Daniel Viglietti: Cultura também se revolucionou na Venezuela

 A TEIMOSIA DO POVO VENEZUELANO: MADURO.  A
Venezuela está longe de ser o paraíso na terra. Mesmo assim, seu povo
insiste em avançar na contracorrente das advertências oferecidas pela
mídia brasileira e por seu colunismo isento, arguto e atilado. Eliane
Cantanhêde, por exemplo, na Folha deste domingo, salienta que há 14 anos
anuncia a crise final do processo revolucionário bolivariano. E não é
que votaram em Maduro? Por que tanta insensatez? Alguns detalhes escapam
–lá, como cá– aos nossos analistas de larga visão: quase a metade da
população urbana da Venezuela vivia entre a pobreza e a miséria , em
1999. Hoje, esse percentual caiu a 28%.  Entre as 26 principais cidades
da América Latina,Caracas é a que apresenta a menor taxa de desigualdade
de renda.  Na Venezuela, mais de 80% das residência são de propriedade
dos seus moradores. Na Colômbia, esse  percentual é inferior a 50%.
Cerca de 95% dos lares venezuelanos tem saneamento básico (leia a
análise de Gilberto Maringoni, direto de Caracas, na apuração
das urnas.Leia também a entrevista daDeputada  Blanca Eeckhout , ex-ministra venezuelana doPoder Popular para a Comunicação e Informação e uma das fundadoras da Catia TV, a primeira emissora comunitária do país)

(Carta Maior;2ª feira,15/04/2013)




 Internacional| 13/04/2013 | Copyleft

Renomado músico e compositor uruguaio está em Caracas
cantando por Maduro e pela integração latino-americana. No Brasil,
infelizmente, a lógica anti-integracionista e alienante dos grandes
conglomerados de comunicação silenciam sua voz e seus dizeres, repletos
de convicção no ser humano, na força da solidariedade e da unidade. Por
Leonardo Wexell Severo e Vanessa Silva

Caracas – Autor de clássicos
latino-americanos como “A desalambrar”, “Canción para mi América” e “El Chueco Maciel”, Daniel Viglietti dispensa comentários pela beleza e
contundência de suas canções. Uruguaio de nascimento, mas filho da
“nossa América” – como faz questão de dizer para contrapor-se àquela do
Império –, tem sua reconhecida e premiada obra embalado corações,
animando o amor e a luta presentes, com seu canto armado de futuro

No
Brasil, infelizmente, a lógica anti-integracionista e alienante dos
grandes conglomerados de comunicação silenciam sua voz e seus dizeres,
repletos de convicção no ser humano, na força da solidariedade e da
unidade. Confiante na capacidade coletiva de romper barreiras e superar
desafios, Viglietti está em Caracas, apoiando a eleição de Nicolás
Maduro.

Entre os muitos êxitos da revolução bolivariana está o
avanço da reforma agrária, o combate ao latifúndio, e a distribuição de
terra e justiça. Aqui o governo não empanturra com dinheiro público o
agronegócio – com seu monocultivo e seus agrotóxicos – nem dá sinal
verde à especulação com alimentos nas bolsas de valores. A reforma
agrária é justa e necessária, sublinha Viglieti. Afinal, “si las manos
son nuestras/es nuestro lo que nos den”.

Abaixo, a entrevista com Daniel Viglietti.

ComunicaSulCompanheiro Daniel, tens em tuas canções a marca da integração e da solidariedade. Como sentes esta responsabilidade?
Daniel Viglietti
– Sempre senti que tinha duas pátrias. Uma, a de nascimento, o Uruguai,
e outra pátria a latino-americana que gosto de chamar de
“nuestroamericana” (nossamericana). Inventei esta palavra a partir da
expressão de José Martí [que contrapunha a Nossa América, a América
deles, do império do Norte]. Percebi que as fronteiras são artificiais
além da língua e da cultura, que têm seu peso em diferentes regiões, mas
estas fronteiras, as aduanas, os escritórios de imigração são invenções
feitas para nos dividir. Quando entro no Brasil, na Venezuela, em Cuba
ou em tantos países progressistas, sinto que é irreal precisar de
passaporte. A canção não tem que pedir vistos para entrar em lugar
nenhum. A música entra naturalmente e, quando é necessário, se traduz,
como fiz como algumas canções do meu amigo Chico Buarque. A circulação
de música, da cultura, é totalmente livre. No entanto, me sinto cada vez
mais “nuestroamericano”, embora meu nascimento, minha nacionalidade
seja uruguaia.

ComunicaSulNa Venezuela o governo
Chávez tomou medidas como a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e
Televisão (Resorte), que ampliou os espaços para a música nacional e
regional no conjunto dos meios de comunicação, o que fez aflorar uma
variada gama de artistas. Como avalia esta medida?

Daniel Viglietti
– Há um processo de transformações, com tendência revolucionária na
Venezuela que tem a ver com a luz que ilumina o invisível em muitos
planos. Dos povos originários, das classes populares, das populações
chamadas “marginais”, quando na verdade elas são fruto de sistemas que
marginalizam as pessoas. O invisível da cultura é uma das luzes que este
processo está identificando, dando voz a cantores, grupos, coletivos…
Há um caso muito importante aqui na Venezuela da geração de Alí
Primera, Cecília Todd, Lilia Vera, e fenômenos mais jovens, garantia da
continuidade. Isso nos mostra como a cultura pode se renovar e de como é
bom que a cultura – não necessariamente planfetária ou
supra-oficialista, mas a criativa, que busque linguagens – fique
iluminada por estes processos. Há aí um contraponto à concepção
reacionária, baseada em valores que semeiam a escuridão.

ComunicaSulNa
sua compreensão, qual o papel da democratização da comunicação para que
nos conheçamos melhor, enquanto países e povos, já que a grande mídia
trabalha dia e noite contra a integração?

Daniel Viglietti
– Creio que também este aspecto está ligado ao anterior: cultura e
comunicação. Acho que uma proposta como a TeleSUR, que é um canal
“nuestroamericano”,onde as pessoas podem se informar sobre o que passa
no continente, deveria ser vista livremente em nossos países. Cito o
caso de Montevidéu. Na capital uruguaia, para poder ver a TeleSUR tens
que alugar um cabo argentino. São medidas que faltam ser tomadas. Esse é
um exemplo claro do que é possível fazer em matéria de comunicação.
Estou contente de trabalhar com a Rádio Nacional da Venezuela com o
programa Tímpano, que também se faz no Uruguai, na Argentina, Quem sabe
um dia teremos também no Brasil, com “legendas” [risos]. Estou contente
de estar aqui com os sem-terra, porque sei o que significa em um país
continente como o Brasil a luta por mais justiça, pela distribuição da
terra, metaforicamente pela distribuição “da selva”. Me alegro desta
coincidência. Venho do Uruguai onde se fez uma homenagem a Chávez em um
povoado pequeno que se chama Bolívar e nosso presidente esteve presente.
E homenageou também cantando a memória de Chávez. Eu estreei uma canção
que coloquei o nome bolivariana. A cantei ontem na TeleSUR e cantarei
hoje. Creio que será o maior ato do qual terei participado em minha vida
e terei que tratar de cantá-la com um quatro. É um instrumento de
grande riqueza, eu o uso modestamente, mas dá um colorido diferente para
a canção. É uma honra estar aqui com todos que apoiam esta eleição, tão
limpa que foi até elogiada pelo ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter.
Frente ao cinismo, a desfaçatez e ao ódio destes que são capazes de
coisas terríveis – e temos que estar atentos a isso –precisamos
continuar unidos. Logo nos veremos em meio à alegria coletiva.

* http://comunicasul.blogspot.com.br/

Dilma Rousseff assiste à apresentação da Orquestra Simón Bolívar

10 de abril de 2013
Fonte: Portal do MINC
Em turnê pelo Brasil, a Orquestra Sinfônica da Venezuela, ‘Simón
Bolivar’, realizou uma apresentação no Teatro Nacional Cláudio Santoro,
em Brasília, nesta terça-feira (9/4). Os músicos deram início à
apresentação com o Hino Nacional brasileiro e na sequência apresentaram
diversas peças sob a regência do maestro Gutavo Dudamel.
O
concerto foi prestigiado pela presidenta Dilma Rousseff e várias outras
autoridades do primeiro escalão do governo brasileiro, como a ministra
da Cultura, Marta Suplicy, o ministro das Relações Exteriores, Antônio
Patriota, além do governador de Brasília, Agnelo Queiroz, e do
embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arveláiz.


Na tarde do mesmo dia, a presidenta Dilma Rousseff condecorou o
fundador da Orquestra, o pianista José Antônio Abreu, com o mais alto
grau da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, principal comenda do governo
brasileiro. A Orquestra Sinfónica Simón Bolívar é fruto de um sistema de
ensino que procura auxiliar jovens nascidos em famílias com
dificuldades econômicas extremas.


Experiência venezuelana com orquestras infantojuvenis

Antes do concerto, a ministra recebeu em seu gabinete no Ministério da
Cultura, o maestro do Sistema de Orquestras Juvenis e Infantis da
Venezuela, José Antônio Abreu, acompanhado pelo ministro do Poder
Popular da Cultura da Venezuela, Pedro Calzdilla. Ministra Marta Suplicy recebe o maestro venezuelano Josá Antônio Abreu

A ministra conversou com o maestro sobre as características dos Centros
Unificados das Artes e dos Esportes (CEUs) brasileiros e quis saber
como funciona a orquestra venezuelana. José Abreu explicou que se trata
de um coletivo  de formação musical para jovens, que oferece apoio
social simultaneamente.  A formação dos alunos é gratuíta e eles recebem
um instrumento para fazer parte da orquestra.
Os mais novos
iniciam o aprendizado em orquestras infantis, evoluindo (com a idade e a
técnica) para orquestras juvenis. Escolhidos entre os melhores das
diversas orquestras espalhadas pelo país, os músicos da Orquestra Sinfônica Simón Bolívar representam o topo do sistema de ensino, conhecido como “El Sistema”.


Segundo a ministra, o projeto iniciado por Abreu nos anos 70 é um
sucesso e uma mostra do potencial que os jovens demonstram mediante
oportunidades. “Estou impressionada com a qualidade e os resultados do
trabalho de vocês. A orquestra é a representação de que sempre há como
recuperar o tempo perdido. É uma mostra do grande potencial das
comunidades carentes”, comentou.

Música erudita nos CEUs
Ministra MArta Suplicy recebe maestros brasileirosDez
maestros brasileiros foram convidados pela ministra Marta Suplicy para
conversar com os convidados venezuelanos. Amilson Godoy, Arthur Barbosa,
Carlos Moreno, Cláudio Cohen, Henrique Morelenbaum, Isaac
Karabtchevsky, Jamil Maluf, Júlio Medaglia , Lutero Rodrigues e Roberto
Duarte recepcionaram os visitantes.


O intuito do encontro foi conhecer mais detalhadamente o funcionamento
do ‘El Sistema’ e colocar gestores do MinC e os maestros brasileiros em
contato com a experiência venezuelana. A ideia é buscar novos subsidios
para a elaboração de uma proposta adaptada à realidade do Brasil, a ser
implantada nos CEUs.


(Texto: Rosiene Assunção / Ascom MinC)
(Fotos: Elisabete Alves e Bruno Spada)

Tocar y Luchar
Dedicada al Sistema de Orquestas Infantiles y
Juveniles de Venezuela, este documental, es la historia de un proyecto
en el que participan más de 240 mil niños y jóvenes venezolanos y otros
de diferentes naciones latinoamericanas.

La propuesta del maestro José Antonio Abreu se ha mantenido por 30 años y se ha expandido en tierras foráneas.

El
documental trata sobre la misión, los logros y trabajo de los niños
participantes, cuenta con los testimonios de algunos de ellos, y con los
comentarios y opiniones sobre el proyecto de músicos y directores como:
Plácido Domando, Guisepe Sinopoli y Eduardo Marturet, entre
otros.Protagonistas:
Los niños y jovenes que pertenecen al Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela.

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