com o apoio que ele
recebe de diversos segmentos evangélicos desconhece o DNA deste grupo.
Não há nada de novo aqui. O que há é maior visibilidade pela projeção
que a mídia religiosa e não-religiosa têm dado a este discurso. Em 2010,
por exemplo, o pastor estadunidense Pat Robertson, dono de um canal de
televisão, declarou que o trágico terremoto no Haiti naquele ano era
consequência de um pacto dos haitianos com o diabo no passado para se
tornarem independentes da França. A declaração de Robertson, amplamente
veiculada, provocou manifestações contrárias em todo o mundo. As
palavras de Marco Feliciano no Brasil de 2013 são apenas o eco da mesma
teologia. 

Há algo novo, sim, neste processo, relacionado à articulação dos
apoios a Feliciano que coloca em evidência o conservadorismo, antes
atribuído mais diretamente aos evangélicos, que reflete uma tendência
forte na sociedade brasileira de um modo geral. 

É nesse contexto que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), suplente da
CDH, afirmou que se sente como “irmão” do presidente da comissão. “Como
capitão do Exército, sou um soldado do Feliciano”, declarou Bolsonaro,
em matérias divulgadas pelas mídias em 27 de março, e acrescentou: “A
agenda antes era outra, de uma minoria que não tinha nada a ver. Hoje,
representamos as verdadeiras minorias. Acredito no Feliciano, de
coração. Até parece que ele é meu irmão de muito tempo. Não sinto mais
aquele cheiro esquisito que tinha aqui dentro e aquele peso nas costas.
Aqui, era uma comissão que era voltada contra os interesses humanos,
contra os interesses das crianças e contra os interesses da família.
Agora, essa comissão está no caminho certo. Parabéns, Feliciano”. 

O deputado Bolsonaro tem um histórico de posicionamentos racistas e
de conflito com ativistas sociais e militantes de movimentos gays. Em
novembro de 2011, ele chegou a pedir, da tribuna da Câmara, à presidente
Dilma Rousseff para que ela assumisse se gostava de homossexuais. Em
março do mesmo ano, respondeu que “não discutiria promiscuidade” ao ser
questionado em um programa de TV pela cantora Preta Gil sobre como
reagiria caso o filho namorasse uma mulher negra.

No campo das igrejas, o já citado pastor Silas Malafaia, conhecido
por polêmicas midiáticas desde a campanha presidencial de 2010, se
alistou nas fileiras do deputado Feliciano e se tornou seu árduo
defensor e colaborador desde o início da controvérsia da presidência da
CDH. Até a Igreja Católica, explícita em suas posições quanto à
ampliação de direitos civis de homossexuais, mas clássico “inimigo” dos
evangélicos, é colocada por Feliciano na lista de aliados. Em entrevista
à TV Folha-UOL (2/4/2013), o deputado explicitou: “Tenho alguns
contatos com algumas pessoas da CNBB, mas com os grandes líderes do
movimento católico não tive contato até porque quase não tenho tempo.
Acredito que, nesse momento, todos eles me conhecem até porque o que eu
sofro hoje de perseguição dado ao movimento LGBT, a Igreja Católica
sofre isso no mundo todo. Inclusive, o novo papa, o papa Francisco, na
Argentina quase foi linchado por esse grupo. Então, nós temos algumas
coisas que, acredito, nos fazem pensar igual.(…) Eu fiquei feliz por
termos ali um papa que ainda é bem ortodoxo, é bem conservador e que
prima por aquilo eu acredito também, que a família é a base da
sociedade. Aliás, a família é antes da sociedade”.

Estas alianças estão produzindo efeitos até na qualidade do discurso
de Marco Feliciano. Os benefícios proporcionados pela aproximação com
lideranças mais experientes ficam evidentes nas mudanças no discurso do
deputado como: “Só saio da presidência da CDH morto” para “Só saio da
presidência da CDH se os deputados condenados pelo julgamento do
mensalão, José Genoíno e João Paulo Cunha, deixarem a Comissão de
Constituição e Justiça”. Com isso, Feliciano atraiu para si a simpatia
da mídia que se fartou na cobertura do julgamento do Superior Tribunal
de Justiça e de segmentos conservadores, que, embora não concordem com
seu nome na presidência da CDH, querem “a cabeça” dos condenados.
Feliciano usa uma controvérsia ética para justificar a controvérsia de
sua própria eleição – a CDH como moeda de troca partidária.

Alianças do religioso com o não-religioso formando exércitos que
marcham em defesa da moral e dos bons costumes – em defesa da família –
não é algo novo no Brasil, mas é bastante novo no espaço político que
envolve os evangélicos e suas conquistas na esfera pública. Em matéria
na Folha de São Paulo, de 7/4/2013, o diretor do instituto de pesquisa
Datafolha, Mauro Paulino, declarou que o discurso de Feliciano atinge
preocupações de parte da população: “Entre os brasileiros, 14% se
posicionam na extrema direita. As aparições na imprensa dão esse efeito
de conferir notoriedade a ele.” Isto significa que apesar dos tantos
slogans divulgados em manifestações presenciais e nas redes sociais –
“Feliciano não me representa” – Feliciano, Bolsonaro e tantos outros são
eleitos e ganham espaço e legitimidade. Portanto, há quem se sinta
representado, sim, não somente do ponto de vista da popularidade mas do
peso das articulações ideológicas em curso na sociedade brasileira. 

3. Inimigos, um componente do imaginário evangélico 
Exércitos
precisam de inimigos. A teologia de um Deus Guerreiro e Belicoso sempre
esteve presente na formação fundamentalista dos evangélicos
brasileiros, compondo o seu imaginário e criando a necessidade da
identificação de inimigos a serem combatidos. Historicamente a Igreja
Católica Romana sempre foi identificadas como tal e sempre foi combatida
no campo simbólico mas também no físico-geográfico. Da mesma forma as
religiões afro-brasileiras também ocupam este lugar, especialmente, no
imaginário dos grupos pentecostais. 
Periodicamente, estes “inimigos” restritos ao campo religioso perdem
força quando ou se renovam, como é o caso da Igreja Católica, a partir
dos anos de 1960, ou quando aparecem outros que trazem ameaças mais
amplas. Assim foram interpretados os comunistas no período da guerra
fria no mundo e da ditadura militar. Há também um imperativo imaginário
de se atualizar os combates, quando a insistência em determinados grupos
leva a um desgaste da guerra. Durante o processo de redemocratização
brasileira nos anos 80, o espaço que vinha sendo conquistado pelo
Partido dos Trabalhadores, interpretado como nítido representante do
perigo comunista, foi reconhecido como ameaça e campanhas evangélicas
contra o PT reverberaram de forma religiosa o que se expunha nas
trincheiras da política. 

Com o enfraquecimento do ideal comunista nos anos 90 e com o PT
chegando ao poder nacional com o apoio dos próprios evangélicos, a força
das construções ideológicas estadunidenses abriu lugar à atenção à
ameaça islâmica e houve algum espaço entre evangélicos no Brasil para
discursos de combate ao islam. No entanto, como esta ameaça está bem
distante da realidade brasileira – não se configura um inimigo tão
perigoso nestas terras -, emerge, mais uma vez, o imperativo de se
atualizar os combates. Não mais catolicismo, nem comunismo, não tanto
islamismo… quem se configuraria como novo inimigo? Desta vez, um inimigo
contra a religião e seus princípios, contra a Bíblia, contra Deus,
contra o Brasil e as famílias: o homossexualismo. 

Declarações de Marco Feliciano na mídia noticiosa expressam bem este
espírito belicoso: “É um assunto tão podre! Toda vez que se fala de sexo
entre pessoas do mesmo sexo ninguém quer colocar a mão, porque é podre.
Por causa disso, um grupo de 2% da população – os gays – consegue se
levantar e oprimir uma nação com 90% de cristãos, entre católicos e
evangélicos, e até pessoas que não têm religião, mas que primam pelo
bem-estar da família, pelo curso natural das coisas” (Rede Brasil Atual,
1/3/2013). “Existe uma ditadura chamada (…) “gayzista”. Eles querem
impor o seu estilo de vida e a sua condição sobre mim. E eles lutam
contra a minha liberdade de pensamento e de expressão. Eles lutam pela
liberdade sexual deles. Só que antes da liberdade sexual deles, que é
secundária, tem que ser permitida a minha liberdade intelectual. A minha
liberdade de expressão. Eu posso pensar. Se tirarem o meu poder de
pensar, eu não vivo. Eu vegeto e morro”. (TV Folha-UOL, 2/4/2013). 

Consequência da eleição de inimigos e do combate a eles é o discurso
de que há uma perseguição a quem se faz contrário, promovida pelo maior
inimigo de Deus, Satanás. Esta ideia está claramente presente em
afirmações de Feliciano como: “Eu morro, mas não abandono minha fé”; “A
situação está tomando dimensões muito estranhas. É assustador, estou me
sentindo perseguido como aquela cubana lá. Como é o nome? A Yoani
Sánchez”; “Se é para gritar, tem um povo que sabe o que é grito. […]
Nós (evangélicos) sabemos qual é o poder da nossa fé.” 

A insistência da mídia noticiosa em enfatizar a guerra
Feliciano-homossexuais, com o lado “inimigo” representado por um
deputado, na mesma condição do primeiro, Jean Wyllys (PSOL/RJ), ativista
do movimento LGBT, só faz reforçar a reconstrução do imaginário
evangélico da guerra aos inimigos e da perseguição consequente. Isso tem
gerado manifestações diversas de apoio a Feliciano entre evangélicos
dos mais diferentes segmentos e ações como a da Convenção Geral das
Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), realizada em Brasília neste
abril, que aprovou uma moção de apoio a Feliciano, aprovada em votação
simbólica por unanimidade. Feliciano agradeceu o apoio dizendo que
“nunca houve uma comissão com tanta oração. Os pastores estão orando
pela minha vida e pela comissão. Venceremos esta batalha”. 

Há ainda uma explosão de postagens em nas mídias digitais, em
especial nas redes sociais. Por exemplo, uma montagem com foto de Marco
Feliciano com uma faixa presidencial tem sido veiculada por usuários do
Facebook, e, na primeira semana de abril já havia superado a marca de 65
mil compartilhamentos. A campanha pede que favoráveis à candidatura do
pastor à presidência da República em 2014 compartilhem a imagem para
demonstrar força nas redes sociais: “Campanha urgente: Marco Feliciano
presidente do Brasil”, diz o texto.

Uma segunda imagem com comparações entre Marco Feliciano e Jean
Wyllys também veiculada no Facebook, já havia superado 100 mil
compartilhamentos em meados de abril, registrando mais de 7,5 mil
comentários. Na imagem, há dados sobre o número de votos de cada um dos
deputados, além de comparações entre as bandeiras políticas defendidas
por cada um deles. A imagem quando compartilhada revela declarações
pessoais de quem “curtiu” com texto que manifesta apoio ao pastor
Feliciano: “Eu sou cristão, a favor da democracia, da vida e da família
brasileira. Marco Feliciano me representa”. 

A declaração de Silas Malafaia à Folha de São Paulo (7/4/2013) sobre a
repercussão do caso entre os evangélicos e simpatizantes reflete bem
este espírito: “Quero agradecer ao movimento gay. Quanto mais tempo
perderem com o Feliciano, maior será a bancada evangélica em 2014″. 

Toda e qualquer análise e ação em torno da presença dos evangélicos
nas mídias e na política não pode ignorar esta dimensão do imaginário da
necessidade da criação de inimigos e da consequente perseguição. Isto é
característico de religiões numericamente não-majoritárias, sendo
portanto, fruto, entre outros aspectos, do caráter minoritário da
presença evangélica em terras brasileiras. 

4. As transformações e as revelações na relação mídia-religião 
O histórico da presença evangélicas nas mídias não-religiosas no
Brasil revela a hegemonia católica-romana que vem pouco a pouco sendo
diminuída por conta do espaço que os evangélicos vêm conquistando na
esfera pública. Enquanto católicos sempre apareceram para expressar sua
fé nas datas clássicas do calendário religioso e para se manifestar
sobre temas amplos, à exceção dos casos controversos inevitáveis como a
pedofilia praticada por clérigos, cuidadosamente tratados, evangélicos
tinham espaço garantido quando se tratava de escândalos de corrupção ou
situações bizarras. 

Na última década, a expressiva representatividade dos evangélicos no
país com o consequente declínio do catolicismo, e a ampliação de sua
presença nas mídias e na política, torna este segmento não só visível
mas um alvo mercadológico. As mídias passam a prestar a atenção no
segmento e na lucratividade possível, em torno da cultura do consumo
vigente. 

Um exemplo ilustrativo se dá quando um personagem, por vezes
protagonista, por vezes coadjuvante, como o pastor Silas Malafaia, que
assume o papel da pessoa controvertida em todo este contexto e constrói
sua imagem midiática como “aquele que diz as verdades”, é convidado para
uma conversa com o vice-diretor das Organizações Globo, João Roberto
Marinho (PINHEIRO, Daniela. Vitória em Cristo. Revista Piauí, n. 60, set
2011). Aí é possível identificar o patamar em que se encontra o
segmento evangélico nas mídias. Segundo depoimento do pastor depois da
conversa, Marinho teria alegado precisar conhecer mais o mundo dos
evangélicos já que a emissora teria percebido que Edir Macedo não seria
“a voz” dos protestantes no Brasil. O pastor Malafaia ganhou, então,
trânsito em um canal destacado de comunicação e teve várias aparições no
programa de maior audiência da Rede Globo, o Jornal Nacional. 

Além do contato com Malafaia, as Organizações Globo, por meio da
gravadora Som Livre, já contrataram grandes nomes do mercado da música
evangélica que têm, a partir daí, espaço garantido na programação da
Rede Globo. A Globo tirou da Rede Record, em 2011, o evento de premiação
dos melhores da música evangélica, tendo criado o Troféu Promessas. A
Rede Globo é também, a partir de 2011, patrocinadora de eventos
evangélicos como a Marcha para Jesus e de festivais gospel. Noticiário
inédito do mundo evangélico tem ganhado espaço na Rede, como por
exemplo, a matéria sobre a reeleição de José Wellington Bezerra à
presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus veiculada em
matéria de 1’44 no Jornal da Globo, de 1’52 na Globo News, em 11 de
abril, além de nota na CBN e no portal G1. 

Neste contexto, o caso Marco Feliciano tem sido amplamente tratado
pela grande mídia. Feliciano já foi entrevistado por todos os grandes
veículos de imprensa e já participou dos mais variados programas de
entretenimento – de talk-shows a games. Foi tratado com simpatia na
entrevista de Veja e defendido pelo jornalista Alexandre Garcia em
comentário na Rádio Metrópole (5/4/2013) com o argumento de “liberdade
de opinião”. Fica nítido que estes veículos não desprezam a dimensão do
escândalo e da bizarrice relacionada ao caso, somada à atraente questão
da homossexualidade que mexe com as emoções e paixões humanas e expõe a
vida íntima de celebridades, como o caso da cantora Daniela Mercury que
veio à tona na trilha desta história. 

No entanto, o amplo espaço dado para que Feliciano e seus aliados
exponham seus argumentos e sejam exibidos como simpáticos bons sujeitos
revela que estas personagens ganham um tratamento bastante afável em
comparação à execração imposta a outras em situações críticas da
política brasileira, como a que envolveu os parlamentares do PT. Não
temos aqui apenas os evangélicos como um segmento de mercado a ser bem
tratado, mas, retomando a constatação de que Feliciano, Malafaia e
Bolsonaro representam uma parcela conservadora da sociedade brasileira, é
possível que haja uma identidade entre estes líderes e quem emite e
produz conteúdos das mídias. Afinal, é a mesma mídia que constrói
notícias sobre crimes protagonizados por crianças e adolescentes de
forma a promover uma “limpeza” das cidades por meio de campanha por
redução da maioridade penal no Brasil, ou que veicula programas que
trazem enquetes durante um noticiário sobre crimes urbanos que indagam:
“Ligue XXX ou YYY para indicar qual pena merece o criminoso? XXX para
prisão ou YYY para morte”. 

São transformações na relação mídia e religião, com efeitos
políticos, que merecem ser monitoradas e esclarecidas, tendo em vista a
complexidade das relações sociais, em especial no que diz respeito à
religião, e que devem ser potencializadas no ano eleitoral que se
aproxima. 

Um paradigma 
O caso Marco Feliciano pode ser considerado um paradigma pelo fato de
ser a primeira vez na história em que os evangélicos se colocam como um
bloco organicamente articulado, com projeto temático definido: uma
pretensa defesa da família. Com a polarização estimulada pelas mídias
entre o deputado Feliciano e ativistas homossexuais foi apagada a
discussão de origem quanto à indicação do seu nome em torno das
afirmações racistas e de seu total distanciamento da defesa dos direitos
humanos.

Torna-se nítida uma articulação política e ideológica conservadora em
diferentes espaços sociais – do Congresso Nacional às mídias – que
reflete um espírito presente na sociedade brasileira, de reação a
avanços sociopolíticos, que dizem respeito não só a direitos civis
homossexuais e das mulheres, como também aos direitos de crianças e
adolescentes, às ações afirmativas (cotas, por exemplo) e da Comissão da
Verdade, e de políticas de inclusão social e cidadania. Nesta
articulação a religião passa a ser instrumentalizada, uma porta-voz. 

A postagem de um pastor de uma igreja evangélica no Facebook reflete
bem este espírito: “Devemos nos unir cada vez mais, já somos milhões de
evangélicos no Brasil, fora os simpatizantes. Temos força, é claro que
nossa força vem de Deus. Precisamos nos mobilizar contra as forças das
trevas, que querem desvirtuar os bons costumes e a moral e,
principalmente que querem afetar a honra da família. Se o meu povo que
se chama pelo meu nome se humilhar e orar, não tem capeta que resista”. E
as palavras de Marco Feliciano ecoam como profecia: “Graças a Deus
permanecemos firmes até aqui. Chegará o tempo que nós, evangélicos,
vamos ter voz em outros lugares. O Brasil todo encara o movimento
evangélico com outros olhos”.

Nesse sentido é possível afirmar que os grupos políticos e midiáticos
conservadores no Brasil descobriram os evangélicos e o seu poder de
voz, de voto, de consumo e de reprodução ideológica. A ascensão de Celso
Russomano nas eleições municipais de São Paulo, em 2012, já havia sido
exemplar: um católico num partido evangélico, apoiado por grupos
evangélicos os mais distintos. A eleição da presidência da CDH é
paradigmática no campo nacional e ainda deve render muitos dividendos a
Feliciano, ao PSC, à Bancada Evangélica e a seus aliados. O projeto
político que se desenha, de fato, pouco ou nada tem a ver com a defesa
da família… os segmentos da sociedade civil, incluindo setores
evangélicos não identificados com o projeto aqui descrito, que defendem
um Estado laico e socialmente justo, têm grandes tarefas pela frente.

Programa nº 2058

Sexo em nome da fé
O estelionato da fé

Por Luciano Martins Costa em 09/05/2013 no programa nº 2058 | 0 comentários

Sexo em nome da fé
O
deputado e pastor Marco Feliciano, que se tornou uma celebridade ao
levar para o Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos
Deputados suas ideias arcaicas sobre direitos de minorias, volta ao
noticiário por conta de suas relações com outro religioso, Marcos
Pereira da Silva, que acaba de ir para a cadeia.
O
pastor Marcos Pereira da Silva é presidente da igreja denominada
Assembleia de Deus dos Últimos Dias, com sede no Rio de Janeiro.
Pesam
contra ele denúncias de associação com traficantes de drogas,
homicídios e violência sexual contra seguidoras de sua organização.
Os jornais divergem quanto ao número de mulheres que teriam sido estupradas pelo sacerdote. Segundo o Estado de S. Paulo, ele teria abusado de seis fieis, usando a alegação de que elas estariam possuídas pelo diabo e que o ato sexual as libertaria.
Na versão da Folha de S. Paulo, foram quatro as vítimas e, segundo o Globo, os depoimentos colhidos em um ano de investigações identificam pelo menos 26 casos.
O
acusado se tornou conhecido por negociar o fim de rebeliões em
presídios e libertar reféns de traficantes, impedindo suas execuções,
mas, segundo a polícia, ele na verdade era uma espécie de líder
espiritual de traficantes e outros bandidos, aos quais era associado, e
esses episódios eram simulações combinadas com os criminosos.
 
O
conjunto das reportagens compõe um roteiro escabroso de exploração da
fé, abusos, manipulação de consciências, homicídios, lavagem de dinheiro
e roubo puro e simples.
Embora
seja um caso extremo de delinquência associada à religiosidade, a
carreira do pastor Marcos Pereira da Silva deveria inspirar um esforço
de investigação jornalística em torno do fenômeno das seitas que
proliferam por todo o país e avançam sobre o campo político.
As
relações entre Pereira da Silva e o presidente da Comissão de Direitos
Humanos da Câmara dos Deputados merece uma atenção maior do que a mera
reprodução de declarações que tem marcado a ação da imprensa.
Uma
das pistas a serem seguidas é a da lavagem de dinheiro: o pastor é
acusado de receber comissão de traficantes para dissimular a receita do
crime por meio da venda de CDs e DVDs de evangelização.
Além
disso, sua ascendência sobre chefes do crime organizado o coloca como
um dos líderes da onda de ataques que aterrorizaram o Rio em 2006 e
2010, como reação contra o programa de ocupação de favelas pela chamadas
unidades de polícia pacificadora.
Considerar
que o deputado Feliciano ignorava tal folha corrida seria chamá-lo de
alienado, coisa que ele, definitivamente, não é.
O estelionato da fé
O
inquérito contém preciosidades, como a descrição de orgias que teriam
sido promovidas pelo dublê de líder religioso e chefe de quadrilha em um
apartamento na Avenida Atlântica, registrado em nome da igreja e
avaliado em R$ 8 milhões: segundo testemunhas, o pastor teria o hábito
de realizar encontros que incluíam relações homossexuais de homens e
mulheres.
Também
há referências a troca de favores com políticos e autoridades
policiais, o que indica a extensão da influência do personagem, e que
pode ser medida pelo empenho do deputado Feliciano em defender o
acusado.
A imprensa precisa esclarecer essa relação suspeita.
Preso,
o pastor Marcos Pereira da Silva tem sua vida vasculhada pelos jornais,
que fazem descrições espantosas sobre sua longa carreira de abusos.
No
entanto, o noticiário ainda se limita ao relato puro e simples dos
crimes de que ele é acusado, quando o episódio deveria levar a imprensa a
analisar com mais profundidade o fenômeno de entidades supostamente
religiosas que são, na verdade, organizações criminosas.
Não
imposta se a delinquência se limita ao estelionato mais primário em
nome de angústias espirituais ou se chega ao estágio sofisticado de
criminalidade que é atribuído ao líder da Assembleia de Deus dos Últimos
Dias.
No livro intitulado Mídia e poder simbólico, o jornalista e cientista social Luís Mauro Sá Martino já tratou com detalhes a questão do mercantilismo no campo religioso.
O
caso do pastor Pereira da Silva abre uma oportunidade para a imprensa
investigar a verdadeira natureza de organizações que colocam no poder
político figuras como o deputado Marco Feliciano, capaz de transformar
um órgão do porte da Comissão de Direitos Humanos da Câmara em um circo
místico de crendices e preconceitos.
Pode-se
ir um pouco além, analisando-se, por exemplo, como a sociedade
contemporânea ainda se mantém vulnerável à penetração de arcaísmos e
mistificações, que contaminam as instituições da República, e de que
modo tais manifestações de irracionalidade atrapalham o desenvolvimento
do país.
Mas isso seria esperar demais. Desmascarar outros falsos religiosos associados ao crime já seria um bom começo.

Ouça aqui 

Programa nº 2059

>>A rede da fé e do dinheiro
>>Propaganda enganosa

Por Luciano Martins Costa em 10/05/2013 no programa nº 2059 | 0 comentários

A rede da fé e do dinheiro



Uma reportagem publicada pelo Globo nesta
sexta-feira (10/05) oferece pistas para jornalistas que pretendam
investigar a infiltração do crime organizado na política.



O
jornal carioca traz alguns nomes de parlamentares que estão criando uma
corrente de apoio ao pastor Marcos Pereira da Silva, preso sob a
acusação de estuprar adeptas da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, a
denominação evangélica que ele dirige.



reportagem se
refere a homenagens que ele recebeu de deputados estaduais e do
deputado federal Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos
Humanos da Câmara.



A
corrente de solidariedade pode esclarecer os laços entre organizações
religiosas, partidos políticos e chefes de milícias que tentam dominar
as comunidades das quais o governo do Rio afastou quadrilhas de
traficantes nos últimos meses.



Conforme tem sido noticiado pelo Globo com
frequência, esses grupos disputam o controle do transporte público, da
distribuição de gás e outros serviços no interior das favelas.



Um
dos principais defensores de Pereira da Silva, o deputado estadual
Geraldo Pudim, é integrante da chamada “tropa de choque” do
ex-governador Anthony Garotinho, com quem partilha a condição de réu em
um processo por crime eleitoral.



A reportagem do Globo pode
ser tomada como uma pauta inicial para investigações mais profundas que
podem revelar a complexa rede de interesses que transformou algumas
regiões do Brasil em paraísos do crime organizado.



Parte dessa história, que inspirou os filmes da série Tropa de Elite,
já foi contada em capítulos pelos jornais, mas as acusações levantadas
contra o pastor Marcos Pereira da Silva permitem juntar os episódios e
esclarecer a relação ambígua de seitas religiosas com a política e o
crime.



O Rio de Janeiro tem, de longe, a maior bancada dita evangélica entre todas as Assembleias Legislativas.



O
bloco chamado de Frente Parlamentar Evangélica conta com quase 60
parlamentares no Rio, dos quais mais da metade enfrenta processos na
Justiça por crimes eleitorais, peculato, roubo, improbidade
administrativa, formação de quadrilha e, agora, com a contribuição de
Marcos Pereira da Silva, também por crimes de estupro e lavagem de
dinheiro.



Propaganda enganosa



O
crescimento das chamadas seitas neopentecostais, nas últimas décadas,
não produziu apenas grandes fortunas e muito poder na mídia.



Como
consequência natural, os líderes dessas organizações foram buscar
também o poder político, caminho direto para os cofres públicos.



Parlamentares
ligados a essas igrejas repassam recursos de orçamentos públicos para
organizações não-governamentais controladas por eles mesmos, e assim o
círculo iniciado numa pequena sala de orações se expande até a criação
de um sistema de mídia com emissoras de rádio e televisão, jornais e
portais de internet.



Nem
todas exibem o poder alcançado pela Igreja Universal do Reino de Deus,
mas pelo menos cinco denominações brasileiras já se tornaram poderosos
empreendimentos multinacionais.



Seu
discurso típico consiste em convencer o fiel a doar seus bens à igreja,
em troca de uma vida melhor. Não no suposto paraíso eterno, mas aqui e
agora.



Pessoas com dificuldades financeiras e fragilizadas emocionalmente chegam a se endividar para fazer esse pacto.



De
acordo com os jornais, o apartamento em Copacabana onde o pastor Marcos
Pereira da Silva promovia orgias, foi doado por um empresário cuja
família tentava interditar, por apresentar problemas psicológicos.



No mês passado, o governo de Angola baniu daquele país as igrejas de origem brasileira, pela prática de propaganda enganosa.



Um representante do governo angolano declarou, na ocasião, que os pastores brasileiros “se aproveitam das fragilidades do povo”.



Num regime democrático, o direito ao culto limita a ação das autoridades contra os exploradores da fé.



Por
isso, o episódio que envolve o líder da Assembleia de Deus dos Últimos
Dias pode fundamentar um trabalho mais consistente da imprensa no
esclarecimento do papel dessas organizações no Brasil, com uma
investigação de todas as suas conexões nas instituições da República.



Além
das evidências de enriquecimento ilícito eventualmente levantadas
quando a imprensa tradicional entra em choque com as mídias evangélicas,
é preciso ir além, esclarecendo como a mistura de religião com negócios
invade a política, interfere em decisões de governos e contamina com
preconceitos o debate público sobre questões essenciais para o
aprimoramento institucional do País.


Ouça AQUI

 Adicionado em 20 de Maio de 2013 (abaixo)

Direito de resposta – Pr. Marcos
Pereira

Das 6 acusações apresentadas, o Ministério
Público, através do promotor Rogério Lima, da 8ª
Promotoria de Investigação Penal acatou apenas duas, Os
três casos que restaram foram arquivados.

De acordo com o inquérito instaurado pela DECOD,
através do delegado Márcio
Mendonça, o Pastor Marcos
Pereira da Silva, teve sua prisão decretada devido
a  acusações de 6 estupros, dentre eles, da sua
ex-esposa, Sra. Ana Madureira, (http://www.reporterdedeus.com/pastor-marcos-pereira-foi-preso-sob-acusacao-de-estupro-vitimas-seriam-fieis-da-assembleia-de-deus-dos-ultimos-dias/ ,
conforme declarações da própria Sra. Ana
Madureira(esposa) através do vídeo postado no
youtube https://www.youtube.com/watch?v=oXuHrh-_PWE, a
esposa do pastor Marcos Pereira nega ter acusado seu esposo de
estupro.

Das 6 acusações apresentadas, o
Ministério Público, através do
promotor Rogério Lima, da 8ª Promotoria de
Investigação Penal acatou apenas
duas, Os três casos que restaram foram arquivados.
Uma das mulheres que acusou o Pr. Marcos Pereira de estupro, se
arrepende, assume seu erro e declara em vídeo que foi procurada pelo
Sr. Rogério de Menezes e Sr. Alex, no seu trabalho em Macaé e
orientada a prestar depoimento na DCOD.
Através de gravação escondida, fica comprovada a
coação a testemunhas feita por Rogerio Menezes e
Gaúcho, ambos membros do Grupo Afroreggae: http://www.youtube.com/watch?v=-LB2pPbwnlg
Nas redes sociais oficiais da ADUD, estão sendo divulgadas as
verdades sobre o caso, já que a mídia  e a
justiça até o momento, não apresentou nenhuma prova e
sequer deu chance para defesa.
Páginas Oficiais : 

www.adud.com.br

Fonte: Assessoria ADUD
Adudimprensa@gmail.com

Pastor Marcos é flagrado
pela polícia em escutas ‘picantes’ com fiéis de sua igreja.
Fonte: Extra AQUI

Rafael
Soares

Em
escutas autorizadas pela Justiça que já estão sendo investigadas pela polícia,
o pastor Marcos Pereira é flagrado em conversas picantes com fiéis da
Assembleia de Deus dos Últimos Dias.
Em uma
das quatro conversas a que o EXTRA teve acesso com exclusividade, o pastor,
antes de se despedir de uma fiel que falava com ele do seu celular de seu
carro, avisa: “Tô com saudade do seu rabo”. Marcos foi preso no
último dia 8 acusado de dois estupros de fiéis. A polícia ainda investiga se o
pastor estuprou outras 20 mulheres que moravam na igreja.
Em quatro conversas obtidas pelo EXTRA, pastor
mostra intimidade com fiéis
Em outro
diálogo, uma mulher insinua que “o pastor ia gostar” de uma lingerie
que ela usou: “Ontem coloquei um negócio muito legal que o senhor ia amar,
eu acho”, ela diz. Marcos ri e avisa: “Fica ligada, fica
ligada”. A mulher tranquiliza o pastor: “Mas era por baixo”. Em
depoimentos à polícia, vítimas do pastor afirmaram que ele mandava que fiéis
fossem a seu gabinete na igreja sem roupas íntimas.
O
apartamento na Av. Atlântica, em Copacabana onde, segundo vítimas, o pastor
realizava orgias com fiéis também é mencionado em uma das escutas. Na conversa
com uma fiel, ele combina a ida dela para o local e diz que ela pode levar
outra mulher, “aquela sem vergonha, a Fabiana”.
Uma fiel
também se oferece para ajudar o pastor a tomar banho: “Vem embora
logo”, responde ele.
Em conversa, pastor marca encontro com fiéis no
apartamento de R$ 8 milhões na Av. Atlântica Foto: Guilherme Pinto / Agência O
Globo

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