APOLÔNIO XOKÓ É O ENTREVISTADO DO PROGRAMA NO RITMO DA HISTÓRIA, APERIPÊ AM, DESTE DOMINGO. (29/04)

ENTREVISTA
COM  APOLÔNIO XOKÓ, NO PRÓXIMO DOMINGO, 29
DE ABRIL, PROGRAMA “NO RITMO DA HISTÓRIA” NA APERIPÊ AM 630, NO
HORÁRIO DAS 13 ÁS 14h. 
OUÇA TAMBÉM VIA
INTERNET. 
http://www.aperipe.com.br/
Modos de ser e
fazer Xocó!

Quando eles moravam na caiçara, o que plantavam era tudo dividido com o
fazendeiro. Alguns tomavam dinheiro emprestado da colheita do arroz. Quando
chegava a época da colheita, quem não devia ao fazendeiro recebia a metade de
tudo o que era produzido. Por exemplo: se colhesse dois alqueires de arroz, um
era para o índio que plantou e o outro para o fazendeiro. Porém os índios que
deviam dinheiro para o fazendeiro, perdiam todo o arroz, pois ele levava tudo
para a sua fazenda.

Quanto a pesca na lagoa, também tinha que ser dividida com o fazendeiro.
Pescavam e os maiores e melhores peixes eram sempre para eles. Era dividido em
3 partes, o fazendeiro ficava com 2 partes e os índios com 1. Para os Xocós,
restavam apenas os peixes ruins e menores.

A comunidade vivia como criado para os Britos, e os netos de João Porfirio. A
aldeia plantava arroz, milho, feijão, algodão, e tudo era dividido. As vezes os
Britos traziam farinha e milho podres, bichados, para eles comerem. Os
fazendeiros não deixavam eles criarem boi, vaca , bode, e nenhum tipo de
animal.

Entre 70 e 71, os Xocós passaram muita fome. Comiam cuscuz, e coalhada, e
comiam sem açúcar e farinha, porque não tinham. Pescavam aratanha (Camarão
pequeno, de água doce, que vive em cardumes) para comer e vender. Contudo a
lagoa secou e acabaram os camarões.

Em contrapondo a alimentação dos Xocós sem os fazendeiros era muito sadia. A
comunidade sobrevivia com frutas, feijão, arroz, milho, a pesca e a caça eram
complemento das refeições. Comiam com suas maneiras, esquentavam na brasa,
tiravam do fogo e comiam. Esse tipo de alimentação foi substituída com o tempo,
porém ainda hoje existe a maneira própria como is índios fazem suas comidas. As
comidas costumeiras são o peixe, carne de boi. Fazem o famoso arribação e o
cuscuz. Comem caju, manga, banana, melancia e goiaba.

Destacarei agora sobre a educação dos Xocós, todos participantes da cultura,
das festas e dos rituais.

A Educação vem da família, desde que nasce a criança vai adaptando as coisas do
seu povo. Ter que respeitar os mais velhos, respeitar a natureza, sabendo
distinguir o bom do ruim, ensinar como trabalhar na terra, na água (pesca), na
caça, com o artesanato e ter que ir para a escola para aprender como é o mundo
la fora. A escola tem a finalidade de incentivar a própria cultura Xocó, para
que ela seja vivida e respeitada.

Ensinam a valorizar a terra, as plantas que tem utilidade para remédios, o Toré
como ato de respeito e tradição e ter que ser consciente que o povo é um só.

 

A Escola na comunidade Xocó, começou a funcionar em 1980, na sacristia da
Igreja. Com o aumento do numero de alunos, surgiu a necessidade de construir
uma escola que atendesse todo mundo. Então em 1983, o cacique Daminhão dos
Santos e o vice-cacique José Apolônio dos Santos reivindicaram junto ao Governo
Estadual a construção da Escola Xocó. Foi construída no ano 2002, através do
FUNDESCOLA, uma nova escola que funciona como anexo. Na comunidade funciona da
pré-escola a oitava série do Ensino Fundamental.

Na categoria divisão de tarefas as mulheres da aldeia também trabalham na
agricultura, algumas pescam e caçam, e também cuidam da horta. Todas lavam
roupas de casa no Rio São Francisco que passa dentro da aldeia e para os
afazeres de casa a comunidade tem água encanada.

As mulheres se preocupam com a casa para que esteja sempre limpa e para que ela
e seus filhos tenham conforto onde dormem e comem. Também se preocupam com as
crianças na escola, para que aprendam a ler e escrever.

Os homens trabalham também na agricultura, cuidam da pecuária, praticam a pesca
e se preocupam com os problemas existentes na aldeia (Pois a comunidade não conta
com policiamento nem delegacia), Ainda há uma preocupação com o sustento dos
filhos e com a aprendizagem dos mesmos.

O povo Xocó sabe fazer muita coisa. Com a obra prima a palha, o barro, e a
madeira. São feitos vários instrumentos, como o arco e flecha, borduna e, o
maracá (instrumento musical) que é produzido com o cambuco. As roupas para o
dia de comemoração são feitas de palha do coqueiro, produzidas pelas próprias
pessoas da aldeia. O barro serve para produzir a cerâmica, como panela, bule,
fogareiro, cuscuzeiro, xícara, caneca, caçarola, potes, conjuntos de potes,
conjuntos de caçarolas e etc. Com o coco ou as pontas do boi há a fabricação
dos anéis, as pulseiras e os colares. A sua importância é o trazer o artesanato
para o dia dos índios, que servirá de renda.

Espero que tenham obtido alguma informação sobre a cultura Xocó e a sua
importância nos dias de hoje. A “influencia” do fazendeiro para a alimentação
indígena. E os modos de ser, e fazer dos índios Xocó.

Fonte:  http://paulofcamposs.blogspot.com.br/

Leia/Ouça Mais:

Programa radiofônico indígena na
internet
O Programa de Índio, primeiro
programa radiofônico feito pelos povos indígenas, teve seu acervo recuperado
e estará disponibilizado em portal da internet. O site
www.programadeindio.org será apresentado oficialmente amanhã (07), às 19h30,
no auditório do SESC em São Paulo. A cerimônia contará com a participação dos
apresentadores originais Ailton Krenak e Álvaro Tukano, além do coral Guarani
Kekoá Pyau.

O projeto “Programa de Índio-
história e histórias”, idealizado pela Ikore- projetos culturais e
artísticos, em parceria com o Núcleo de Cultura Indígena, foi selecionado
pelo edital Petrobras Cultural e possibilitou a digitalização e recuperação
deste acervo, com 200 dos programas que construíram a primeira experiência
radiofônica de povos indígenas do Brasil. O programa semanal com duração de
30 minutos, ia ao ar na rádio USP, nos anos 80, e foi o primeiro programa no
Brasil a colocar os povos indígenas como protagonistas na mídia eletrônica.
Com muita verdade, como se fosse uma conversa em volta do fogo, o programa
trazia o som das aldeias, a música ritual, as cerimônias, além das
informações sobre o cotidiano e as expectativas dos povos indígenas. Com essa
iniciativa, a sociedade brasileira poderá ouvir novamente as vozes que
fizeram o movimento indígena e ter acesso a mais informações sobre esse
período e sobre a história do Brasil.

As raízes
A Rádio USP, ligada à Universidade
de São Paulo, cumprindo o papel social de uma rádio educativa, tinha uma
programação plural e com temática arrojada, aceitou o desafio e em junho de
1985 foi gravado o piloto, que foi ao ar logo em seguida como o primeiro de
uma série de 220 programas diferentes, ao longo de 4 anos e 9 meses. A partir
de 1987, o programa começou a ser distribuído para outras emissoras, entre
elas a Rádio Universidade de Santa Maria/RS, Escola Federal de Engenharia de
Itajubá/MG e Kaiowá de Dourados/MS.
Álvaro Tukano, Apolônio Xocó,
Biraci Brasil, Daniel Cabaxi, Marçal Tupã-i, Marcos Terena, Paulo Bororo e
muitos outros estavam há anos em um movimento de luta pela organização dos
povos indígenas em torno de seus direitos. Pessoas de diferentes etnias, que
entendiam a política e o pensamento dos “brancos”, vivendo, trabalhando,
estudando nas cidades, elas buscavam interlocutores entre políticos e
formadores de opinião, aliados e parceiros para embates com o governo, para a
conquista de seus direitos e afirmação de sua identidade.

Tinham na bagagem viagens para fora
do País, participação em encontros, seminários, espaços conquistados a mídia,
alianças com instituições e intelectuais da época. Sabiam de “onde vinham, o
que queriam e para onde iam”. A idéia do Programa de Índio foi gerada nesse
ambiente, com essas lideranças, com a compreensão de que novos espaços
deveriam ser abertos para a voz e o pensamentos dos povos indígenas.
O rádio foi escolhido como
instrumentos por ser um meio democrático, conhecido e respeitado pelas
comunidades indígenas, e por não exigir investimentos altos na produção dos
programas. O desafio era encontrar uma emissora que abrisse espaço para um
programa dirigido e apresentado por pessoas indígenas, com temática e formato
definido por elas e que ainda tocasse a música tradicional.
Para ouvir,  clique abaixo:  

http://www.programadeindio.org/index.php?s=pi&n=programa&pid=158#

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