“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.
Artigo de Hermann Hoffman, sergipano, acadêmico do 5°
ano de Medicina. Membro do Núcleo Internacional do PT em Cuba.
falecomhermann@gmail.com Obs: para não deixar dúvida: o titular deste
espaço apoia a vinda dos médicos.
queríamos que fosse verdade: NÃO TEMOS MÉDICOS PARA O ATENDIMENTO. No
tatame, o Governo versus Conselho Federal de Medicina (CFM).
serviços médicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Muitas vezes por um
simples problema, outras, por está ante a situação mais difícil de ser
enfrentada: a morte aproximando-se pela falta de assistência médica. Os
pacientes, sem o atendimento adequado, são entregues a própria sorte,
restando apenas a esperança de encontrar algum alívio mediante o auxílio
dado por enfermeiros, técnicos e agentes comunitários.
resposta nem sempre é tão fácil e pequena como a pergunta. O médico não
está porque sempre chega atrasado à unidade de saúde, pois tem três
locais de trabalho, (quase 30% dos médicos brasileiros possuem quatro ou
mais empregos e o tempo fica curto, é necessário inventar um dia de 48
horas), ou pior, porque simplesmente não existem médicos que ofereçam
cobertura assistencial nas áreas de difícil provimento.
esta luta de alta prioridade no Brasil, são os principais que impõem
freios e fazem a oposição aos propósitos do Governo Federal.A batalha já
é épica. Por um lado o Conselho Federal de Medicina, defendendo a
proposta desumana e irresponsável, que o Brasil não necessita de mais
médicos e assim criando obstáculos para registrar novos profissionais
formados no exterior. Por outro, o Governo Federal, que há poucos dias
anunciou que irá contratar mais de 6 mil médicos cubanos para
trabalharem no Brasil, como também a disposição para aumentar o número
das escolas de medicina no país e humanizar a revalidação dos diplomas
de milhares de brasileiros que estudam em países como Argentina, Bolívia
y Cuba.
meses da publicação de dois estudos do CFM em parceria com o Conselho
Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). As pesquisas se tratam da
“demografia médica no Brasil”, e revelam situações absurdas que
conspiram contra o próprio colégio médico, quando foi ineficiente para
regular a distribuição médica no Brasil e agora culpa o Governo.
Somando-se a tudo, o CFM também tem promovido atos públicos, com
parlamentares e profissionais da saúde, contra a entrada dos médicos de
outros países.
que as entidades médicas envidarão todos os esforços possíveis e
necessários, inclusive as medidas jurídicas cabíveis para evitar que o
Governo concretize o convênio para a chegada dos médicos cubanos no
Brasil. O jogo do colégio médico é de marcado interesse e agressividade,
onde valem mais as cédulas verdes (dólares) que as células vivas
(vida).
Brasil tinha menos de 2 médicos para cada mil habitantes, somente em
2021 chegará próximo a (2,5). Em 2050, baseado em projeções, teremos 4,3
médicos por 1.000. Ora, diante de uma realidade como esta, devemos
esperar quase 8 anos para ter menos de 3 médicos por 1.000?
Pan-americana da Saúde (Opas), esta última que apoia a entrada no Brasil
de médicos cubanos, nossa vizinha, a Argentina, em 2005, possui mais de
3 médicos por 1.000 habitantes, quantidade que o Brasil somente
alcançará em 2031 neste ritmo. Já Cuba, a título de comparação, ainda em
2008 ostentava quase 7 médicos por 1.000 habitantes. É confiando na
legitimidade dos números apresentados pelo CFM, “demografia médica no
Brasil”, que não vem a ser uma crença, o que os setores da gestão
governamental defendem: aumentando do número total de médicos em
atividade e saúde irá melhorar.
necessitamos de mais médicos, é igualmente correto que a distribuição
geográfica deve ser justa. Em 2011, dos quase 372 mil médicos
registrados no Brasil, aproximadamente 209 mil estavam concentrados na
Região Sudeste, e pouco mais de 15 mil na Região Norte, o cenário fiel
da péssima distribuição no território nacional.
visam melhorar tal situação distributiva. Uma delas é o Programa de
Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), lançado
recentemente pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e que promoverá a
atuação de mais de 4.000 médicos nos serviços da Atenção Primária,
beneficiando a população de 1.407 municípios do Brasil.
proposta do Senador Cristóvão Buarque. Que os médicos brasileiros
formados nas universidades públicas brasileiras trabalhem 2 anos em
pequenos municípios carentes para que o seus registros médicos sejam
reconhecidos. Seria uma forma de melhorar o atendimento onde muitos
médicos não querem se fixar.
somente a desigual distribuição dos médicos e a questão do precário
financiamento (sabemos que não é possível fazer mais com menos) é tornar
o problema superficial, no afã de converter-se em vítima. Uma coisa é
certa! É necessário urgência para a resolução deste flagelo, que seja
num ambiente tranquilo, sem que os burocratas do CFM convertam a tal
situação numa arena de mais agressão, típico deles.
decisão do Governo Federal de melhorar a saúde dos brasileiros
aumentando o número total de médicos a partir da cooperação
internacional.
para todos, e dizemos em voz alta: bem-vindos sejam os médicos cubanos e
de todas as partes, desde que ajudem a melhorar a saúde dos
brasileiros.
Recurso do STJ dificulta a vinda de médicos cubanos ao Brasil
Ao definir que um médico boliviano deveria revalidar diploma, Corte impede ideia do governo de importar profissionais de Cuba
Diego Abreu
Julia Chaib – Cidades
Publicação: 11/05/2013 06:33
Atualização:

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| Governo brasileiro quer trazer médicos de Cuba para suprir carência de profissionais, especialmente no interior do país. CFM reprova proposta |
Os critérios
para a revalidação de diplomas estrangeiros de medicina vão continuar
rígidos. É o que decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao julgar
um recurso da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), na
última quarta-feira, contra uma sentença que beneficiava um profissional
graduado na Bolívia. A decisão ocorreu na mesma semana que o governo
brasileiro anunciou a intenção de trazer 6 mil médicos cubanos para
trabalhar em áreas carentes. A proposta recebeu ferrenhas críticas de
entidades da categoria, principalmente, por existir a possibilidade de
que os estrangeiros não tenham a necessidade de revalidar os diplomas.
Esta
não seria a primeira vez que médicos de Cuba vêm ao país por meio de
convênio. De 1997 a 2005, Tocantins manteve um acordo de cooperação com a
Ilha para que médicos de lá trabalhassem no estado. Eles não precisavam
revalidar os respectivos diplomas. A decisão de quarta-feira foi
unânime entre os ministros da 1ª Seção do STJ, que conferiram às
instituições de ensino o direito de aplicar provas para avaliar os
conhecimentos do interessado antes de analisar a documentação e conceder
o aval indispensável para o médico formado no exterior.
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Enviado por luisnassif, qua, 08/05/2013 – 10:20 – aqui
tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos
cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.
seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos
cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do
governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Alexandre Padilha,
já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve
seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto,
o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente
para o país. Isto é uma interpretação desonesta.
portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos
cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar
diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos
anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de
sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal
têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo
(não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade).
Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o
discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não
é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.
cubanos desde 2009. Aqui também há dificuldade de convencer os médicos a
ir trabalhar em regiões mais longínquos, afastadas dos grandes centros.
Os cubanos vieram estimulados pelo governo, fizeram prova e foram
aprovados em grande maioria (mais à frente vou dar maiores detalhes
deste fato). A população aprovou a vinda dos cubanos, e em 2012, sob
pressão popular, o governo português renovou a parceria, com amplo apoio
dos pacientes. Portanto, um dos países com melhores resultados na área
de saúde do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o seu
trabalho.
que ser submetidos a provas aí no Brasil. Não faz sentido importar
profissionais de baixa qualidade. Como já disse, o próprio ministro da
saúde diz concordar com isso. Eu mesmo fui submetido a 5 provas aqui em
Portugal para poder validar meu título de especialista. As minhas provas
foram voltadas a testar meus conhecimentos na área em que iria atuar,
que no caso é Nefrologia. Os cubanos que vieram trabalhar em Medicina de
família também foram submetidos a provas, para que o governo tivesse o
mínimo de controle sobre a sua qualidade.
médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Fui
procurar dados sobre o Revalida, exame brasileiro para médicos
estrangeiros e descobri que no ano de 2012, de 182 médicos cubanos
inscritos, apenas 20 foram aprovados (10,9%). Há algo de estranho em
tamanha dissociação. Será que estamos avaliando corretamente os médicos
estrangeiros?
ao final do curso de medicina. Não seria justo que os médicos
brasileiros também só fossem autorizados a exercer medicina se passassem
no Valida? Se a preocupação é com a qualidade do profissional que vai
ser lançado no mercado de trabalho, o que importa se ele foi formado no
Brasil, em Cuba ou China? O CFM se diz tão preocupado com a qualidade do
médico cubano, mas não faz nada contra o grande negócio que se tornaram
as faculdades caça-níqueis de Medicina. No Brasil existe um exército de
médicos de qualidade pavorosa. Gente que não sabe a diferença entre
esôfago e traqueia, como eu já pude bem atestar. Porque tanto temor em
relação à qualidade dos estrangeiros e tanta complacência com os
brasileiros?
abro um parêntesis para contar uma situação que presenciei quando ainda
era acadêmico de medicina, lá no Hospital do Fundão da UFRJ.
brasileiro, tinha feito seu curso de medicina na Bolívia e havia
retornado ao país para exercer sua profissão. Como era de se esperar, o
rapaz foi submetido a um exame, que eu acredito ser o Revalida (na época
realmente não procurei me informar). O fato é que a prova prática foi
na enfermaria que eu estava estagiando e por isso pude acompanhar parte
da avaliação. Dois fatos me chamaram a atenção, o primeiro é a grande má
vontade dos componentes da banca com o candidato. Não tenho dúvidas que
ele já havia sido prejulgado antes da prova ter sido iniciada. Outro
fato foi o tipo de perguntas que fizeram. Lembro bem que as perguntas
feitas para o rapaz eram bem mais difíceis que aquelas que nos faziam
nas nossas provam. Lembro deles terem pedidos informações sobre detalhes
anatômicos do pescoço que só interessam a cirurgiões de cabeça e
pescoço. O sujeito que vai ser médico de família, não tem que saber
todos os nervos e vasos que passam ao lado da laringe e da tireoide. O
cara tem que saber tratar diarreia, verminose, hipertensão, diabetes e
colesterol alto. Soube dias depois que o rapaz tinha sido reprovado.
uma, e mesmo assim parcialmente. Mas é muito estranho os médicos cubanos
terem alta taxa de aprovação em Portugal e pouquíssimos passarem no
Brasil. Outro número que chama a atenção é o fato de mais de 10% dos
médicos em atividade em Portugal serem estrangeiros. Na Inglaterra são
40%. No Brasil esse número é menor que 1%. E vou logo avisando, meu
salário aqui não é maior do que dos meus colegas que ficaram no Brasil.
carentes do Brasil perguntar o que a população sem acesso à saúde acha
de virem 6000 médicos cubanos para atendê-los. Será que é melhor ficar
sem médico do que ter médicos cubanos? É o óbvio ululante que o ideal
seria criar condições para que médicos brasileiros se sentissem
estimulados a ir trabalhar no interior. Mas em um país das dimensões do
Brasil e com a responsabilidade de tocar a medicina básica pulverizada
nas mãos de centenas de prefeitos, isso não vai ocorrer de uma hora para
outra. Na verdade, o governo até lançou nos últimos anos o Programa de
Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que oferece
salários mensais de R$ 8 mil e pontos na progressão de carreira para os
médicos que vão para as periferias. O problema é que até hoje só 4 mil
médicos aceitaram participar do programa. Não é só salário, faltam
condições de trabalho. O que fazemos então? vamos pedir para os mais
pobres aguentar mais alguns anos até alguém conseguir transformar o SUS
naquilo que todos desejam? Vira lá para a criança com diarreia ou para a
mãe grávida sem pré-natal e diz para ela segurar as pontas sem médico,
porque os médicos do sul e sudeste do Brasil, que não querem ir para o
interior, acham que essa história de trazer médico cubano vai
desvalorizar a medicina do Brasil.
cubanos estão acostumados e aceitam trabalhar em condições muito
inferiores. Aliás, é nisso que eles são bons. Eles fazem medicina
preventiva em massa, que é muito mais barata, e com grandes resultados.
Durante o terremoto do Haiti, quem evitou uma catástrofe ainda maior
foram os médicos cubanos. Em poucas semanas os médicos dos países ricos
deram no pé e deixaram centenas de milhares de pessoas sem auxílio
médico. Se não fosse Cuba e seus médicos, haveria uma tragédia
humanitária de proporções dantescas. Até o New England Journal of
Medicine, a revista mais respeitada de medicina do mundo, fez há poucos
meses um artigo sobre a medicina em Cuba. O destaque vai exatamente para
a capacidade do país em fazer medicina de qualidade com recursos
baixíssimos (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1215226).
resultados na medicina brasileira. É no mínimo uma grande arrogância
achar que os médicos cubanos não estão preparados para praticar medicina
básica aqui no Brasil. O CFM diz que a medicina de Cuba é de má
qualidade, mas não explica por que a saúde dos cubanos, como muito menos
recursos tecnológicos e com uma suposta inferioridade qualitativa, tem
índices de saúde infinitamente melhores que a do Brasil e semelhantes à
avançada medicina americana (dados da OMS).
fazer cirurgia de válvula cardíaca ou que seja mestre em dar laudos de
ressonância magnética. Eles não vêm para cá para trabalhar em medicina
nuclear ou para fazer hemodiálises nos pacientes. Medicina altamente
tecnológica e ultra especializada não diminui mortalidade infantil, não
diminui mortalidade materna, não previne verminose, não conscientiza a
população em relação a cuidados de saúde, não trata diarreia de criança,
não aumenta cobertura vacinal, nem atua na área de prevenção. É isso
que parece não entrar na cabeça de médicos que são formados para serem
superespecialistas, de forma a suprir a necessidade uma medicina privada
e altamente tecnológica. Atenção! O governo que trazer médicos para
tratar diarreia e desidratação! Não é preciso grande estrutura para
fazer o mínimo. Essa população mais pobre não tem o mínimo!
eles sejam avaliados em relação àquilo que se espera deles. Se os
médicos ricos do sul maravilha não querem ir para o interior, que
continuem lutando por melhores condições de trabalho, que cobrem dos
governos em todas as esferas, não só da Federal, melhores condições de
carreia, mas que ao menos se sensibilizem com aqueles que não podem
esperar anos pela mudança do sistema, e aceitem de bom grado os colegas
estrangeiros que se dispõe a vir aqui salvar vidas.
cara lê a Veja ou O Globo, se revolta com o governo, vai no Facebook,
repete meia dúzia de clichês ou frases feitas e sente que já exerceu sua
cidadania. Enquanto isso, a população carente, que nem sabe o que é
Facebook morre à mingua, sem atendimento médico brasileiro ou cubano.
Leia também:
Cultura e Saúde. Tudo a ver! Por que os médicos cubanos assusta. AQUI
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sobrinha Lívia de Oliveira Antunes, jovem médica, no facebook:”Eu
gostaria sinceramente de achar algum ponto positivo na vinda dos médicos
cubanos para o Brasil… qualquer ponto que seja… deixando os meus
interesses pessoais de lado e pensando unicamente na população que
necessita do atendimento, assim eu sofreria menos…
Agora se
tratando do fato de eu ser uma profissional da área de saúde e na maior
parte do tempo após a minha conclusão ter atuado no sistema público, sei
com toda convicção que o problema principal não está na falta de
profissionais, mas sim na falta de estrutura para exercermos a
medicina…
A verba destinada à saúde se fosse utilizada na saúde
resolveria grande parte das angústias de nossa população… triste é que
está verba acaba se perdendo nos “paraísos fiscais” nas contas de
políticos corruptos, FDPs, desgraçados e sem alma que não se importam em
matar muitas pessoas desde que seu patrimônio pessoal esteja em
ascensão….
6 mil médicos não resolvem… nem 12 mil… nem 50 mil…. o médico sozinho não consegue salvar vidas…
Sempre
fui completamente a favor da forma de administrar o país pensando nos
menos favorecido… sou a favor de todas as “bolsas” e das “cotas” da
vida… e, sou uma pessoa que ainda acredito na política…
Agora
querer trazer profissionais sendo que o que falta é instrumento para
trabalho, pra mim é a mesma coisa de contratar um monte de padeiro, só
que problema é a falta de farinha!!!
E se tem a falta de farinha… é pq o entregador FDP descarregou no seu terreno particular!”
A
classe médica brasileira está paralisada com a vinda de 6000 médicos
cubanos, com diplomas não revalidados no Brasil, sem que tenhamos sido
chamados para o debate com o Governo. Sabemos que a postura: não venham
os cubanos pois isso é ruim para a classe médica brasileira, não
funciona, pois tem algo maior que é o atendimento em saúde da população
brasileira. Temos consciência de que se quisermos ser ouvidos e
respeitados como classe, precisamos encarar o desafio de construir
propostas para realmente resolver a demanda de grande parte da população
brasileira que não tem acesso a saúde.
Seria o momento de União
de todas entidades médicas CFM, CRMs, Sindicatos, FENAM, ANMP para criar
uma estratégia conjunta de ação:
1) Análise dos reais motivos pelos
quais não se consegue fixar médicos em determinadas regiões. (falta de
plano de carreira, falta de estrutura de trabalho, falta de acesso a
qualificação…)
2) Argumentação mostrando que não basta apenas ter
médico para se ter saúde, essa visão simplista na verdade é uma
maquiagem para iludir a população e possibilitar os grandes desvios de
verbas da saúde.
3) Estudo do percentual de verbas da saúde que é desviado e não chega a população.
4)
Criação de uma proposta conjunta considerando os ítens anteriores para
se resolver a ausência de médicos em determinadas regiões, mas que
esses venham para trazer saúde não para maquiar a realidade e iludir a
população.
5) Colocar toda classe médica para dialogar com o governo
no sentido de realmente resolver o problema, criando um plano de
carreira para os médicos do SUS, utilizando médicos das forças
armadas, o trabalho de recém formados do PROUNI-FIES, fornecendo
qualificação continuada aos profissionais de saúde, criando uma
estrutura de trabalho adequada… Que os médicos venham para realmente trazer saúde.
O objetivo primordial de um Governo é proteger seus cidadãos.
Adicionado em 14 de Maio de 2013 (abaixo)
denunciar as políticas de saúde
denunciar as políticas de saúde no Brasil!*
pensar na Revolução e ainda no Moncada já
saúde, e quando estávamos na Serra
de saúde a toda população com que tínhamos
dentistas e enfermeiros que se incorporavam ao
convicção, um dever elementar dos
do ponto de vista moral, também na prática
atenção, mais recursos materiais e humanos
Castro ****
internacional de Atenção Primária em Saúde,
bombástica anunciada pelo governo brasileiro: nos
ao Brasil o primeiro contingente dos mais
Cuba previstos até 2015. O fato está gerando
brasileira, permitindo que na polarização
principais da polêmica, assim como suas
debate aparece um tema coadjuvante,
não menos gerador de polêmicas e
brasileira, a revalidação dos diplomas médicos
máscaras*
brasileiro, presidido por Dilma Roussef (PT). Por
conservadores da sociedade brasileira,
Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica
porta-vozes do *status quo* e do atual
Brasil, em que a saúde não é mais que uma
terceiro ponto de vista, que trataremos de
maio o convênio realizado em parceria com
milhares de profissionais da medicina desse país
em 3 áreas do Brasil: sertão nordestino e
Jequitinhonha; periferia das grandes cidades.
do governo federal “Brasil mais Médicos”,
“interiorizar” o acesso à saúde no país. Desse
Programa de Valorização dos Profissionais na
paralelo, o governo federal tem reduzido
nacional destinado à área da saúde
de mais de 5 bilhões de reais), assim
serviços e da infra-estrutura pública da
através de parcerias público privadas como as
Fundações Estatais de Direito Privado
Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e
Hospitalares (EBSERH). Tais medidas vêm –
precarizar o acesso à saúde de grande parte da
privada dos serviços, pesquisas e da
gerar lucro e retirar direitos trabalhistas
se não bastasse, a presidenta Dilma
subsídios estatais para os planos privados
pensamos em atenção integral em saúde, afunila
atenção primária e os demais níveis de
trabalhadores, saúde básica e precária; atenção
concentrada nos setores privados.****
projeto de “interiorização” da saúde no
médicos de Cuba e o PROVAB – atuaria apenas na
profissionais de forma efêmera e precária para
sua profunda estrutura baseada no controle
farmacêutico da saúde, em que a existência
alicerce para a acumulação privada de capitais
profunda cisão entre a atenção básica de
especialização. Enquanto isso, em se tratando
em saúde, dos anos de **2000 a** 2013 foram
26 públicas e 68 particulares, números
do sistema nacional de saúde, em que a
saúde é hegemonicamente voltada para o
interesses do complexo médico-industrial e
empresas da educação superior. E pior, até mesmo
modelo é hegemônico. Com esses elementos,
projeto de levar médicos para o interior do país
política substancial que modifique o
uma atenção integral a toda população
vinda dos médicos cubanos ao Brasil, os
nossa sociedade começam a mostrar seus dentes
como porta vozes o CFM e a AMB, entre
discurso que preza pela qualidade da atenção à
corporativistas estão mais interessados em manter o
médica, fundamentados na medicina privada,
controle pelo complexo médico-industrial e
de saúde, inclusive alimentando-se da
pública para reverter exorbitantes recursos
são xenófobos e anti-populares em sua
da sociedade brasileira e, com o medo
nacionais (em permanente contra-revolução
munição de mentiras e manipulações para
dos médicos cubanos, contestando sua
assim como soltando todo seu veneno e
Cuba e seu sistema socialista. **
processo determinado socialmente*
sociedade é determinado socialmente, e assim
existentes em um modo de produção específico. É
da saúde desde uma perspectiva de classe e
societários das classes em luta, ou ficaríamos
próprio rabo, girando sem rumo. Se nosso
profundamente suas estruturas, torna-se fundamental
perspectiva societária dos trabalhadores e dos
capitalista, aspecto de grande relevância
sociedade isenta da exploração entre seres
coletivizada e de trabalho essencialmente
saúde passa, de fato, a ser pensada como a
materiais e subjetivas de cada indivíduo
e não apenas como ausência de doenças. É
construção de um sistema de saúde
estatal, gratuito, que permita o acesso a
saúde e com alta qualidade para todos os
popular seja o principal instrumento de
****
mudanças estruturais do sistema de saúde sem
estrutura econômica e social de um país.
insere no sentido de negar o modo de produção
gerador de doenças; a luta por um outro
se inserida numa estratégica
necessário, como bandeiras táticas, defender
nacional direcionados ao pagamento da dívida
empresários, da isenção de impostos aos
nossos recursos naturais e infra-estrutura ao
redirecionados aos gastos sociais, única forma de
integral e de alta qualidade ao sistema de
recursos humanos, como para a
acesso ao sistema de saúde, são necessários
nacional voltados para as áreas de
previdência, à arte e cultura, ao esporte, à
apenas com uma Universidade Popular – que
povo trabalhador, do ensino à produção de
garantir a formação de profissionais da
elevação da qualidade de vida dos setores
permanência consciente e voluntária no interior
acompanhado da ampliação de uma
integral **em saúde. Não** existem
para resolver esses problemas.****
saúde*
de 1º de janeiro de 1959, conhecido como
saúde no país modificou-se completamente.
edificava uma nova forma de organização social –
produção, do trabalho, das riquezas e do
profundamente o padrão de saúde e doença do povo
Cuba é indiscutivelmente uma potência nas
biotecnologia. Sobre a primeira basta dizer que tem
de nosso continente (mortalidade infantil
vivos; 78,9 anos de expectativa média de vida
dados da Organização Mundial da Saúde
proporções médico/habitante do mundo (1
Cuba hoje é considerada, por um estudo da
para a maternidade do mundo (o melhor da
exemplar programa materno-infantil e pelos
Na área da biotecnologia, mesmo
milhões de habitantes, pobre em recursos
economicamente pelo maior e mais sanguinário império
produz mais de 80% dos medicamentos que
vacinas para mais de 50 países, desenvolve
câncer, células tronco, úlcera diabética,
para resumir alguns dos avanços
saúde. ****
exporta esse modelo de saúde para o mundo,
ininterruptas desde os primeiros anos da
devastados por desastres e epidemias na Ásia,
pela formação de profissionais de saúde em
principalmente pela Escola Latino Americana de
30 mil médicos cubanos colaborando em
contingente de mais de 20 mil estudantes de
grande maioria nas áreas da saúde. O
equilibra um alto nível de preparação
níveis de atenção em saúde) com a formação
indispensáveis para uma formação integral
fundamentados na saúde como direito universal e
integral e na solidariedade entre os povos.
internacionalistas, ainda que existam quase 30 mil médicos
um sequer consultório de saúde de família
primária em saúde no país) em que o médico
Brasil, não seria fato incomum encontrar um
famílias **em uma Unidade Básica** de Saúde.
diferenças entre o sistema de saúde brasileiro em
analisarmos que o número de médicos por habitantes
enquanto que a média do Brasil é de 1/555
vez que no estado do Rio de Janeiro é de
Vale ressaltar que no Brasil, diferentemente
não é igual para todos e tais proporções
habitante ficam ainda piores se considerarmos
serviços privados de saúde e dependem
que pensar sobre a vinda dos mais de 6 mil
destacar que a vinda dos mais de 6 mil cubanos
de Cuba e não deve alterar de forma
de seu povo, pelo contrário, já que grande
pelo convênio com o Brasil serão
infra-estrutura da área, que mesmo com os 12%
direcionados à saúde, tem dificuldades
importante saber que o perfil dos
é de médicos e médicas com ampla
mínimo 2 missões cumpridas anteriormente)
técnico-científico, sendo que todos são especialistas **em
(Medicina da Família no Brasil) e a maioria tem
de mestrado em áreas da educação. ****
fato é que sua chegada, ainda que trabalhem
inadequadas, modificará significativamente os
irão atuar, principalmente em se tratando
ocasionados por doenças infecto-contagiosas, que
vulneráveis como as crianças menores de 5
entanto, a falta de recursos, de
saúde que permitam a atenção integral à
milímetro sequer.
contradições que a vinda dos cubanos irá
debate sobre Cuba e seu modelo
acontecerá em todos os espaços onde um cubano
trabalhando, assim como um intenso combate de
brasileira. Outro ponto é que, ainda que não
permitirá levar algum acesso à saúde para
governos do Estado burguês, elemento que não
pensamos que o conceito de saúde é muito
de doenças. Ainda neste ponto, a presença
desencadear um debate/mobilização sobre a
recursos à saúde, da formação de recursos humanos
permita uma atenção integral e de alta
um sistema 100% público e estatal. ****
tona é o urgente debate sobre a revalidação
exterior, hoje centrado num discurso
Conselho Federal de Medicina e seus apêndices
considerar a saúde da população preocupa-se com
assim trata a saúde, como uma mercadoria
intuito de dificultar a entrada de
realizando provas com alto grau de
barco os indivíduos que vão buscar
(principalmente em universidade privadas da
projeto internacionalista de Cuba para a
consciência para a América Latina e o
que os princípios da saúde com um direito
integral e de alta qualidade, convivem com
humanismo, o altruísmo e o
****
formação e o reconhecimento internacional de
médica, existe uma homogeneidade da formação
ensino superior, sem as grandes
existem no Brasil. E para além da inegável
médica, há nos médicos formados em Cuba uma
lugar no mundo, com a questão humanística
experiência que é levada por eles aos
estão presentes. Por esses motivos é
processo de revalidação imediato dos brasileiros
complementação curricular à realidade brasileira
Saúde (SUS). O mesmo deve ser defendido para
instituições de qualidade reconhecida
problemática da revalidação dos demais diplomas
mesmo debate a respeito da validação dos
sintonia com um sistema de avaliação nos
medicina dentro do território nacional. No
de um método de avaliação da formação
qualidade da formação e de promover os
necessários nas escolas médicas para manter e
formação. Deve ir, necessariamente, muito além de
graduados em medicina; passa pela avaliação
instituição, do corpo docente e discente, da
científica e da extensão, qualidade dos
assistência estudantil. Esta é a única forma
faculdades de medicina que não são mais do
nacional de revalidação dos diplomas
REVALIDA, é tão fragmentado e insuficiente quanto
para os graduados de medicina no Brasil, que
rechaçados pelos estudantes, professores e
faculdades de medicina do país, entre
nacional[3].****
exame de ordem do direito e da medicina
prova para regular a entrada de profissionais
respaldar suas tentativas de controle da
partir do discurso da defesa da qualidade dos
o projeto de exame de ordem encabeçado
norteador não o interesse dos usuários dos
do atendimento, mas a regulação da entrada
Interessante observar que nas lutas reais
saúde, a luta contra a privatização dos
fundações da área da saúde, em defesa de
mais verbas para a educação pública, entre
não participam.****
frente a essa política?*
milhares de cubanos e cubanos já desencadeou uma
idéias e das ações. É um momento em que as
antagônicas dentro do sistema capitalista se
dos revolucionários deve ser de crítica
saúde do governo Dilma, mas de defesa dos
qualquer momento de divulgar ao conjunto da
mais essa política paliativa, que ao mesmo
altamente qualificados de Cuba para
estrutura adequada, corta recursos da saúde e
infra-estrutura da área, para direcionar os
banqueiros e empresários do Brasil e do mundo.
importância a construção de um forte e amplo
cubanos assim que cheguem em território
estará em risco, inclusive, sua segurança
é aproveitar o momento de debate para
diplomas dos brasileiros e brasileiras graduados
Medicina em Cuba, com a devida complementação
públicas do Brasil.****
estado cujo governo estadual em 2005 celebrou
centena de médicos cubanos, mostrou que os
sociedade não estão no jogo para brincar.
violentas ameaças naquele momento e, depois de uma
expulsos do Brasil. Esse fato, caso se repita,
mobilização social, que desde já deve ser
debate em torno à luta por um sistema de
integral e de alta qualidade, contra qualquer
privatização/precarização e em defesa dos médicos e médicas de
assim como da rebelde, incansável e
exemplo de valores, de idéias e de
América Latina e do mundo. E aos que insistem *
munidos de Eduardo Galeano: ****
nem foi linear o caminho. Quando
ocorrem nas condições possíveis. Em um mundo que
criou uma sociedade solidária a um passo do
todo esse tempo tenho amado muito esta
acertos, o que seria fácil, senão também
contradições. Também em seus erros me reconheço:
por pessoas simples, gente de carne e
nem máquinas infalíveis. A Revolução
incessante fonte de esperança. Aí estão,
dúvida, essas novas gerações educadas para a
para a criação e não para o consumo,
competição. E aí está, mais forte que
de que a luta pela dignidade do homem não é
demonstração, palpável e cotidiana de que o mundo
realidade e não só na imaginação dos profetas.”*
medicina na Escola Latino Americana de
“Cuba: Health Profile”, 2010. ****
Medicina/IBGE, 2010
sobre o tema consultar o link:
Acrescentado (abaixo) em 15/06/2012
Amaral Cavalcante

