
onde meu filho estuda. Além dos tradicionais doces e bolos de milho, a
festa agradou pelo aspecto cênico. O ponto alto foram as apresentações
da meninada, preparadas previamente pelas professoras. As mestras,
aliás, estavam todas lindamente vestidas de caipira. A terceira série
apresentou uma coreografia para a música “Coração bobo”, do Alceu
Valença. Meu coração zabumbou dentro do peito, como costuma acontecer
nessas ocasiões. Noutra apresentação, as crianças da quarta série
dançaram quadrilha junto com os pais e as mães. Foi muito bonito e
mostrou a capacidade de organização das professoras, que conseguiram
ensaiar pais e mães normalmente com agendas incompatíveis em virtude do
trabalho. A festa foi emocionante e despertou em mim idéias sobre
cultura, educação e sobre o papel da escola.
Estamos vivendo um momento em que o debate sobre educação, começa a
ganhar espaço na mídia e na agenda da cidadania. Fala-se muito de cotas,
necessidade de mais recursos financeiros e principalmente da baixa
qualidade do ensino público. Em geral, pouco se diz sobre a necessidade
da arte na escola. A visão de qualidade que está imperando nessas
discussões é instrumental. As crianças têm de dominar determinado
conhecimento para o país ter bons trabalhadores, profissionais
liberais, empresários…Um dia descobrimos que nossos alunos queimaram
um índio, espancaram uma mulher negra e não sabemos o motivo.
E olha que os documentos oficiais da educação brasileira falam em
trabalhar com os jovens a “estética da sensibilidade”. Mas como tem sido
difícil para as escolas fazerem isso! Refiro-me aqui apenas àquelas que
tentam, pois muitas sequer cumprem o papel de transmissão de
conhecimento, que dirá de sensibilizar. Felizmente, há muitos
professores tentando formar mentes livres por meio da arte, do esporte,
da literatura.
Sensibilizar por meio da educação hoje não é fácil. É nadar contra a
correnteza. É ensinar a gostar dos sabores da comida brasileira, ao
invés de levar o fast food para a lanchonete da escola. É cantar e
dançar Alceu Valença e deixar É o Tchan fora da sala de aula. É mostrar
um filme brasileiro para as crianças, ao invés de render-se ao
bombardeio midiático do Homem Aranha.
Educar, afinal de contas, exige conhecimento, paixão e muito esforço,
pois muitas vezes há resistência. Nem tudo se aprende com prazer, mas é
possível aprender muita coisa prazeroza. A festa junina me fez, mais uma
vez, constatar isso. Sei que a festa não acabou ali. Depois vêm as
redações, as discussões sobre as apresentações. Tem até o Vale a Pena
Ver de Novo, quando as coreografias são reapresentadas durante a semana
para que os pais possam ir revê-las. Acima de tudo, existe a certeza de
que as crianças nunca vão esquecer aquele momento, como eu nunca esqueci
a primeira vez que dancei quadrilha na escola. O nome da menina que
dançou comigo era Ana Paula…
Então, é preciso recolocar o debate sobre qualidade na educação. Além de
jovens preparados para passar no vestibular, precisamos de homens e
mulheres capazes de conviver, de pensar, de se emocionar e, ainda, que
saibam selecionar. Afinal, informação é o que não falta. A grande tarefa
da escola hoje não é empurrar mais conteúdo, e sim ensinar a escolher
qual conteúdo, ou, melhor ainda, levar as crianças a produzirem
conteúdo.
Sabemos que isso é uma tarefa árdua. Quando o mercado oferece tudo, como
ensinar a optar? Quando a indústria do entretenimento invade as casas
com toda sorte de lixo, como ensinar a gostar de poesia? Só vai
conseguir ter sucesso nessa empreitada quem evitar o lugar comum. A
Escola Classe 18 de Taguatinga (DF) não deixou a festa junina cair no
trivial. Mostrou que é possível fazer educação de qualidade com beleza,
poesia, muita animação e sem lixo “cultural”, é claro.
VAMOS DANÇAR QUADRILHA !

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frase, baseado no primeiro verso da música Brasil do Cazuza, foi citada
por mim em um dos momentos em que estive realizando o trabalho de
divulgação da oficina de quadrilha junina em uma emissora de rádio em
Aracaju.
Este tipo de “pobreza” a que me referi, não diz respeito as condições
econômicas, porque em alguns casos, alguma festas juninas “pobres” até
dispõem de uma boa estrutura material, fartura de comes e bebes e
grandes atrações artísticas.
A questão fundamental a que me refiro é que a alegria e o calor humano
espontâneo, sem depender do álcool e de outras substâncias químicas, e
a criatividade em especial, são fatores imprescindíveis para o
enriquecimento estético, afetivo e ético de nossas existências.
Por exemplo, se fizermos um exercício de memória dificilmente nos
lembraremos de uma festa junina da atualidade em que o cenário e
adereços não sejam baseados no mesmo padrão de outras, como as
bandeirolas de plásticos e réplicas de balões de cartolina, algumas
comidas típicas misturadas com cachorro quente, churrasco e sanduíche,
refrigerante e cerveja, a bebida que ocupa o lugar do velho e bom licor
e do quentão e outras padronizações ou descaracterizações mais.
Por isso, a relevância da oficina de quadrilha junina realizada
sob a chancela da ong Ação Cultural, no dia 17 de abril, na comunidade
bom pastor, em Aracaju. Ué! Oficina de quadrilha junina foi esta a
indagação de um dos radialistas, e então respondi: Com o processo de
urbanização acelerada ocorrido no Brasil nos últimos anos e com a falta
de percepção dos cursos de formação de professores, de psicólogos,
serviço social e áreas afins, com relação ao potencial educativo,
estético, lúdico e terapêutico da nossa cultura popular, faz-se
necessário um trabalho como este.
E a avaliação dos participantes ao final da oficina, confirmou o que
dissemos acima. A maioria dos presentes, estudantes e profissionais das
áreas da educação, psicologia, terapias holisticas e comunicação
revelaram ter tido contato com a quadrilha tradicional, somente em
escolas, nos tempos da infância e pré-adolescência.
Também demonstraram muito contentamento em poder se reportar a este
tempo, através do movimento corporal e da música, como por terem se
conectado aos antepassados através dessa experiência lúdica e social
muito presente nas vidas deles, por ocasião das festas de junho.
Outros três depoimentos que deixou a coordenação da oficina bastante
satisfeitos, foi de uma participante que disse ter se inscrito na
oficina para sentir alguns momentos de alegria, e isso ficou confirmado
pelo brilho nos olhos dela ao final do dia.
Já outra participante, “quadrilheira dos nossos tempos” e integrante dos
quadros da quadrilha Asa Branca, disse que há muito tempo não dançava
quadrilha no estilo das antigas e se sentiu muito feliz em fazer esta
viagem ao passado.
O outro depoimento refere-se a uma pessoa que tinha ficado chateado por
ter um curso, cuja data marcada, foi a semana de São João, “nem precisa
dizer que o local é a região sudeste, onde os festejos juninos não tem a
mesma força cultural que tem aqui em nossa região” e ele, “só pra
contrariar” e na base “d’eu vou mostrar pra vocês como é bom dançar
quadrilha” estava programando a organização de uma quadrilha junina
tradicional, só não sabia antes como fazer, pois a sua aprendizagem com
dança, se deu com relação ao estilo flamenco e circulares.
Quem não pode participar confira o que dissemos acima, participando do baile de danças circulares nordestinas, no dia 28 de maio, a partir das 19h30, na comunidade bom pastor. Na ocasião será aplicado o que foi aprendido nesta oficina e em outras promovidas pela Ação Cultural desde 2005.
Por último, vale a pena replicar a idéia da oficina de danças populares
em outros locais, não trata-se de formar dançarinos/bailarinos, mas
trazer a dança como um componente permanente de nossas vidas, como era
no principio e deva ser agora e para sempre.
Assim com nem todos que aprendem a ler e a escrever necessitam tornar-se
escritores, assim também nem todos que participam dessas oficinas
precisam tornar-se dançarinos.
Por isso, venham todos dançar !
MAIS:
Assunto: Cultura Popular — Festas Juninas
Por tel: Zezito de Oliveira – Educador cultural — Aracaju/SE
quadrilha tradicional – projeto ciranda – UCB
no you tube.
O Gonzagão em noites de gala
Quadrilha Junina – Patrimônio Cultural Imaterial
Nossos agradecimentos as seguintes instituições e pessoas:
Overmundo, a divulgação através do portal viabilizou o primeiro contato do canal futura.
Comunidade Bom Pastor, sempre abrindo as portas para as oficinas, encontros mensais e bailes de danças circulares, desde o ano de 2005.
Fundação Aperipê, (rádio e televisão) pelos spots e
abertura nos programas de rádio (nação nordestina, ritmo da história,
encontro com o AA, linha sertaneja e aquarela nordestina)
Rádio Cultura – através do espaço aberto nos programas giro da noticia e linha direta.
Canal Futura, através do espaço aberto no programa conexão futura.
Maxivel Ferreira, responsável pela criação do cartaz e produtor do evento, juntamente com este escriba.
Giovane Reis (mestre/ marcador/oficineiro) por ter aceitado o convite de compartilhar conhecimentos.
Ronaldo Lima, parceiro voluntário e de longa data da
Ação Cultural no campo do audiovisual e fotografia. (mais adiante
disponibilizaremos imagens em vídeo)
Carlos Barbalho (comunidade bom pastor), Thiago Paulino (jornalista), Hora Reis (funcionário público), Milton Coelho (funcionário publico) e a todos (as) que contribuíram com a divulgação do evento e por último a Indira Amaral,
diretora da Fundação Aperipê que desde o inicio deste ano, acatou o
nosso pedido de parceria para a divulgação das rodas de danças da Ação
Cultural e que se despede dos sergipanos para alçar outros vôos no campo
do audiovisual em outro estado (Rio de Janeiro). Confira, aqui, reportagem da TV Aperipê sobre a oficina de danças circulares realizada em janeiro de 2011.
E um agradecimento especial a todos (as) que estiveram
presentes, acolhendo o convite para que tenhamos mais vida e vida em
plenitude.

alguns direitos reservados
OFICINA DE QUADRILHA JUNINA DAS “ANTIGAS”

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No tempo em que a maioria da população brasileira morava no
campo, as pessoas organizavam quadrilhas juninas para fortalecer o
convívio social, com a dança popular funcionando como um potente canal
de inserção de um número grande de indivíduos nestes processos de
socialização e coesão social.
Nos dias de hoje, um grupo de pessoas se preparam com coreografias, cada
vez mais complexas e estilizadas, para se apresentarem para um grupo
de espectadores, pessoas que apenas veem, mas não participam da
“brincadeira”.
Mesmo assim, há um grupo grande de pessoas que desejam celebrar o São
João de forma mais comunitária, com alegria e participação de mais
gente na folia, como no tempo das “antigas”.
É por este motivo que a Ong Ação Cultural estará organizando a Oficina
de Quadrilha Junina Tradicional em 17 de abril , tendo como objetivo
preparar focalizadores de danças circulares, educadores,
arte-educadores, profissionais da área social e da saúde e ativistas
sociais para marcar quadrilhas “improvisadas” ou “caipiras” em seus
espaços de atuação.
Esta iniciativa está inserida em torno de um movimento oriundo da
Inglaterra e que chegou ao Brasil (São Paulo) no inicio da década de 80,
ao nordeste (Recife) no final da década de 90 e, finalmente, em
Aracaju, no inicio do ano 2000.
As suas origens se devem à iniciativa do alemão Bernhard Wosien,
bailarino e pedagogo da dança, que no decorrer dos anos sessenta do
século XX, iniciou o registro e a difusão de muitas danças folclóricas e
étnicas da Europa Central e Oriental, incluindo depois regiões de
outros continentes.
Wosien fez isso ao perceber que o acelerado processo de urbanização
estava ocasionando a perda do patrimônio cultural dançante das
gerações mais antigas e, como consequência, a perda das práticas
comunitárias de dança popular.
Nas observações sobre os efeitos proporcionados pela prática da dança de
roda em comunidades tradicionais, Wosien percebeu, de um lado, o
fortalecimento dos laços identitários e sentido de pertencimento e, do
outro, o estado de alegria e paz.
Com isso, ele passou a considerar as danças populares como um
importante canal de re(vitalização), de interação e coesão social,
bastante necessário para as populações residentes nas cidades, as quais
se deparam com sérios problemas decorrentes da perda dessa tradição.
Resumo biográfico do oficineiro
Giovane Reis da Silva, 47 anos. Atua como marcador de quadrilha junina
há 30 anos, tendo começado na Apaga a Fogueira, prosseguindo na
Arrasta Pé, Pisa Milho, Xodó da Vila, Pula Fogueira e por último na
quadrilha junina Asa Branca (Conj. A Franco), onde se encontra
atualmente. Foi campeão em concursos na rua de São João, centro de
criatividade, tri campeão no concurso do bairro 18 de Forte, bi campeão
no bairro Agamenon Magalhães e vice campeão em concurso promovido pela
Sociedade Comunitária do bairro Siqueira Campos.
No ano de 2008 marcou uma quadrilha infantil em escola particular no conjunto Augusto Franco.
Representou Sergipe em concursos de quadrilhas juninas nas cidades de Recife, Salvador e Maceió.
Participou no ano 2000, de um seminário de formação para marcadores e
coreógrafos promovido pela Liga Sergipana de Quadrilhas Juninas.
Quer a presença da Caravana Luiz Gonzaga em sua escola, empresa, orgão público ou organização não governamental?
![]() |
| Roda de quadriha improvisada no IFS – Foto: Alejandro Zambrana |
exibição de documentário sobre a Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola e apresentação de coreográfias inspiradas em
músicas de Luiz Gonzaga estão a
disposição de escolas da rede pública de ensino, durante os meses de maio e junho .
As escolas públicas interessadas em contar com a
participação parcial da Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola, poderão
entrar em
contato com o produtor executivo da iniciativa, Zezito de Oliveira,
para combinar
detalhes acerca das condições para o transporte de material, lanche e
pagamento de diárias para 2 adolescentes que fazem a assistência a produção.
As escolas particulares, orgãos públicos, empresas e organizações não
governamentais, além destas condições, deverão arcar com uma pequena
ajuda financeira ou em material, sem valor pré definido, voltada para o
investimento no trabalho
sócio-educativo da Ação Cultural desenvolvido
com crianças, adolescentes e mães no Conjunto Jardim através de
oficinas artisticas, reuniões , exibição de filmes e passeios culturais.
Para saber mais sobre a Caravana Luiz Gonzaga, clique AQUI e AQUI
Leia também: Festa junina na escola e qualidade na educação. AQUI
foto: Divulgação

Acima: Joaquim Antônio (Casaca de Couro)
Abaixo: Meninas da Oficina de Dança do Ponto de Cultura: Juventude e Cidadania.
foto_ Marco Vieira
OLHA O CAMINHO DA ROÇA!
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séculos XIII e XIV. A guerra dos Cem Anos serviu para promover uma certa
troca cultural entre Inglaterra e França. Com isso França adotou a
quadrilha e levou-a para os palácios, tornando-a assim uma dança nobre.
Rapidamente a quadrilha se espalhou por toda a Europa, tornando-se uma
dança presente em todas as festividades da nobreza. Originalmente, em
sua forma francesa, a quadrilha era dançada em cinco partes, em
compassos que variavam de 6/8 a 2/4, dependendo da parte que estava
sendo dançada, terminando sempre em um galope, que normalmente
atravessava-se o salão.
A quadrilha não só se popularizou, como apareceram várias derivações
suas no interior. Assim a Quadrilha Caipira, no interior paulista (e
Minas), o baile sifilítico na Bahia e Goiás, a saruê (deturpação de
soirée) no Brasil Central e, porventura a mais interessante dentre todas
elas, a mana chica e suas variantes. Várias danças do fandango usam-se
com marcação de quadrilha, da mesma forma que o pericón e outros bailes
guascas da campanha no Rio Grande do Sul.
É intrigante o fato de uma dança nascida no meio do povo seis ou sete
séculos atrás, voltar ao povo, em outro país, mas conservando a mesma
função antropológica, social e cultural. A Guerrra dos Cem Anos acabaria
levando a “country dance para a França. Lá, a palavra se afrancesou,
transformou-se em contredance , uma dança em que os pares executam a
coreografia, frente à frente, ou “vis-a-vis”. A “contredance” se
aportuguesou como “contradança” e quadrilha, mas com a formação de pares
em alas apostas; a palavra é provavelmente derivada da “country dance”
inglesa.
Em dois séculos, a contradança perdeu aquela característica camponesa
para tornar-se uma dança nobre, conquistando a corte francesa etodas as
cortes européias, incluindo a portuguesa. Chegou-se ao ponto de, no
século 18, ela ter sido a grande dança protocolar, de abertura dos
bailes da corte. A medida que foi se popularizando, principalmente no
Brasil e Portugal, o nome quadrilha’ foi começando a ser usado,
seguindo, aliás,uma terminologia utilizada na Espanha e na Itália, onde
identificava a contradança, dançada por quatro pessoas. Desta”quadrilha
de quatro derivou a “quadrilha geral .
A quadrilha chegou ao Brasil no século XIX, com a vinda da Corte Real
portuguesa. Rapidamente essa dança de salão, típica da nobreza, caiu nas
graças do nosso povo animado e festeiro. É importante lembrar que a
quadrilha é uma dança característica dos caipiras, pessoas que moram na
roça e têm costumes muito pitorescos. Em 1952 foram apresentadas,
simultaneamente, 20 quadrilhas pelo “Baile do Poço” o que demonstrava o
quanto este gênero era apreciado aqui no Brasil. Os compositores
brasileiros tomaram gosto pelo gênero e hoje em dia as quadrilhas
possuem características bem nacionais.
A quadrilha é dançada em homenagem aos santos juninos (Santo Antônio,
São João e São Pedro) e para agradecer as boas colheitas na roça. Tal
festejo é importante, pois o homem do campo é muito religioso, devoto e
respeitoso a Deus. Dançar, comemorar e agradecer. Em quase todo o
Brasil, a quadrilha é dançada por um número par de casais e a quantidade
de participantes da dança é determinada pelo tamanho do espaço que se
tem para dançar. A quadrilha é comandada por um marcador, que orienta os
casais, usando palavras afrancesadas e portuguesas. Existem diversas
marcações para uma quadrilha e, a cada ano, vão surgindo novos comandos,
baseados nos acontecimentos nacionais e na criatividade dos grupos e
marcadores.
BALANCÊ (balancer) – Balançar o corpo no ritmo da música, marcando o passo, sem sair do lugar.
E usado como um grito de incentivo e é repetido quase todas as vezes que termina um passo. Quando um comando é dado só
para os cavalheiros, as damas permanecem no BALANCË. E vice-versa,
ANAVAN (en avant) – Avante, caminhar balançando os braços.
RETURNÊ (returner) – Voltar aos seus lugares.
TUR (tour) – Dar uma volta: Com a mão direita, o cavalheiro abraça a
cintura da dama. Ela coloca o braço esquerdo no ombro dele e dão um giro
completo para a direita.
Para acontecer a Dança é preciso seguir os seguintes Passos:
01. Forma-se uma fileira de damas e outra de cavalheiros. Uma, diante da outra, separadas por uma distância de 2,5m. Cada
cavalheiro fica exatamente em frente à sua dama. Começa a música. BALANCÊ é o primeiro comando.
02. CUMPRIMENTO ÀS DAMAS OU “CAVALHEIROS CUMPRIMENTAR DAMAS”
Os cavalheiros, balançando o corpo, caminham até as damas e cada um
cumprimenta a sua parceira, com mesura, quase se ajoelhando em frente a
ela.
03. CUMPRIMENTO AOS CAVALHEIROS OU “DAMAS CUMPRIMENTAR CAVALHEIROS”
As damas, balançando o corpo, caminham até aos cavalheiros e cada uma
cumprimenta o seu parceiro, com mesura, levantando levemente a barra da
saia.
04. DAMAS E CAVALHEIROS TROCAR DE LADO
Os cavalheiros, de mãos dados, dirigem-se para o centro. As damas fazem o mesmo. Ao se aproximarem, todos se soltam.
Com os braços levantados, giram pela direita. Soltam-se as mãos,
dirigem-se ao lado oposto. Os cavalheiros, de mãos dados, vão para o
lugar antes ocupado pelas damas. E vice-versa,
05. PRIMEIRAS MARCAS AO CENTRO
Antes do início da quadrilha, os pares são marcados pelo no. 1 ou 2. Ao comando “Primeiras marcas ao centro , apenas os
pares de vão ao centro, cumprimentam-se, voltam, os outros fazem o “passo no lugar . Estando no centro, ao ouvir o marcador
pedir balanceio ou giro, executar com o par da fileira oposta. Ouvindo
“aos seus lugares , os pares de no. 1 voltam à posição anterior. Ao
comando de “Segundas marcas ao centro , os pares de no. 2 fazem o mesmo.
06. GRANDE PASSEIO
As filas giram pela direita, se emendam em um grande círculo. Cada
cavalheiro dá a mão direita à sua parceira. Os casais passeiam em um
grande círculo, balançando os braços soltos para baixo, no ritmo da
música.
07. TROCAR DE DAMA
Cavalheiros à frente, ao lado da dama seguinte. O comando é repetido até
que cada cavalheiro tenha passado por todas as damas e retornado para a
sua parceira.
08. TROCAR DE CAVALHEIRO
O mesmo procedimento. Cada dama vai passar portadas os cavalheiros até ficar ao lado do seu parceiro.
09. O TÚNEL
Os casais, de mãos dados, vão andando em fila. Pára o casal da frente,
levanta os braços, voltados para dentro, formando um arco. O segundo
casal passa por baixo e levanta os braços em arco. O terceiro casal
passa pelos dois e faz o mesmo. O procedimento se repete até que todos
tenham passado pela ponte.
10. ANAVAN TUR
A doma e o cavalheiro dançam como no Tour(passeio em iportuguês). Após
uma volta, a dama passa a dançar com o cavalheiro da frente. O comando é
repetido até que cada dama tenha dançado com todos os cavalheiros e
alcançado o seu parceiro.
11. CAMINHO DA ROÇA
Damas e cavalheiros formam uma só fila. Cada dama à frente do seu
parceiro. Seguem na caminhada, braços livres,balançando. Fazem o
BALANCË, andando sempre para a direita.
12. OLHA A COBRA
Damas e cavalheiros, que estavam andando para a direita, voltam-se e caminham em sentido contrário, evitando o perigo.
Vários comandos são usados para este passo: “Olha a chuva , “Olha a
inflação , Olha o assalto , “Olha o (cita-se o nome de um político
impopular na região). A fileira deve ir deslizando como uma cobra pelo
chão.
13. É MENTIRA
Damas e cavalheiros voltam a caminhar para a direita. Já passou o perigo. Era alarme falso.
14. CARACOL
Damas e cavalheiros estão em uma única fileira. Ao ouvir o comando, o
primeiro da fila começa a enrolar a fileira, como um caracol.
15. DESVIAR
É o palavra-chave para que o guia procure executar o caracol, ao contrário, até todos estarem em linha reta.
16. A GRANDE RODA
A fila é único agora, saindo do caracol. Forma-se uma roda que se
movimenta, sempre de mãos dados, à direita e à esquerdo como for pedido.
Neste passo, temos evoluções. Ouvindo “Duas rodas, damas para o centro ;
as mulheres vão ao centro, dão as mãos.
Na marcação “Duas rodas, cavalheiros para dentro , acontece o inverso,
As rodas obedecem ao comando,movimentando para a direita ou para
esquerda. Se o pedido for “Damas à esquerda e “Cavalheiros à direita ou
vice-versa, uma roda se desloca em sentido contrário à outra, seguindo o
comando.
17. COROAR DAMAS
Volta-se à formação inicial das duas rodas, ficando as damos ao centro.
Os cavalheiros, de mãos dados, erguem os braços sobre as cabeças das
damas. Abaixam os braços, então, de mãos dados, enlaçando as damas pela
cintura. Nesta posição, se deslocam para o lado que o marcador pedir.
18. COROAR CAVALHEIROS
Os cavalheiros erguem os braços e, ao abaixar, soltam as mãos. Passam a
manter os braços balançando, junto ao corpo. São as damas agora, que
erguem os braços, de mãos dados, sobre a cabeça dos cavalheiros. Abaixam
os braços, com as mãos dados, enlaçando os cavalheiros pela cintura. Se
deslocam para o lado que o marcador pedir.
19. DUAS RODAS
As damas levantam os braços, abaixando em seguida. Continuam de mãos
dados, sem enlaçar os cavalheiros, mantendo a roda. A roda dos
cavalheiros é também mantida. São novamente duas rodas, movimentando, os
duos, no mesmo sentido ou não, segundo o comando. Até a contra-ordem!
20. REFORMAR A GRANDE RODA
Os cavalheiros caminham de costas, se colocando entre os damas. Todos se
dão as mãos. A roda gira para a direita ou para a esquerda, segundo o
comando.
21. DESPEDIDA
De um ponto escolhido da roda os pares se formam novamente, Em fila,
saem no GALOPE, acenando para o público. A quadrilha está terminada. Nas
Festas Juninas Mineiras, após o encerramento da quadrilha, os músicos
continuam tocando e o espaço é liberado para os casais que queiram
dançar.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Ciclo junino em Sergipe : decadência ou revitalização?
José Paulino da Silva – Doutor em Filosofia e História da Educação
a “Contribuição dos festejos juninos para a formação da Identidade
Cultural Sergipana”. Convidado para ser um dos provocadores deste tema,
aceitei por acreditar que esta discussão mantém acesa a chama da defesa
da cultura popular brasileira da qual o ciclo junino é um segmento. E
por entender também que a melhor forma de manter a identidade cultural
de um povo é oportunizar-lhe meios para que possa continuar a
expressar-se produzindo cultura e (usu)fruindo da produção cultural. A
identidade de um povo é uma realidade dinâmica em constante elaboração.
Ao longo do processo de sua construção algumas características vão
perdendo sua força, outras se acentuam. Ao interagir com outras
culturas, os povos e segmentos populares reelaboram sua própria produção
simbólica. Entre as instituições que exercem influência cultural,
citamos o poder político e econômico representados , entre outros, por
agentes públicos e meios de comunicação. Mas é a própria população que
deve assumir-se como protagonista de sua vida incluindo sua cultura.
nós sergipanos, o ciclo junino é um período denso de significado. Seu
traço mais marcante é a celebração da festividade através da dança e da
música como momento de participação efetiva do povo. Como afirmei em
outra oportunidade, “a festividade se apóia em memória e crenças comuns,
alimenta esperanças coletivas, celebra a vida, favorece a gratuidade
do criar, o compartilhar desinteressado, o reencontro com a alegria de
viver e do conviver que reconcilia o homem consigo, como os outros, com
o cosmos, lembrando-o que a felicidade é direito e meta de todos”(CD
Vozes e Toques Sergipanos).
querer ser pessimista, nem muito menos saudosista, tenho constatado
que o ciclo junino em Sergipe, está perdendo o sentido de celebração,
de efetiva participação da população. Basta verificar o que ocorre com a
música e a dança, duas expressões mais representativas deste ciclo.
Tem sido crescente a sua desvalorização causada pela ganância dos
grupos que comandam a indústria cultural dos mega-shows e pela
permanente ausência de uma política pública comprometida com os valores
da cultura popular. A união destes dois fatores negativos tem causado
desgaste, prejuízo e humilhação a artistas deste ciclo e, sobretudo,
tem privado o povo do prazer da dança, da alegria do brincar. Os
mega-shows musicais que primam pela espetacularização, são vendidos
como entretenimentos a uma platéia de consumidores que já não dançam
nem cantam, mas são expectadores da exibição do que acontece no palco’.
transformação de Aracaju num grande pólo dos festejos juninos com dois
grandes espaços, um situado no mercado municipal e outro na orla da
Atalaia, tem prejudicado sensivelmente os demais bairros e as cidades
que integram a grande Aracaju. Em pouco tempo o pólo denominado de Forró Caju do mercado municipal apagou literalmente as fogueiras da tradicional rua São João bem como o brilho dos festejos que se realizavam nas ruas do bairro Santo Antônio.
Tem acontecido a cada ano, uma homogeneização da programação na qual
se priorizam os artistas de fora e as bandas de forró eletrônico,
colocando-os nos melhores horários, nos maiores palcos, com maiores
cachês, em detrimento dos trios de forró e grupos dos artistas locais.. Como exemplo de desvalorização do artista local, basta olhar a propaganda veiculada nas revistas de circulação nacional e na imprensa local, sobre o Forró Caju: um cartaz com o rosto de vários
artistas nordestinos, mas nenhum sergipano! Para enfrentamento desta
questão, sem dúvida, desagradável, humilhante, não basta uma legislação
que estabeleça critérios justos e transparentes.
É necessário vontade
política por parte dos gestores públicos e evidentemente, senso ético.
Vontade política ligada mais ao fazer do que ao dizer.Vale aqui citar o
exemplo que está acontecendo atualmente no Estado da Paraíba. O
secretário de Cultura daquele Estado, Chico César decidiu não liberar
verbas para as prefeituras contratarem as bandas de “forró de plástico”.
A reação a esta sua decisão, diz matéria veiculada na imprensa, foi
como “soltar um busca-pé numa sala de reboco lotada.” (Folha de São
Paulo. E 4 Ilustrada, Edição de 8 de maio de 2011. RAIZ FORTE). É
importante observar que a decisão do secretário Chico César teve total apoio do governador e de outros artistas de renome nacional.
quem defenda que esta realidade a que chegou o ciclo junino em
Sergipe, seja irreversível, decorrente da dinâmica dos fatos. Afinal a
sua espetacularização não tem aumentado o fluxo turístico, inclusive
trazendo mais divisas para o comércio local? A concentração dos
espetáculos não tem sido uma boa para o marketing das empresas
financiadoras e também um excelente palco para maior visibilidade dos
políticos, especialmente quando é ano eleitoral? Admitir este raciocínio
é concordar que tudo está bom, tudo está bonito. Apatia por parte da
sociedade civil, conformismo ou silêncio por parte da maioria dos
artistas que se acreditam na condição de nada poder dizer. E é isto o
que os grupos que se apropriam dos valores da cultura do povo e os
gestores inescrupulosos querem que aconteça.
que não. Muita coisa pode ser feita. Um ponto de partida é não ficar
de braços cruzados, esperando que tudo venha das mãos do poder público,
como benesse do líder político. Isto não significa que não se deva
exigir do gestor político a responsabilidade de administrar bem as
coisas públicas. É importante que a população discuta através de suas
associações as possíveis formas para resgatar sua efetiva participação nas manifestações do ciclo junino e estimular o direito à alegria, ao lazer sadio na volta da celebração festiva deste ciclo
o ciclo junino não pode ser entendido como saudosismo ou um simples
retorno ao passado. Queremos aqui lembrar que há uma relação dinâmica
entre passado, presente e futuro. Entender a relação entre memória e
história é uma chave importante para quem quer conhecer a realidade
atual e propor ações afirmativas para sua transformação. Lembro um
pensamento do filósofo Bergson ”A memória que se atualiza no presente, e
que se move do passado em direção ao presente, não se detêm nele; pela
própria natureza contínua da duração, ela é portadora do futuro.” A história
do ciclo junino, com toda sua plasticidade, toda sua beleza, toda sua
riqueza de significados, continua muito viva na memória da população,
especialmente dos moradores dos bairros mais populares mais antigos.
Como aproveitar este potencial?
e devolver aos moradores das comunidades, os espaços denominados de
“Barracões Culturais” que foram construídos com dinheiro público e hoje
se encontram abandonados ou invadidos. Fazer circular nestes barracões
artistas locais com programação semanal.
com a população local, iniciativas que possam reativar, brincadeiras
como ‘O Arraial do Arranca Unha’ e revitalização de espaços como, a ‘Rua
São João,’ ‘Espaço Cultural o Gonzagão’.
danças do ciclo junino (forró, quadrilhas, côco de roda) poderiam se
constituir em matéria de ensino nas escolas, e de dinamização nos
barracões culturais visando a integração da geração jovem com os valores
deste ciclo.
as quadrilhas no sentido de que elas encontrem um equilíbrio entre o
tradicional e o contemporâneo (estilização) estimulando-as a manter
maior envolvimento com a comunidade, através da realização de um
trabalho sócio-educativo junto à juventude, pessoas de terceira
idade…sem perder a dimensão de ser uma expressão cultural que devolva
ao povo o direito à alegria e do divertir-se coletivamente.
acesa a chama do Fórum de Forró de Aracaju, evitando deixar para
última hora as providências necessárias para sua realização.
disse antes, cada um a seu modo, pode contribuir para a revitalização
do ciclo junino. Esta é uma luta de todos na qual a responsabilidade
maior deve ser dos gestores públicos. Esses tem o dever de induzir
políticas e destinar recursos a eventos que valorizem os artistas, os
espaços e equipamentos relativos a este ciclo para que a população possa
expressar sua alegria de viver, celebrando esta festividade como
participante efetivo e não como simples espectador.
Baião nas aulas de música

Luiz
Gonzaga influenciou gerações de artistas brasileiros célebres, como
mostra a entrevista de Gilberto Gil à revista “BRAVO!”. Aproveite e
explore com seus alunos o ritmo que o consagrou.
Objetivos
– Contextualizar a obra de Luiz Gonzaga
– Participar de uma experimentação rítmica sobre o baião
Conteúdos
– Baião
– Percussão corporal
Tempo estimado
Duas aulas
Materiais necessários
– Projetor de imagens
Introdução
No centenário do nascimento de Luiz Gonzaga, sua obra ganha um destaque
digno de “rei do baião”. Foi com esse ritmo que Gonzagão, como também é
conhecido, despontou para o país e o mundo e passou a influenciar de
forma definitiva a cultura musical brasileira. Aproveite a reportagem
“Eu não existiria sem Gonzagão” (BRAVO!, ed. 184, dezembro de 2012) e
apresente aos seus alunos atividades de contextualização histórica e
prática musical do baião.
Desenvolvimento
1º etapa
Faça uma pesquisa prévia (algumas fontes são sugeridas logo abaixo, na
bibliografia deste plano) e apresente aos estudantes quem foi Luiz
Gonzaga. Na reportagem “O baião de Luiz Gonzaga na sala de aula”, publicada no site de NOVA ESCOLA você encontra uma breve biografia:
quem pensa que o Baião é coisa do passado. Muito pelo contrário, ele
segue vivo e influenciando a Música Popular Brasileira até hoje. E como o
próprio criador do gênero cantou “Luiz Gonzaga não morreu / Nem a
sanfona dele desapareceu”. Isso porque desde que foi criado em 1946, sua
batida está presente, direta ou indiretamente, em todos os movimentos
musicais que surgiram em seguida.
Nascido em 1912, o filho mais
ilustre da cidade de Exu, no sertão pernambucano, ganhou o Brasil após
conhecer um dos seus mais importantes parceiros: o advogado cearense
Humberto Teixeira. É deles a música Baião,
que marca o nascimento do gênero: “Eu vou mostrar pra vocês/ Como se
dança o baião/ E quem quiser aprender/ É favor prestar atenção”. Depois
desse manifesto, Gonzaga estourou, vendeu milhares de discos e colocou o
nordeste no cenário da MPB.
O Rio de Janeiro era um terreno
fértil para a divulgação da música nordestina e do forró nas suas mais
diferentes variações como baião, chamego, xaxado, xote e o coco. Nas
décadas de 1940 e 1950 o rádio era o meio de comunicação mais popular no
País. Além disso, a intensificação do processo de migração que trouxe
milhares de nordestinos ao sul e sudeste do país.
Não há
dúvidas de que Lua, como Gonzaga também ficou conhecido, é um dos
construtores da MPB. “Ele não foi só um instrumentista ou um compositor.
Gonzaga definiu um gênero musical e sintetizou como ninguém a cultura
nordestina” exalta o jornalista e historiador, Paulo César de Araújo,
autor do livro Eu Não Sou Cachorro, Não. Antes dele, outros nordestinos
tentaram, mas nenhum conseguiu a projeção nacional de Gonzagão.
Para o sociólogo alemão Norbert Elias, o êxito alcançado por um artista
não pode ser atribuído apenas à sua suposta genialidade. O resultado
depende de inúmeras variáveis, articuladas entre si, em um determinado
contexto social. “O rei do Baião estava no lugar certo, na hora certa”,
afirma Maria Sulamita de Almeida Vieira, professora da Universidade
Federal do Ceará e autora de Luiz Gonzaga, o Sertão em Movimento. (reportagem de Elisângela Fernandes)
Na
década de 60, tanto Gonzaga quanto o baião saem do foco da música
popular, mas logo florescem novamente na obra de novas gerações de
compositores, como aqueles associados ao tropicalismo e aos grandes
festivais. Daí a associação com Gilberto Gil, feita pela revista BRAVO!.
2º etapa
Este é o momento para conhecer melhor os instrumentos do baião. Afinal,
qual a diferença entre sanfona e acordeão? O que significa “sanfona de 8
baixos” ou “sanfona de 80 baixos”?
Explique à turma que,
originalmente, “sanfona” é um instrumento musical cordófono que remonta
ao século 11. Instrumento cordófono é aquele em que uma corda esticada é
o elemento produtor do som. A sanfona é parecida com um violino, e de
fato o som é produzido da mesma forma como no outro instrumento:
friccionando-se as cordas esticadas. A diferença é que a melodia, ao
invés de dedilhada ou beliscada nas cordas com os dedos, é tocada a
partir de um teclado anexo à caixa de ressonância do instrumento, e, ao
invés de um arco, o dispositivo que fricciona as cordas é uma roda com
uma manivela. Ufa! Depois desta descrição com tantos detalhes, mostre
aos alunos uma imagem ou vídeo da sanfona, também chamada de viola de
roda. Você pode encontrar as imagens na internet.
Ainda assim,
“sanfona” é comumente o termo empregado para se referir a um
instrumento completamente diferente, o aerófono “acordeão”. Aerófono é
aquele instrumento cujo elemento produtor de som é a coluna de ar dentro
do instrumento. Nele, há duas caixas de ressonância ligadas por um
fole, dispositivo que origina a força produtora do som: a vibração
causada pela passagem do ar entre duas palhetas. As palhetas da sanfona,
diferentes daquelas empregadas ao se tocar violão ou guitarra, são duas
pequenas membranas rígidas que, ao vibrarem, produzem um som de altura
específica (isto é, uma nota musical determinada).
Em cada
caixa de ressonância há um dispositivo com função diferente: de um lado
fica o teclado, como no piano, e do outro, os botões do “baixo”. A
melodia de uma música é tocada no teclado (ou, em alguns instrumentos,
por outro conjunto de botões que fazem as vezes das teclas). Já a
harmonia – o acompanhamento da melodia – é feita no outro lado, quando o
instrumentista pressiona os botões do “baixo”. O som resultante é a
sustentação da melodia – em uma banda, este seria o papel do contrabaixo
juntamente com a guitarra que toca os acordes.
Desta forma, a
primeira sanfona de Gil sai em vantagem em relação à de Gonzaga: a desta
tinha 8 baixos, ou seja, oito botões para que se tocasse a base da
música. Já a de Gil tem 88 botões, possibilitando uma gama maior de
acompanhamentos. Ainda assim, foi com seu fole, pé de bode, concertina,
harmônica; enfim, sanfona de 8 botões que Gonzaga fez sucesso.
3º etapa
Há um outro elemento ligado ao baião que você pode destacar em suas
aulas: a feira livre, tema da canção “A feira de Caruaru”, sucesso
composto por Onildo Almeida e gravado por Gonzaga em 1957:
Peça aos alunos que ouçam a música e discuta:
1) Que instrumentos há no arranjo?
2) Qual é o ritmo da canção?
3) De que trata a letra?
Em seguida distribua cópias da letra para todos e destaque que os
números marcados se referem a produtos da feira. Ouça novamente a música
e solicite que o grupo acompanhe. Prossiga com os questionamentos:
quantos e quais destes produtos eles conhecem? Quais poderiam ser
encontrados na sua região?
A partir daí, apresente uma pequena
descrição da Feira de Caruaru, considerada a maior feira livre do mundo
e que existe há mais de 200 anos na cidade de Caruaru, em Pernambuco. O
comércio lá é variado: frutas, carnes, ervas, cereais, roupas, animais,
ferragens e artesanato, entre outras mercadorias. Duas manifestações
culturais significativas aparecem no lugar: a literatura de cordel e as
bandas de pífanos. Banda de pífanos é uma formação musical tradicional
da música folclórica brasileira, que pode ser ilustrada pelos enfeites
de argila comumente produzidos no nordeste do Brasil. O conjunto é
formado de pífanos (instrumentos de sopro da família da flauta) e
instrumentos de percussão como a caixa, o bombo, o surdo e o tambor.
O
aspecto cultural do evento valeu o registro de Bem Cultural Registrado
na lista do Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN – Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 2006. Para mais
informações, consulte as referências abaixo. O site da feira também vale
a visita. Assim que o internauta acessa o portal, ouve a música cantada
por Gonzagão indicada neste plano.
Sugira que os adolescentes
façam uma pesquisa para conhecer melhor os objetos que aparecem na letra
e que são desconhecidos por eles. O resultado deverá ser compartilhado
com todos.
4º etapa
Depois da
contextualização histórica e do primeiro exemplo de audição, chegou a
hora de tocar. Usando percussão corporal, faça uma roda de baião na sala
de aula!
Separe a letra de “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e
Humberto Teixeira. Comece estimulando os alunos a cantarem (ou ouvirem
uma gravação) e baterem palmas no ritmo da música:
Explique que uma canção tem dois tipos de ritmo: o ritmo real,
aquele das sílabas das palavras, e o pulso, ou seja, o ritmo constante
que nos permite “bater o pé” ou dançar acompanhando a canção. Neste
caso, vamos bater justamente o ritmo do pulso com palmas.
Provavelmente, o resultado da execução será como no esquema abaixo, em
que se representam a letra da música e os momentos em que bate o pulso
da canção:

Agora
vamos substituir a simples batida de palmas no pulso por outra célula
rítmica característica do baião. Trata-se de uma versão reduzida daquilo
que é tocado pela zabumba ao fazer o ritmo do baião. A zabumba é um
instrumento de membrana que possui duas peles. Em cada uma o som
resultante é diferente por conta do tipo de elemento usado na percussão:
na pele de cima, é uma baqueta que produz som mais grave; na de baixo, é
uma vareta que produz som mais agudo. Em nossa execução, vamos
trabalhar igualmente com dois sons: o grave será feito com uma das mãos
batendo no peito; e o som mais agudo será executado com uma palma.
Graficamente, o ritmo fica assim:

O que está em verde é o pulso da música. Em laranja estão os toques no
peito, e em vermelho, a palma. A contagem em “1, 2, 3” é para evidenciar
que cada frase é uma composição de 8 tempos, isto é, 8 sons em
sequência, sendo que a duração do ritmo da palma é ligeiramente menor do
que o dos toques no peito.
Na prática, procure ouvir uma
gravação de baião e acompanhar com as palmas. Experimente! Se tiver
dúvidas, acompanhe o início (00:03 a 00:12 segundos) deste vídeo demonstrativo, em que o pulso é feito com batidas do pé.
Uma
vez que todos pegarem o ritmo, cantem “Asa Branca”. Se preferirem,
façam uma sobreposição rítmica: metade da sala pode tocar o pulso da
música com os pés, e a outra metade, tocar o baião.
Além de
escolher previamente diferentes obras de Luiz Gonzaga para esta etapa,
seja cantando em sala ou acompanhando enquanto se escuta, proponha aos
alunos um desafio para conclusão das práticas: uma nova célula rítmica
mais complexa.
Desta vez, peça uma ampliação, incluindo os
outros tempos representados na imagem acima. Para tal, utilizaremos um
novo timbre: o dos estalos de dedo. Neste caso, nossa percussão terá
três timbres, executados por cinco diferentes movimentos: toque da mão
no peito (seja a mão direita ou a esquerda); palma; e estalo (seja de
uma ou da outra mão).
A frase é formada por 8 tempos, que podem
ser praticados bem lentamente no início, e acelerando. “Dir” se refere à
mão direita que produz o estalo ou então bate no peito; “esq” é a mão
esquerda. A sequência é:
Peito (dir) – Estalo (esq) – Estalo (dir) – Peito (esq) – Estalo (dir) – Estalo (esq) – Peito (dir) – Estalo (esq)
A sequência, portanto, deve ser tocada sem parar. Na prática, você vai
notar que a troca das mãos é natural; o cuidado deve ser com o final,
pois são apenas 8 tempos.
Será que a classe consegue cantar e
bater o ritmo ao mesmo tempo? Proponha ainda variações: um grupo pode
fazer o ritmo, e outro, a célula mais simples enquanto canta. Caso tenha
dúvidas, o ritmo proposto para esta etapa está na parte central do
vídeo demonstrativo (00:12 a 00:21 segundos).
Por fim, sugira
uma substituição nesta sequência para que a frase fique ainda mais
complexa, mas sonoramente mais parecida com a zabumba: basta substituir o
último toque no peito (sublinhado na sequência acima) por uma palma.
Que tal? Se precisar, consulte a parte final do vídeo demonstrativo
(00:21 segundos até o final).
Agora é aproveitar o repertório
de Gonzagão para colocar em prática as sugestões de ritmos. Seja
criativo: mescle sequências, sobreponha-as e comande os grupos.
Vale destacar que as atividades propostas são sugestões para a criação
de novas possibilidades de prática musical com os alunos. Por isso,
adapte de acordo com o contexto da sua escola, e sempre procure treinar
os movimentos antes da aula, bem como separar a maior variedade possível
de informações históricas, imagens, áudios e vídeos para que a aula se
torne ainda mais dinâmica e interessante musicalmente para os alunos.
Avaliação
A participação dos alunos nas discussões, pesquisas e práticas musicais
é a principal medida para avaliação. Deve haver comprometimento dos
alunos com as atividades. Além disso, pesquisas complementares e
práticas musicais em aulas seguintes podem originar instrumentos de
avaliação muito ricos. Lembre-se de que, conforme o pensamento de alguns
pedagogos musicais, a avaliação da atuação dos alunos nas práticas
musicais é fundamental em aulas de música.
– Sobre Luiz Gonzaga
LUIZ GONZAGA. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
LUIZ GONZAGA. In: Cliquemusic.
– Sobre o baião
BAIÃO. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
BAIÃO. In: Cliquemusic.
– Sobre a Feira de Caruaru
GASPAR, Lúcia. Feira de Caruaru. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife, mar. 2010. Disponível na internet. Clique aqui para acessar.
IPHAN. 9. Feira de Caruaru. Principal, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, s d. Disponível no site do IPHAN.
Professor de musicalização na Alecrim Dourado Formação Musical, em Curitiba (PR)
domingo, 26 de maio de 2013
Festa junina, só se fizer sentido
Conheça duas experiências de escolas que fazem da
festa um momento para ampliar a integração com a comunidade e oferecer
novas aprendizagens aos alunos.
Antes
de planejar a festa junina da escola é preciso saber se a comemoração
realmente faz sentido para a comunidade escolar. As ações para o dia do
evento devem ser programadas com antecedência para que não interfiram
negativamente no calendário letivo e todos – alunos, professores, pais e
funcionários – têm de ser envolvidos no planejamento.
Roberta Panico, especialista em gestão escolar e coordenadora pedagógica
da Comunidade Educativa CEDAC, em São Paulo, é preciso muita atenção
para não submeter os alunos a situações de constrangimento – como
obrigá-los a dançar ou comparecer fantasiados, sem que entendam o
propósito das atividades.
para a escola, seja pela venda de produtos (alimentos, ingressos ou
“vales” para as brincadeiras), seja pela promoção de concursos como o
“Miss Caipira”, bastante comum em alguns estados, é outra ação que tem
de passar longe dos objetivos listados pela equipe gestora.
a seguir experiências de duas escolas que pensaram a festa junina como
um bom momento para oferecer novas aprendizagens aos alunos e trazer as
famílias para dentro da escola.
O Centro Educacional de São Gonçalo do Rio Abaixo, a 84 quilômetros
de Belo Horizonte, foi criado há dois anos e tem 410 alunos
matriculados no Ensino Fundamental II – 70% deles de comunidades rurais
do município. Em 2010, para apresentar a escola aos moradores do entorno
e aproximar as famílias, a equipe da diretora Geiza Maciel resolveu
promover a festa junina – uma das manifestações culturais mais
tradicionais na cidade.
objetivos do evento e nas estratégias adotadas para envolver a
comunidade. Uma lista de atividades foi elaborada – organização da
estrutura física da escola para a festa, montagem do cardápio e
distribuição dos convites. Professores e funcionários candidataram-se à
coordenação e realização das funções.
questões religiosas (no Catolicismo, as festas juninas são celebrações
dos dias de Santo Antônio, São Pedro e São João), a festa foi planejada
somente com foco nas manifestações culturais de São Gonçalo. “A escola é
uma instituição laica. Trabalhamos para não conferir qualquer caráter
religioso à festa”, afirma a diretora. Uma gincana foi organizada
envolvendo pais, alunos, professores e funcionários. Cada turma da
escola tinha como missão trazer participantes para a festa e preparar
números artísticos, desde que não fossem religiosos. Os ensaios
aconteciam fora do horário de aulas, de acordo com o combinado entre os
membros de cada equipe.
mostraram coreografias e ajudaram na decoração, enquanto os professores
foram personagens do casamento caipira. O objetivo era que cada turma
organizasse apresentações relacionadas às manifestações culturais das
comunidades em que vivem – por exemplo, as músicas e a dança das
congadas, no caso dos alunos vindos de comunidades quilombolas da
região; ou as modas de viola, entoadas por pais e alunos de comunidades
rurais. “De forma alguma permitiríamos que a figura do caipira fosse
estereotipada. Muitos dos nossos alunos são de comunidades rurais e isso
é de uma riqueza cultural enorme”, conta Geiza.
Educacional conseguiu transporte público gratuito para levar os
moradores à festa junina. Com apoio da Prefeitura Municipal, cada aluno
da escola tinha direito a um “vale-transporte” para quatro pessoas. Na
festa, pipoca, caldo de feijão e outros pratos tipicamente juninos,
todos preparados pelas merendeiras da escola, foram distribuídos
gratuitamente. “A festa aconteceu em um sábado e as funcionárias que
trabalharam na sexta à noite foram devidamente remuneradas por isso. Não
podemos fazer da festa junina uma fonte de arrecadação de fundos para a
escola. É um momento de comemoração e de engajamento da equipe”, afirma
a diretora.
escola, com a ajuda de professores e funcionários e fora do horário de
aulas. No fim da festa, todos os participantes – inclusive pais e alunos
– colaboraram com a limpeza. Ajudaram a desmontar as barracas e a
separar os materiais recicláveis do lixo orgânico.
de 2011, a origem e as tradições juninas estão sendo trabalhadas nas
aulas de Língua Portuguesa e de História. “Queremos reforçar o caráter
laico de nossa festa ao trabalhar com os alunos as diferentes
manifestações culturais do período e as origens dessa celebração que,
antes de tornar-se uma festa católica, surgiu como uma celebração pagã”,
explica Geiza.
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