Apresentação
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O objetivo principal da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do
Sul é estabelecer um diálogo franco e direto com o povo brasileiro sobre
seus direitos fundamentais. Mais do que assistir a filmes, trata-se de
um convite ao debate, à reflexão, para construirmos juntos um país que
valorize a diversidade e garanta o respeito aos Direitos Humanos.
A Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul é fruto de uma
parceria com o Ministério da Cultura; por meio da Cinemateca Brasileira,
recebe o patrocínio da Petrobras e apoio da Empresa Brasil de
Comunicação (EBC) e dos governos locais, além da importante mobilização
dos movimentos e redes de Direitos Humanos em todo o Brasil. Este ano
foram 255 filmes inscritos e 37 selecionados.
Presente nas 27 capitais do País desde o ano passado, a sétima edição
traz como novidades o Cine Direitos Humanos na Rua e o Cine Direitos
Humanos Itinerante, que chegam com o intuito de popularizar e
descentralizar as exibições dos filmes, alcançando uma parcela da
população brasileira que historicamente não tem acesso às salas de
cinema.
O Cine Direitos Humanos na Rua vai exibir sessões públicas em espaços
populares, com projeções de alta qualidade. A inauguração será no
Pelourinho, em Salvador, em 10 de dezembro, Dia Internacional dos
Direitos Humanos.
Por sua vez, o Cine Direitos Humanos Itinerante pretende fomentar o
acesso à Mostra por parte dos brasileiros e brasileiras que vivem nas
periferias das grandes cidades e no interior do país, numa parceria com
os Pontos de Cultura do Ministério da Cultura, com o SESC Nacional e com
a Rede Marista de Ensino.
O Programa Nacional de Direitos Humanos do Governo Federal destaca um
capítulo inteiro à Educação e Cultura em Direitos Humanos. Seu objetivo
final é conjugar ações capazes de formar uma nova mentalidade coletiva
solidária, que reconheça a alteridade e nos permita praticar,
cotidianamente, o respeito e a tolerância às diversidades em nossa
sociedade.
Nesse sentido, a Cultura alcança patamares além de uma prática isolada,
como a exibição de um filme ou peça de teatro. Até conquistarmos uma
sociedade plenamente igualitária, temos um longo caminho a percorrer,
sendo que suas vias devem ser pavimentadas por valores, atitudes e
práticas sociais que expressem a Cultura dos Direitos Humanos. Daí a
importância de as pessoas refletirem sobre os filmes desta Mostra, que
deverão dialogar com a realidade cultural de cada localidade onde forem
exibidos.
A formação de uma consciência cidadã é um passo fundamental, assim como o
desenvolvimento e aprimoramento de processos participativos e de
construção coletiva, de modo que cada um e cada uma se sintam parte
integrante na formação ética e política deste imenso e diverso país
chamado Brasil. Acreditamos que a mudança de mentalidade deve começar
na escola. Por isso, a sétima edição da Mostra reforça e amplia
parcerias com instituições de ensino, o que está em consonância com os
esforços da SDH/PR para a implementação em todo o território nacional do
Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos.
Na educação básica, a ênfase é na troca de experiências entre crianças,
valorizando o respeito à diversidade e fomentando, desde cedo, o
respeito e a tolerância entre todos. No ensino superior, pretende-se a
inclusão do tema dos Direitos Humanos em disciplinas, linhas de pesquisa
e programas de extensão.
Nesse ponto, é muito importante ressaltar o papel dos meios de
comunicação de massa, que possuem grande capacidade de influir na
mentalidade coletiva. Reconhecemos a importância das empresas privadas
que atuam no setor, muitas vezes incluindo em seus programas mensagens
que dialogam com o trabalho realizado pela SDH/PR, como o respeito a
todas as pessoas, independentemente de sexo, idade, condição social,
crença religiosa, etnia ou orientação sexual.
E é exatamente isso que procuramos fazer na Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República. Nossas políticas são voltadas, em
sua maioria, para as pessoas em situações de grande vulnerabilidade.
Tratamos desde pessoas em situação de rua até a proteção de crianças e
adolescentes ameaçadas de morte. Lutamos pela libertação das pessoas
submetidas ao trabalho análogo ao de escravo, pela garantia dos direitos
das pessoas com deficiência, pelo fim da tortura em instituições
fechadas. Em comum, são pessoas historicamente segregadas e que merecem
ter vez e voz na sociedade.
Este ano a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul
homenageará cineasta brasileiro Eduardo Coutinho, considerado um dos
mais importantes documentaristas da atualidade. Ser humano dos mais
sensíveis, sua capacidade de ouvir o outro salta aos olhos em cada um de
seus trabalhos, registrando sem sentimentalismos as emoções e
aspirações do nosso povo brasileiro. Foi assim quando destacou a vida de
metalúrgicos que conviveram com o então sindicalista Luiz Inácio Lula
da Silva, no filme “Peões”, ou o cotidiano de camponeses em “Cabra
Marcado Para Morrer”, e o dia a dia de moradores de um enorme condomínio
de classe média baixa no Rio de Janeiro, em “Edifício Master”.
Esperamos que todos os espectadores da Mostra reflitam sobre os temas
abordados nos filmes. Que incorporem essas reflexões às suas práticas
cotidianas ao longo de suas vidas e sejam, desta maneira, promotores e
defensores dos valores mais caros aos Direitos Humanos, ajudando a
construir um País que garanta os direitos básicos de todo o seu povo.
Maria do Rosário Nunes
Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
