TVNBR
Publicado em 17/01/2013
BOM DIA, MINISTRO – 17.01.13: O Bom Dia Ministro desta quinta-feira (17) entrevistou a ministra da Cultura, Marta Suplicy. No programa, a ministra falou sobre o Vale Cultura, sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, no dia 27 de dezembro.
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Marta Suplicy
“A gente não quer só comida”
O Vale-Cultura pode, sim, ser o “alimento da alma”. Por que não? Pela
primeira vez o trabalhador terá um dinheiro para o consumo cultural
A Folha publicou editorial (“Vale-populismo”, 10/1) crítico do
Vale-Cultura (VC). Chama de “populismo” e promoção pessoal e eleitoreira
projeto de lei que buscava aprovação desde 2009. Com a regulamentação
do VC, empresas poderão passar R$ 50 a seus funcionários que recebam
prioritariamente até cinco salários mínimos (R$ 3.390) para gastarem em
cultura.
O Brasil nos últimos anos, com Lula e agora Dilma, tem dado passos
gigantescos para acabar com a miséria. Não preciso citar os números dos
que hoje comem nem dos que hoje entraram na classe média. O Bolsa
Família, trucidado pela oposição, hoje é comprovadamente um instrumento
de erradicação da pobreza.
gigantescos para acabar com a miséria. Não preciso citar os números dos
que hoje comem nem dos que hoje entraram na classe média. O Bolsa
Família, trucidado pela oposição, hoje é comprovadamente um instrumento
de erradicação da pobreza.
O Vale-Cultura pode, sim, ser o “alimento da alma”. Por que não? Pela
primeira vez o trabalhador terá um dinheiro que poderá gastar no consumo
cultural: sejam livros, cinema, DVDs, teatro, museus, shows,
revistas…
primeira vez o trabalhador terá um dinheiro que poderá gastar no consumo
cultural: sejam livros, cinema, DVDs, teatro, museus, shows,
revistas…
Lembro que, quando fizemos os CEUs (Centro Educacional Unificado), na
pesquisa (2004) realizada no primeiro deles, na zona leste, 100% dos
entrevistados nunca tinham entrado num teatro e 86%, num cinema. Quando
Denise Stoklos fez seu espetáculo de mímica, a plateia se remexia
inquieta até entender a linguagem e não se ouvir uma mosca no teatro,
fascinado.
pesquisa (2004) realizada no primeiro deles, na zona leste, 100% dos
entrevistados nunca tinham entrado num teatro e 86%, num cinema. Quando
Denise Stoklos fez seu espetáculo de mímica, a plateia se remexia
inquieta até entender a linguagem e não se ouvir uma mosca no teatro,
fascinado.
Fomento ao teatro, aquisição de conhecimento e bagagem cultural! Não foi
à toa que Fernanda Montenegro ficou pasma com a plateia dos CEUs. Essas
pessoas, se tiverem criado gosto, finalmente poderão usufruir e
escolher mais do que hoje podem. E os que não têm CEU têm televisão e
conhecem o que é oferecido para determinado público. Sabem também o que
aparece no bairro. E sabem que não podem ir.
à toa que Fernanda Montenegro ficou pasma com a plateia dos CEUs. Essas
pessoas, se tiverem criado gosto, finalmente poderão usufruir e
escolher mais do que hoje podem. E os que não têm CEU têm televisão e
conhecem o que é oferecido para determinado público. Sabem também o que
aparece no bairro. E sabem que não podem ir.
Existe toda uma multidão de brasileiros (17 milhões) que hoje ganha até
cinco salários mínimos (R$ 3.390) que potencialmente poderão, além de
comer, alimentar o espírito. Este é um projeto de lei que toca duas
pontas: o cidadão que vai consumir e o produtor cultural que terá mais
público para sua oferta.
cinco salários mínimos (R$ 3.390) que potencialmente poderão, além de
comer, alimentar o espírito. Este é um projeto de lei que toca duas
pontas: o cidadão que vai consumir e o produtor cultural que terá mais
público para sua oferta.
Quando chegarmos nesse potencial, serão R$ 7 bilhões injetados na cultura. Nossa previsão é atingir R$ 500 milhões neste ano.
Em 2008, o Ibope realizou pesquisa sobre indicadores de cultura no
Brasil e mostrou que a grande maioria da população está alijada do
consumo dos produtos culturais: 87% não frequentavam cinemas, 92% nunca
foram a um museu; 90% dos municípios do país não tinham sala de cinema e
78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.
Brasil e mostrou que a grande maioria da população está alijada do
consumo dos produtos culturais: 87% não frequentavam cinemas, 92% nunca
foram a um museu; 90% dos municípios do país não tinham sala de cinema e
78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.
Segundo a Folha, estaremos incentivando blockbusters e livros de
autoajuda. Visão elitista. Cada um tem direito de consumir o que lhe
agrada. Não esqueço quando, visitando um telecentro, fiquei indignada
que a maioria dos jovens estava nos chats de um reality show. Fui
advertida pela gestora: “Esse é um instrumento que eles estão aprendendo
a usar. Depois, poderão voar para outros interesses. Ou não”.
autoajuda. Visão elitista. Cada um tem direito de consumir o que lhe
agrada. Não esqueço quando, visitando um telecentro, fiquei indignada
que a maioria dos jovens estava nos chats de um reality show. Fui
advertida pela gestora: “Esse é um instrumento que eles estão aprendendo
a usar. Depois, poderão voar para outros interesses. Ou não”.
Não custa lembrar que a fome pelo acesso à cultura é enorme, o que ficou
evidente nas filas quilométricas na mostra sobre impressionistas quando
apresentada gratuitamente pelo Banco do Brasil.
evidente nas filas quilométricas na mostra sobre impressionistas quando
apresentada gratuitamente pelo Banco do Brasil.
O que a Folha também menosprezou é a enorme alavanca que o VC
pode representar e desencadear na economia. A cadeia produtiva da
cultura é o investimento de maior rentabilidade a curto prazo. Para uma
peça de teatro, você vai desde os artistas, ao carpinteiro, cenógrafo,
vestuário, iluminador…
pode representar e desencadear na economia. A cadeia produtiva da
cultura é o investimento de maior rentabilidade a curto prazo. Para uma
peça de teatro, você vai desde os artistas, ao carpinteiro, cenógrafo,
vestuário, iluminador…
Quanto ao recurso ir para formação e atividades de menor sustentação comercial, citadas como prioritários pela Folha,
os editais do ministério, os Pontos de Cultura, têm exatamente essa
preocupação, assim como os CEUs das Artes e Esporte que são, no momento,
124 em construção no país.
os editais do ministério, os Pontos de Cultura, têm exatamente essa
preocupação, assim como os CEUs das Artes e Esporte que são, no momento,
124 em construção no país.
“A gente quer comida, diversão e arte.” (Titãs)
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