A VIDA IMITANDO A ARTE
Virginia Lúcia
Virginia Lúcia
“Intitulado ‘Águas Divididas’, o espetáculo se baseia numa parábola que
conta a história da viagem de um comerciante (o explorador) que sai com
um guia e um carregador (explorados) em busca de petróleo (a riqueza)
através de uma região deserta. O enredo é permeado de muita reflexão
sobre a condição humana dentro do universo superficial e capitalista em
que a sociedade está inserida.”
Na noite do dia 04 de abril, quinta-feira passada, ocorreu aqui em
Sergipe, no Teatro Lourival Baptista em Aracaju a encenação da peça
teatral A ÁGUA DIVIDIDA, adaptada a partir do texto A exceção e a
Regra, do Autor, Poeta e Filósofo alemão Bertolt Brecht. O espetáculo
fez parte da programação do III festival sergipano de teatro. A vida
imitando a arte produzia naquele instante
uma situação emblemática para simbolizar a injustiça e a impunidade que
se enraíza cada vez mais em nosso Brasil. Vejam como a mensagem de
Brecht ainda é tão atual:
Praticamente no mesmo instante do
espetáculo era anunciada a absolvição de um assassino, tendo como cena
principal o julgamento dos assassinos do casal de extrativistas Claudio
Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, em 24 de maio de
2011, em Nova Ipixuna – PA. Os irmãos Lindonjonson Silva da Rocha e
Alberto Lopes do Nascimento foram condenados pelas mortes do casal de
extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da
Silva, em 24 de maio de 2011, em Nova Ipixuna.
Já o fazendeiro
José Rodrigues Moreira, considerado o mandante do crime, foi absolvido
pelo Júri (estariam intimidados?). Lindonjonson recebeu a pena acumulada
de 42 anos e 8 meses, enquanto que o irmão Alberto foi condenado a 45
anos. Agora é só esperar que desses anos todos da pena imputada, devem
cumprir 5 ou 7 anos apenas, se não fugirem antes. Ê Brasil, pátria da
impunidade. Os carrascos vão presos e o mandante é absolvido. O povo se
revoltou e teve até quebra-quebra. A acusação irá recorrer.
Sinopse
Um pequeno grupo participa de uma disputa em direção à cidade de Urga. A
expedição que chegar primeiro receberá como prêmio uma concessão para
explorar petróleo. Durante a viagem é mostrado de modo radical a relação
entre um patrão, um guia e um carregador, o que reflete a relação entre
explorador e explorados. Aqui são representados as justificativas e os
mecanismos que legitimam o abuso de um e a submissão do outro. O Autor
Bertolt Brecht concede destaque final peara o papel do aparelho
judicial, e sua performance em defesa da classe dominante e
acobertamento de seus crimes. Assassinado pelo patrão quando lhe
oferecia um cantil com água em pleno deserto, o carregador morto é
julgado culpado, sendo seu algoz absolvido, queixoso ainda pelos danos e
prejuízos sofridos. Esta peça de Brecht foi escrita entre os anos
1929/1930, classificada como sendo um exemplar do teatro didático.
O
Grupo Raízes Nordestinas de Poço Redondo – Se apresentou esse trabalho
dentro da programação do III Festival Sergipano de Teatro. Os
espectadores foram premiados com uma bela execução da peça,
surpreendente pela qualidade geral, sobretudo musical e pelo êxito na
execução da estética brechtiniana, alcançado pela direção do Professor
Eduardo Fernando Montagnari, que assina a concepção, canções e tradução .
Com este trabalho do Grupo Raízes Nordestinas Sergipe dá mais um passo
na construção do teatro sergipano que mais uma vez faz o dever de casa,
levando à cena uma obra de tão grande relevância para a história
universal do teatro. Esperamos agora que o grupo tenha iniciativa e
apoio para circular com esse espetáculo. Estiveram presentes à
apresentação um público formado de artistas, estudantes, professores e
representantes de movimentos sociais e o público em geral. A ficha
técnica principal do trabalho é assim formada:
Elenco –
Temístocles Caldeira, Altair Soares, José de Barros, Ramielli Rafael,
Sueli dos Anjos, Ingracia Couto, Cícero dos Anjos, Rafaela Alves,
Arranjos e direção musical – Rinaldo Lima
Músicos – Cleilto Clawer, Janisson Santana, Rinaldo Lima e Rafaela Alves
Produção – Rafaela Alves
Maquiagem – Ingracia Couto
Concepção, canções e direção (tradução) – Eduardo Montagnari
“Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra”.
O Sr. Brecht solicita expressamente:
– Nunca ache natural o que acontece e torna a acontecer
Num tempo de confusão e violência
De desordem ordenada
Num tempo de arbitrariedade proposital
De impunidade descarada
Num tempo sombrio e triste
De humanidade desumanizada
Para que nada seja considerado imutável, nada!
Absolutamente nada!
Nunca diga: – isso é natural!
Bertolt Brecht (1989-1956)
Sergipe, no Teatro Lourival Baptista em Aracaju a encenação da peça
teatral A ÁGUA DIVIDIDA, adaptada a partir do texto A exceção e a
Regra, do Autor, Poeta e Filósofo alemão Bertolt Brecht. O espetáculo
fez parte da programação do III festival sergipano de teatro. A vida
imitando a arte produzia naquele instante
uma situação emblemática para simbolizar a injustiça e a impunidade que
se enraíza cada vez mais em nosso Brasil. Vejam como a mensagem de
Brecht ainda é tão atual:
Praticamente no mesmo instante do
espetáculo era anunciada a absolvição de um assassino, tendo como cena
principal o julgamento dos assassinos do casal de extrativistas Claudio
Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, em 24 de maio de
2011, em Nova Ipixuna – PA. Os irmãos Lindonjonson Silva da Rocha e
Alberto Lopes do Nascimento foram condenados pelas mortes do casal de
extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da
Silva, em 24 de maio de 2011, em Nova Ipixuna.
Já o fazendeiro
José Rodrigues Moreira, considerado o mandante do crime, foi absolvido
pelo Júri (estariam intimidados?). Lindonjonson recebeu a pena acumulada
de 42 anos e 8 meses, enquanto que o irmão Alberto foi condenado a 45
anos. Agora é só esperar que desses anos todos da pena imputada, devem
cumprir 5 ou 7 anos apenas, se não fugirem antes. Ê Brasil, pátria da
impunidade. Os carrascos vão presos e o mandante é absolvido. O povo se
revoltou e teve até quebra-quebra. A acusação irá recorrer.
Sinopse
Um pequeno grupo participa de uma disputa em direção à cidade de Urga. A
expedição que chegar primeiro receberá como prêmio uma concessão para
explorar petróleo. Durante a viagem é mostrado de modo radical a relação
entre um patrão, um guia e um carregador, o que reflete a relação entre
explorador e explorados. Aqui são representados as justificativas e os
mecanismos que legitimam o abuso de um e a submissão do outro. O Autor
Bertolt Brecht concede destaque final peara o papel do aparelho
judicial, e sua performance em defesa da classe dominante e
acobertamento de seus crimes. Assassinado pelo patrão quando lhe
oferecia um cantil com água em pleno deserto, o carregador morto é
julgado culpado, sendo seu algoz absolvido, queixoso ainda pelos danos e
prejuízos sofridos. Esta peça de Brecht foi escrita entre os anos
1929/1930, classificada como sendo um exemplar do teatro didático.
O
Grupo Raízes Nordestinas de Poço Redondo – Se apresentou esse trabalho
dentro da programação do III Festival Sergipano de Teatro. Os
espectadores foram premiados com uma bela execução da peça,
surpreendente pela qualidade geral, sobretudo musical e pelo êxito na
execução da estética brechtiniana, alcançado pela direção do Professor
Eduardo Fernando Montagnari, que assina a concepção, canções e tradução .
Com este trabalho do Grupo Raízes Nordestinas Sergipe dá mais um passo
na construção do teatro sergipano que mais uma vez faz o dever de casa,
levando à cena uma obra de tão grande relevância para a história
universal do teatro. Esperamos agora que o grupo tenha iniciativa e
apoio para circular com esse espetáculo. Estiveram presentes à
apresentação um público formado de artistas, estudantes, professores e
representantes de movimentos sociais e o público em geral. A ficha
técnica principal do trabalho é assim formada:
Elenco –
Temístocles Caldeira, Altair Soares, José de Barros, Ramielli Rafael,
Sueli dos Anjos, Ingracia Couto, Cícero dos Anjos, Rafaela Alves,
Arranjos e direção musical – Rinaldo Lima
Músicos – Cleilto Clawer, Janisson Santana, Rinaldo Lima e Rafaela Alves
Produção – Rafaela Alves
Maquiagem – Ingracia Couto
Concepção, canções e direção (tradução) – Eduardo Montagnari
“Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra”.
O Sr. Brecht solicita expressamente:
– Nunca ache natural o que acontece e torna a acontecer
Num tempo de confusão e violência
De desordem ordenada
Num tempo de arbitrariedade proposital
De impunidade descarada
Num tempo sombrio e triste
De humanidade desumanizada
Para que nada seja considerado imutável, nada!
Absolutamente nada!
Nunca diga: – isso é natural!
Bertolt Brecht (1989-1956)
